com a palavra

Motorista aposentado relembra trajetória de mais de 50 anos de trabalho em Santa Maria

Luiz Fernando Castagna, o 'Seu Fernando', trabalhou na CVI Refrigerantes

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Com a esposa Teresa, na formatura do filho Daniel, em 2011

Luiz Fernando Castagna, 71 anos, que ficou conhecido na CVI Refrigerantes como Seu Fernando, trabalhou na empresa durante 50 anos. Chegou em 10 de setembro de 1969, com 19 anos, e começou a atuar na empresa onde já trabalhava o seu cunhado Sebastião Ferreira dos Santos. Na Coca-Cola, iniciou como auxiliar de carga, depois motorista, vendedor, e mais tarde, ficou somente com o cargo de motorista entregador. Nascido em Santa Maria, Luiz tem três irmãos: Erico, Ana e Renato. É casado desde 1975, com Teresa Laci de Lima Castagna, com quem teve o filho Diego de Lima Castagna. Nas horas vagas, gosta de ficar em casa com a família e fazer seu churrasco aos domingos. Nesta entrevista, Luiz Fernando conta um pouco da sua própria trajetória.

Diário - Que lembrança o senhor tem da infância?
Luiz Fernando Castagna - Cresci no Bairro Dores. Na infância, eu gostava de jogar bola e ir às reuniões dançantes e boates. Na época, eu podia estudar, brincar e aprender tudo que era bom, tudo que era ensinado pelos pais Iro e Gessy. As melhores lembranças que tenho da infância são dos desfiles dos colégios, das bandas marciais e do Carnaval de rua, quando era na Avenida Rio Branco e na Rua do Acampamento.

Diário - Que pessoas foram as suas referências? Que valores elas te passaram e que o senhor carrega ainda hoje?
Luiz - 
Minhas referências foram meus pais, Iro Merlinho Castagna e Gessy Trevisan Castagna, hoje já falecidos. Eles me ensinaram tudo de bom que aprendi nessa vida: ser honesto, trabalhador e pontual em minhas obrigações.

Diário - Se dedicar 50 anos ao mesmo trabalho, à mesma empresa, é algo difícil atualmente. A sua experiência foi exitosa por quais motivos?
Luiz - 
Não é fácil ficar tanto tempo em uma empresa. Mas basta ser honesto, pontual, transparente e gostar daquilo que faz que dá certo. O meu trabalho me proporcionou a responsabilidade e o compromisso de todos os dias cumprir minhas obrigações para trazer sustento à minha família. Com o meu trabalho, eu casei, e tive a minha família. Consegui formar o meu filho Daniel, em Direito na UFN, e me aposentar. Tenho carro e moro na casa que é da minha família. Levantar cedo, ter compromisso com a empresa e com as obrigações, me motivava a seguir.

Diário - Como foi a sua última entrega? Qual foi o seu sentimento?
Luiz - Minha última entrega foi triste. Sabendo que iria parar de trabalhar. Eu tinha que descansar um pouco, aproveitar o resto da minha vida. Mas até hoje sinto saudades dos meus tempos de entrega, chego, às vezes, a sonhar que estou trabalhando.

Registro do Seu Fernando, no dia da sua despedida da CVI

Diário - Que momentos são inesquecíveis nesses 50 anos?
Luiz - 
Meu último dia de trabalho foi emocionante, me fizeram uma surpresa, que não esqueci. Uma bela despedida organizada por parte da direção e funcionários da CVI. Outra lembrança, é a do dia 1º de maio de 1988, quando fui escolhido como funcionário padrão. Esse dia me marcou para toda vida, porque muitos colegas lutavam por esse reconhecimento, para ser eleito pela votação. Nessas cinco décadas, não tenho nada a reclamar: trabalhei, casei, me aposentei. Consegui tudo aquilo que desejei, e só tenho a agradecer a Deus por esses anos todos de trabalho e saúde. E que eu possa aproveitar mais alguns anos de vida, se Deus quiser.

Diário - Como foram os seus primeiros dias, após a aposentadoria?
Luiz - 
No começo foi difícil para mim. Eu estava acostumado com aquela rotina e o encontro com os clientes e amigos, que são muitos, que não consigo citar um por um. Não foi fácil me acostumar, mas, com o passar do tempo, eu fui e vou me adaptando. Comecei a realizar fretes, em janeiro de 2020. Foi uma forma que encontrei para não ficar parado. Com a chegada da pandemia, passei a ficar mais em casa, saindo somente quando necessário e me cuidando, porque não tenho mais aquele compromisso de levantar tão cedo.

Diário - O que Santa Maria representa para o senhor? Por qual motivo permaneceu na cidade?
Luiz - 
Santa Maria representa tudo para mim, porque nasci e me criei nessa cidade. Meu lugar favorito é o centro da cidade. Todos os dias eu estava lá trabalhando e conversando com os amigos.

Seu Fernando, no momento que recebe uma placa de presente, das mãos do Gerente de logística, Jairo Oliveira

Diário - Qual é a mensagem que a senhor gostaria de deixar para os leitores?
Luiz - 
Não é difícil você alcançar suas metas, basta dedicar-se bastante, fazer tudo aquilo que é bom e chegar em casa tranquilo. Deitar a cabeça no travesseiro e dormir sossegado, agradecer a Deus por mais um dia de vida.

*Colaborou Maurício Mello


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