Após 1 ano e 4 meses

Familiares de crianças mortas em surto infeccioso ainda protestam por respostas

Murilo, 5 anos, e Antônia, 4, eram alunos Escola de Educação Infantil do Sesi

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Fotos: Pedro Piegas (Diário)/
Familiares protestaram no sábado

Uma série de fatos que, para os familiares de Murilo Brasil Brum, 5 anos, e Antônia Pradie Borchardt, 4, são concebidos como evidências, reiteram o pedido de justiça e a busca por respostas. As crianças eram alunas da Escola de Educação Infantil do Sesi e morreram após o que a prefeitura de Santa Maria denominou como "um surto infeccioso", em dezembro de 2019. Na manhã de sábado, oito pessoas, entre eles, pais, avós e irmãos das crianças que perderam a vida, fizeram um protesto na lateral da escola, no Bairro Patronato.

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Com balões pretos e cartazes em punho, frases escritas traziam mensagens como "bactérias na areia da escola, bactérias na caixa d'água da escola, é tudo coincidência, é tudo fatalidade?".

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- Não podemos aceitar que foram "só duas mortes", que tenha sido uma fatalidade. Sentimos a falta do nosso filho todos os dias, e aguardamos por solução justa do caso - desabafa Vinícius Brum, pai do Murilo.

Uma operação da Polícia Civil e da Vigilância em Saúde, que apreendeu dois galões para análise e descartou outros 60 em pontos comerciais de Santa Maria, na última terça-feira, também foi questionado pelo grupo.

- Tantas irregularidades, tantas negligências. Até agora nada foi esclarecido e queremos respostas pela morte de nossos filhos - resumiu a mãe de Murilo, Patricia de Oliveira Brasil Brum.

ORIGEM DESCONHECIDA
Ainda na terça-feira, o superintendente de Vigilância em Saúde do município, Alexandre Streb, esclareceu que o problema constatado na água mineral não tem relação com o surto ocorrido na escola do Sesi.

Em 14 de janeiro do ano passado, a prefeitura divulgou uma nota informando que acordo com os exames feitos pelo Laboratório Central de Saúde Pública do Rio Grande do Sul (Lacen-RS) e pelo Laboratório de Referência Nacional da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), duas bactérias causaram a morte de Antônia Pradie Borchardt, 4 anos, e Murilo Brasil Brum, 5 anos. No menino, o agente bacteriano identificado foi a Escherichia coli. Já a segunda bactéria identificada, presente nos exame da menina, foi a Campylobacter jejuni. Segundo os médicos, essas bactérias teriam desencadeado o quadro infeccioso nas crianças. Entretanto, a origem dessas bactérias não foi confirmada.


NA ESFERA JUDICIAL

Em janeiro do ano passado, o Ministério Público de Santa Maria instaurou um procedimento para colher informações para ajudar no esclarecimento da infecção que levou os alunos à morte. A matéria chegou a ser encaminhada para arquivamento em outubro do mesmo ano. Porém, a pedido de reconsiderações da advogada de familiares de uma das crianças, o procedimento segue em curso. O promotor responsável pelo caso, Joel Dutra, falou ao Diário, na última semana, que foram solicitadas novas diligências à prefeitura e à escola. O resultado da apuração do MP ainda não foi informado.

O QUE DIZEM

Em nota, a assessoria do Sesi disse que "colaborou de forma ativa nas investigações sobre as eventuais causas deste episódio envolvendo os alunos da educação infantil da Escola Sesi de Santa Maria, adotando todas as providências necessárias à época. Além disso, monitorou o procedimento aberto pelo Ministério Público do Estado do Rio Grande do Sul até o seu arquivamento". 

A prefeitura informou que "desde a notificação do surto ocorrido na escolinha do Sesi, fez uso de todos os recursos possíveis para a investigação da causas " e que na ocasião, "foram mobilizadas dezenas de servidores, entre Vigilância Municipal e Estadual, e realizados exames laboratoriais dos mais variados tipos". 

No entanto, relata o Executivo, em nota enviada ao Diário, "foi possível concluir apenas a identificação do patógeno e a possível relação com as mortes das duas crianças. Em janeiro de 2020, a prefeitura divulgou nota informando que a investigação havia apontado duas bactérias envolvidas no surto, Campylobacter jejuni e Escherichia coli, no entanto, não havia conseguido aferir a fonte de infecção."

Ainda conforme a prefeitura, a investigação encontra-se encerrada, "pois não há mais elementos para prosseguir com ela". Diante disso, não há novas informações sobre o caso. "A prefeitura respeita e entende como legítima a manifestação de familiares das crianças que morreram em decorrência da infecção e lamenta com pesar o fato", finaliza a nota.


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