caso kiss

'Não aceito nenhuma solidariedade dos advogados', diz sobrevivente sobre defesas

Kelen Giovana Leite Ferreira foi ouvida por duas horas. Nenhum dos representantes dos réus quis fazer perguntas

Leonardo Catto

Foto: Pedro Piegas (Diário)

Por volta de 20h10min, a última etapa desta quarta-feira do júri da Kiss foi retomada. Nesta parte, Kelen Giovana Leite Ferreira foi ouvida. Ela é sobrevivente da tragédia e teve 18% do corpo queimado, além de ter o pé direito amputado. Hoje, aos 28 anos, Kelen é terapeuta ocupacional e vive em Pelotas, no sul do Estado. O depoimento foi encerrado às 22h10min,depois que nenhuma das defesas quis fazer perguntas.

Jader Marques, da defesa de Elissandro, passou a vez das perguntas "em respeito à vítima". As defesas de Luciano, Mauro e Marcelo disseram o mesmo. A sessão foi encerrada e será retomada no segundo dia, nesta quinta-feira.

Depois do encerramento, Kelen conversou com a reportagem do Diário. Ela disse que estava nervosa pelo momento do depoimento e que foi necessário ajustar a dosagem da medicação psiquiátrica que toma.

- Não aceito nenhuma solidariedade dos advogados. Não aceito (Não fizeram perguntas) talvez porque eu fosse incriminar mais ainda os clientes deles - falou.

Primeira vítima a depor no júri da Kiss teve 40% do corpo queimado e ficou 46 dias internada

Ainda no começo do depoimento, o magistrado questionou sobre dor nas queimaduras ou em relação à amputação. Na resposta, Kelen afirmou, ainda com a voz embargada, que as cicatrizes doem mais em dias quentes e não aceitava as marcas no corpo até o ano passado. Ela também respondeu a um questionamento sobre limitações quanto ao movimento.

- Correr eu não consigo mais. A última vez que eu corri foi para tentar me salvar da morte - respondeu.

ATENDIMENTO
Kelen foi a primeira pessoa a ser levada para o Complexo Hospitalar Astrogildo de Azevedo (à época, Hospital de Caridade). Os profissionais que a atenderam ainda não sabiam do incêndio. A sobrevivente contou que um amigo conseguiu contatar tios de Kelen que moravam em Santa Maria. Ela foi entubada e transferida de avião para Porto Alegre.

- Nessa viagem, acabou o oxigênio e revezaram entre um e outro (paciente). Podia ter morrido ali. A segunda vez - contou ao juiz Orlando Faccini Neto.

Kelen disse que já havia ido à boate mais de 10 vezes. Ela estimou que havia o dobro de pessoas dentro em uma festa na semana anterior ao incêndio. Respondendo questionamento do magistrado, a sobrevivente afirmou que não existia indicação de limite de pessoas na boate. Sobre o que causou o incêndio, Kelen disse que nunca tinha visto o uso de fogos de artifício na Kiss.

Ela afirmou ao juiz que hoje faz tratamento psicológico e psiquiátrico, além de acompanhamento com pneumologista. No começo do depoimento, Kelen apontou a prótese que usa e afirmou que o valor chega a R$ 75 mil. Posteriormente, em resposta a perguntas feitas pelo Ministério Público (MP), ela disse que teve de entrar com pedidos judiciais contra o município e Estado para bancar a prótese.

- Dor não é fazer um vídeo e chorar. Dor é quando eu me olhei muito tempo no espelho e chorei por ter ficado assim - disse em relação a um documentário feito pela defesa de Elissandro Spohr, sem citar o nome do réu, e as marcas de queimaduras que tem nos braços.

SAÍDA
Kelen afirmou não lembrar sobre a saída da boate. Entretanto, ela contou que foi informada que não foi permitida a saída de clientes sem o pagamento das comandas. Ela também relatou sobre pessoas que não conseguiam sair da boate por causa das barras de ferro na saída.

RELAÇÃO COM OS RÉUS
Ao ser questionada, Kelen disse que não conhecia nenhum dos quatro réus antes do incêndio e emendou "graças a Deus". Segundo o depoimento, ela também não sabia que Elissandro Spohr e Mauro Hoffmann eram donos da boate.

QUESTIONAMENTOS
O MP perguntou à Kelen sobre a estrutura da boate e o uso de pirotecnia em shows e lotação na Kiss. A sobrevivente também disse não ter visto nenhum dos réus no lado de fora da boate ou ter ouvido avisos sobre o incêndio.

A sobrevivente também considerou que mais pessoas deviam ser réus no caso. Entretanto, ela afirma que isso não isenta, na percepção dela, a responsabilidade dos quatro réus.

Kelen também foi questionada pela representação da Associação dos Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria (AVTSM).


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