segunda onda

Nuvem de gafanhotos volta a se aproximar e pode chegar ao Brasil como em 1946

Há 74 anos, praga causou prejuízos agrícolas no Sul. Agora, cena semelhante pode se repetir

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Foto: Senasa (divulgação) 

Uma segunda onda da nuvem de gafanhotos que se formou no Paraguai e está na Argentina pode trazer os insetos para o Brasil, relatam pesquisadores. Essa mesma nuvem chegou a se formar em junho e deixou os produtores rurais da região da Fronteira Oeste em alerta. Há um mês, a massa de ar frio que chegou sobre o estado acabou afastando a nuvem. Agora, com o calor fora de época, existe a chance de a nuvem se aproximar novamente. Na segunda-feira, estava em Corrientes, na Argentina, a cerca de 130 quilômetros da cidade gaúcha de Barra do Quaraí. 


A mesma tendência foi observada em 1946, quando a praga passou pelos mesmos locais na Argentina e acabou chegando, meses depois, ao Rio Grande do Sul, causando grandes perdas para o setor agrícola. Quem explica o comportamento dos gafanhotos é o professor e pesquisador do Laboratório de Manejo Integrado de Pragas (LabMIP) da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) Jerson Guedes. Segundo Guedes, nesta segunda-feira, a nuvem está a cerca 122 quilômetros da fronteira do Estado, passando por Entre Rios no Uruguai. Nesta terça, a nuvem está a 110 quilômetros do RS. Esse é o mais perto que os insetos chegaram do Brasil desde o início dos registros nos últimos meses.

Imagem: Mapa desenvolvido pelo LabMIP, da UFSM, mostra como foi o deslocamento dos gafanhotos em 1946 em comparação com o de 2020
Os pontos vermelhos representam onde estão os gafanhotos. As linhas pontilhadas, o trajeto que fizeram há 74 anos

- Não tem como ter certeza se vão entrar. A única vez que isso ocorreu foi em 1946, desde que se tem registro, com um movimento muito parecido. Seguindo essa lógica, entraria, mas é difícil prever - explica o pesquisador.

O TAMANHO DA NUVEM
A nuvem atual pode medir até 10km², somando todas as frentes, podendo conter até 400 milhões de gafanhotos. Em um quilômetro quadrado, é possível que esse número de insetos coma o que duas mil vacas consomem por dia. Para compreender melhor o comportamento desses animais e saber como prevenir os possíveis danos, Guedes tem ministrado cursos junto com Clérison Perini, pós-doutorando da UFSM, e Dori Edson Navas, da Embrapa Clima Temperado de Pelotas, com treinamentos para técnicos do governo estadual e das secretarias de Agricultura do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina.

De acordo com Clérison Perini, a temperatura tem uma forte influência na vida desses insetos. Quanto mais quente, mais ativos eles ficam e mais conseguem se movimentar. Os ventos quentes que têm corrido o Estado desde esse final de semana tornam os gafanhotos mais propensos a levantar voo, atingir outros locais e também a se reproduzir. E a reprodução também afeta os hábitos alimentares desses animais. As fêmeas copuladas tendem a comer menos. No entanto, Perini afirma que nas pesquisas desenvolvidas pelos argentinos, elas não estavam copuladas.

- Os ventos influenciam, mas não direcionam a movimentação. Os ventos nortes, quentes, ajudam a movimentar, mas a orientação é dada por eles. Nesses últimos movimentos, de maio e junho, eles deslocaram reto de norte, entre Paraguai e Argentina, para o sul, até Corrientes. Mas pode ser que eles virem. Eles estão migrando, procurando locais para se alimentar, para deixar seus descendentes - explica o pós-doutorando.

O pesquisador também ensina que os gafanhotos se alimentam de diversas plantas, inclusive de culturas e grãos. Eles também procurar locais de solo arenoso e seco, mais comum na região sul do Estado, como em São Francisco de Assis.

De acordo com nota divulgada pelo Ministério da Agricultura na segunda, "a previsão é de que os insetos continuem a se movimentar para o sul, e que os ventos se mantenham na direção norte-sul indicando uma provável direção da nuvem rumo ao Uruguai".

- Estamos monitorando a região da fronteira com a Argentina e em contato direto com o Ministério da Agricultura e com o governo argentino para verificar o tamanho e a velocidade de deslocamento da nuvem. Temos 11 fiscais envolvidos nesta taref - informa Ricardo Felicetti, chefe da Divisão de Defesa Sanitária Vegetal da Seapdr.

ORIENTAÇÕES
Segundo o engenheiro agrônomo da Emater regional de Santa Maria, Luiz Fernando Oliveira, a orientação para os produtores é de que entrem em contato com o escritório da região se avistarem gafanhotos. O ideal seria capturar exemplares para que eles sejam encaminhados para análise. Ele afirma que o Estado faz um monitoramento do deslocamento da nuvem. 

Na sexta-feira, representantes do Ministério da Agricultura, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), da Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura e da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) estiverem reunidos para traçar planos de combate caso a praga chegue ao território gaúcho. 

- Com a elevação das temperaturas neste fim de semana, estamos apreensivos, mas preparados para o caso de uma eventual ocorrência da praga em território gaúcho. Temos um plano operacional de emergência - explica Ricardo Felicetti.

De acordo com Perini, é mais fácil controlar os insetos quando eles pousam, porque ficam mais aglomerados e, assim, ocupam uma área menor. Com orientações argentinas, o Ministério da Agricultura liberou o uso de alguns agrotóxicos para tentar combater a nuvem caso ela chegue ao Estado.


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