Júri da Kiss

'No momento que eu estava lá fora, vi o Kiko e a esposa, ele abanava alguém' lembra ex-segurança da boate

Depoimento de Doralina Machado Peres encerrou o quinto dia de júri do Caso Kiss

Arianne Lima


Foto: Reprodução/TJRS

O último depoimento do quinta dia do júri do Caso Kiss é o da sobrevivente Doralina Machado Peres. Funcionária terceirizada, na época, ela atuava como segurança feminina na Boate Kiss há dois anos e oito meses. Convocada pela defesa de Elissandro Spohr, ela relatou os momentos da tragédia: 

- Eu não lembro de muita coisa. Eu só me lembro que na hora de muito grito, muita confusão. Eu queria volta para trás, achando que era briga. Só que eu não conseguia voltar para trás. O pessoal começou a me empurrar e eu desmaiei. 

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Segundo Doralina, ela foi tirada da boate por um colega de trabalho chamado Tavares. As lembranças que antecederam o ocorrido são poucas:

-Eu sei que, primeiramente, eu acordei lá mesmo e depois me levaram para fora, para o estacionamento do Carrefour. Depois eu acordei e estava no meio da rua. Nesse meio tempo, eu não me lembro o que aconteceu. Me botaram na ambulância e eu desmaiei. Depois, não acordei mais. Foi a segunda vez que eu desmaiei.

A sobrevivente conta que ficou cerca de 25 ou 26 dias internada, por conta de um problema pulmonar e queimaduras. Durante o tempo em que trabalhou na boate, Doralina afirma ao juiz ter recebido orientações de colegas sobre procedimentos de evacuação da casa em caso de acidente, mas não cursos. Ela confirmou que reuniões entre a equipe de trabalham passavam orientações aos funcionários, como obedecer a um certo limite numérico de pessoas a entrar na casa noturna. 

QUESTIONAMENTOS
O quantitativo de extintores no local foi questionado duas vezes durante a oitiva. A primeira pelo juiz Orlando Faccini Neto e posteriormente, pelo Ministério Público, contando inclusive com o auxilio de uma maquete virtual. Para ambas perguntas, Doralina relatou não lembrar. O número de seguranças no dia da tragédia, assim como a instrução da sobrevivente para exercer a função na boate foram retomadas pela acusação. Doralina foi enfática: 

-Eu não fiz curso. Eu só tinha orientações de colegas, porque a minha função era ficar na frente, fazendo a revista. Depois de uma certa hora, eu passava para dentro, ajudava a recolher garrafas. Quando alguma menina passava mal, chamava, pedindo minha ajuda. Era isso que eu fazia. 

Os advogados de defesa de Elissandro Spohr, Jader Marques e Leonardo Sagrillo, seguem pela linha de questionamentos sobre o funcionamento da Boate Kiss. Em determinado momento, a conduta de Elissandro após a tragédia também é levantada.

- No momento que eu estava lá fora, vi ele e a esposa dele lá fora, e ele estava abanando alguém - lembra Doralina.

Sobre a relação de trabalho e afeto com o antigo chefe, a ex-funcionária diz que nada mudou.

- O meu sentimento continua o mesmo. Eu tenho um carinho por ele. Eu não vou dizer que não sinto nada por ele, que não gosto dele. Não. Ele sempre foi uma pessoa amiga. 

A defesa de Mauro Hoffman perguntou apenas se a sobrevivente conhecia ou já havia visto o ex sócio. A reposta foi negativa. As defesas dos músicos Luciano e Marcelo não fizeram perguntas. 

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ATVSM

Doralina participou do júri como vítima convocada pela defesa de Elissandro Spohr.  Questionada pelo Ministério Público sobre a convocação para depor, a sobrevivente conta sobre uma conversa que teve com o antigo presidente da Associação de Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria (ATVSM), Adherbal Ferreira.

- Eu pensei: 'vou falar com ele', porque depois se houver alguma represália, ele está sabendo. Eu não tava afim de ir, mas eu vim. Então, ele disse que 'que eu devia falar a verdade e pronto' e é o que eu estou fazendo - afirma. 

Em oportunidade anterior, Doralina já havia sido convida a fazer parte da entidade, mas não aceitou o convite. 


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