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'Há quase nove anos, tento trazer minha verdade', diz Luciano Bonilha Leão

Réu era roadie da banda que tocava na Kiss quando o incêndio começou em 27 de janeiro de 2013

Leonardo Catto
Foto: Foto: Pedro Piegas (Diário)
Luciano Bonilha Leão recebeu a reportagem do Diário no apartamento em que mora

Foto: Pedro Piegas (Diário)
Luciano Bonilha Leão recebeu a reportagem do Diário no apartamento em que mora

A quatro dias para o começo do júri do caso Kiss, os quatro réus do processo adotam diferentes medidas diante da exposição. A reportagem do Diário tentou contato com as defesas de Elissandro Spohr (o Kiko), Mauro Hoffmann, sócios da boate, e Marcelo de Jesus e Luciano Bonilha Leão, integrante e roadie da banda Gurizada Fandangueira, que tocava na Kiss na madrugada do incêndio.


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O único dos réus que queria ser julgado em Santa Maria ainda vive na cidade. Há quatro meses, ele mora em um apartamento no Bairro Nossa Senhora Medianeira. Desde o final de 2013, Luciano retomou o trabalho com eventos, principalmente sonorização.

- Tenho uma empresa de sonorização e trabalho para outras como freelancer. Comecei três meses antes de começar como roadie da banda (Gurizada Fandangueira). Fiquei um ano sem trabalhar, depois voltei. A primeira festa que toquei foi uma formatura de Direito. De surpresa, a primeira mesa era com os delegados que tinham trabalhado no caso. Eu tive que ser forte para mostrar quem é o Luciano. E sigo. As pessoas me conhecem. Todo cidadão tem uma história, e a minha sempre foi de alguém que trabalha - conta.

Aos 43 anos, Luciano atravessou a pandemia com dificuldade de trabalhar, já que o setor de eventos foi afetado por restrições. Ele não teve Covid-19 e já tem o esquema vacinal completo. O produtor chegou a participar de protestos que pediram flexibilização das regras, porém, o comentário é breve, e retoma o assunto da Kiss:

- A pandemia foi complicada. Não pensei muito. Mas sofro com a situação da boate. Me deixa triste porque, há quase nove anos, tento trazer minha verdade.

A "minha verdade" para Luciano é que ele não teve intenção pelo que aconteceu. Seguidamente durante a entrevista, o produtor relembra como tinha respaldo nos trabalhos que fazia antes de 2013. Ele atuava como motoboy e enfatiza que mantinha confiança de contratantes.

Entre os quatro réus, é o único que não convocou testemunhas para o júri. Ele atribui isso aos representantes que o defendiam antes. Foi aí que ele rompeu com os advogados, e Jean Severo assumiu a representação.

O produtor diz não ter receio de viver em Santa Maria e que sofreu apenas uma represália desde o incêndio, em 2020.

- Eu não saí da minha casa para tirar a vida de ninguém. Não saí da Kiss para ser indiferente. Eu vivo em Santa Maria. O único lugar em que tive uma represália foi em 2020 em um shopping. Eu presto serviço para uma empresa todo Natal, e eles pediram que eu não fizesse o serviço lá, porque tinha pessoas que não achavam direito eu trabalhar lá. Mas, no geral, faço eventos em todos os lugares. E as pessoas me acolhem, no Calçadão, por toda Santa Maria - diz.

Os responsáveis, para ele, pelo incêndio em janeiro de 2013, não estão todos no processo como réus. Ele considera "negligentes" os donos da boate. E também atribui responsabilidade aos órgãos fiscalizadores:

- Não consigo entender uma boate a três quadras da prefeitura, bem visitada, não ter um extintor. Não tinha uma esponja adequada para isolamento acústico. Os órgãos públicos, por que não são responsáveis? O anseio da sociedade é esse, falta gente no banco dos réus - falou, fazendo referência à entrevista delegado Marcelo Arigony ao Diário, na última quarta-feira.

Prestes a sair para um trabalho, Luciano finaliza a entrevista mencionando a tristeza em ser réu de uma tragédia:

- Saí de casa, vi tudo aquilo. Pedi a Deus que me tirasse de dentro. Consegui me restaurar, ajudei a tirar pessoas. Eu não queria isso. Jamais entraria para botar a vida de qualquer um em jogo.


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