júri da kiss

'Nas casas onde íamos, todos tinham conhecimento', diz ex-operador de áudio sobre pirotecnia

Venâncio da Silva Anschau afirmou que a banda Gurizada Fandangueira usou fogos de artifício na própria Kiss antes da tragédia

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Foto: Foto: Pedro Piegas (Diário)


Foto: Pedro Piegas (Diário)

O depoimento do ex-operador de áudio da banda Gurizada Fandangueira, Venâncio da Silva Anschau, 40 anos, abriu o sétimo dia de júri do Caso Kiss. Venâncio era funcionário estava trabalhando  na boate na tragédia. Ele foi chamado pela defesa de Marcelo de Jesus dos Santos, ex-vocalista do grupo musical. Durante o relato, houve vários momentos em que o ex-operador de áudio se emocionou ao lembrar da madrugada de 27 de janeiro de 2013. 

Venâncio confirmou que o uso de artefatos pirotécnicos era comum pela banda nas apresentações. Segundo ele, os proprietários de locais onde faziam shows sabiam disso. Inclusive, confirmou que já houve uso de fogos de artifício na própria Kiss em noites anteriores à tragédia. 

- Desde que eu comecei a sonorizar eles, sempre utilizavam artefatos pirotécnicos. Nas casas onde íamos, todos tinham conhecimento - revela.

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O ex-operador de áudio conta que desabilitou o som quando percebeu o incêndio. Por isso, os músicos não teriam conseguido alertar as pessoas com o microfone.

- Estava concentrado na mesa de som, estava programando um efeito para usar na próxima música. De cabeça baixa, olhando para tela, escutando a banda. De repente, a banda para de tocar. Eu reviso o equipamento, e não tem nada de anormal. Olho para o palco e alguém sobe com o extintor, aí eu desliguei o áudio da banda. Era uma circunferência menor de um palmo o incêndio. Começa o pavor. Eu errei. Eu desabilitei o áudio - narra.

RESPONSABILIZAÇÃO

Venâncio trabalhava com a banda, eventualmente, desde 1999. Em 2010, passou a acompanhar exclusivamente a Gurizada Fandangueira. Após o incêndio, ficou cinco dias hospitalizado por causa da inalação da fumaça tóxica.

- Eu queria ficar em casa com a minha esposa, que estava gestante de 40 semanas. Eu fui internado em um hospital e ela noutro, para ganhar o bebê. Fui conhecer minha filha depois de 5 dias, em casa. Fiz seis meses de tratamento no Hospital Universitário e usei medicação mais dois meses - lembra.

Como não teve sequelas graves, não se identifica como vítima:

- Não entendo que houve tentativa de homicídio dos quatro (réus) para comigo. 

RELAÇÃO COM FAMILIARES

Muito emocionado, Venâncio recordou a relação com familiares de vítimas. Por ser integrante da banda, conta que sofria com julgamentos. 

- Dei um abraço em dois (pais), depois fiquei com medo. Um dia, estava na fila para fazer atendimento psicológico e perguntaram o envolvimento. Eu disse que era técnico de áudio da banda e uma pessoa perguntou por que eu estava ali. Eu saí, não fui ao atendimento - disse.


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