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Dois anos depois, bloqueio impacta vizinhança da Rua Sete

Comerciantes ainda sentem os impactos, empresários lutam pela reabertura, moradores têm poucas perspectivas e políticos buscam respostas e soluções.

Maurício Araujo

Foto: Pedro Piegas (Diário)
Prefeitura garante que segue empenhada para reabrir a rua

Sete de setembro significa ao povo brasileiro a independência do país. Tem o sentido de liberdade e emancipação. Aqui em Santa Maria, ao contrário do sentimento nacional, a rua que leva o nome desta data simbólica significa bloqueio, impedimento e entrave. Há exatos dois anos, a centenária Rua Sete de Setembro era bloqueada para o trânsito de veículos . Uma medida dura, mas necessária. Vinte e quatro meses depois, comerciantes ainda sentem os impactos, empresários lutam pela reabertura, moradores têm poucas perspectivas e políticos buscam respostas e soluções. Mas, a soberania da tradicional rua, até o momento, é barrada em seis blocos de concreto amarelo de 1,5 metro atravessados em cada lado dos trilhos. O prefeito Jorge Pozzobom (PSDB) garante que segue empenhado para reabrir a rua. 


Quem mais sentiu as mudanças foram os comerciantes e moradores. O comércio viu a barreira de concreto corroer os negócios enquanto os residentes da rua sentiram a desvalorização imobiliária daquele trecho da via.

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A poucos metros da barreira, no sentido Centro-Bairro, a loja que comercializava marmitex e vianda encerrou esse tipo de atividade econômica e apostou em salgadinhos e tortas por encomenda, além de alugar itens para eventos. Conforme os proprietários Marcos e Eliane Recart, na semana seguinte ao fechamento, as vendas foram reduzidas a 70% e assim se mantiveram. Ambos ainda têm esperança que a rua seja reaberta e que a freguesia retorne, mas, enquanto isso, a frustração permanece.

_ Vimos nossos clientes parar de vir, sentimos os impactos financeiros. Essa rua era movimentada, pulsante. Hoje é um beco. Ainda temos fé que as coisas mudem. Precisamos de alguém que olhe e brigue por nós _ destacou Eliane.

ESQUECIMENTO 

Dois anos depois, parte dos comerciantes diz que o assunto caiu no esquecimento. Eles lembram que a Sete é um importante acesso à Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) e ao hospital Casa de Saúde. Para Antonio José Silveira Machado, proprietário de um posto de combustíveis, e Léo Valter Retzlaff, dono de uma loja de construções na Rua Castro Alves, o sentimento é de descrença. Machado afirma que perdeu 30% das vendas, enquanto Léo diz que caíram pela metade.

_ Nossas vidas mudaram, dificultou tudo. Perdemos e seguimos perdendo. Tenho esperança que os novos políticos da Câmara se envolvam e nos ajudem nesta demanda, que não é só nossa, mas de toda a cidade.

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Laudir Valdir Milbradt Júnior é gerente de uma lavanderia a poucos metros dos blocos que dividem a rua. Ele afirma que o negócio precisou se reinventar, partindo, inclusive, para as tele-entregas, mas mantendo os clientes habituais. Logo abaixo, um contraponto. Proprietário de um minimercado, Joicimar Batista Feliciani diz que o fechamento foi benéfico, aumentou os lucros do estabelecimento, diminuiu os acidentes de trânsito e deixou o local mais seguro.

VIADUTO DA GARE 

A Rua Sete de Setembro é uma das principais ligações entre o centro e a Região Norte. A poucos metros da via, está o viaduto da Gare, que tomou para si o protagonismo de ir e vir entre os bairros. A própria estrutura foi o epicentro do imbróglio, já que em 2004 o então prefeito Valdeci Oliveira (PT) firmou um convênio com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) para a construção do viaduto. No entanto, em contrapartida, ficou prevista a construção de um muro na rua, separando os trilhos da via. O bloqueio foi feito em 2019, já sob o governo do prefeito Jorge Pozzobom (PSDB), em cumprimento a decisão judicial. Se a Prefeitura de Santa Maria não cumprisse as determinações, pagaria multa de R$ 15 milhões dos cofres públicos.

"NÃO DESISTI DE REABRIR A RUA SETE", DIZ PREFEITO

O prefeito Jorge Pozzobom lembra que o fechamento foi uma determinação judicial. De acordo com o chefe do Executivo, o governo federal reconheceu que o assunto no judiciário está encerrado, e agora se tornou uma questão administrativa. Segundo Pozzobom, neste momento, a melhor tratativa é um acordo com a empresa Rumo. O prefeito afirma que o Ministério da Infraestrutura encaminhou um documento à Prefeitura afirmando que, se haver acerto entre o Município e a empresa ferroviária, não terá nenhum óbice por parte do ministério: 

_ Vamos encaminhar ofício para a Rumo, no campo administrativo, que é a melhor tratativa. Não desisti de reabrir a Rua Sete. Se for necessário entrar numa disputa judicial, nós vamos entrar. Temos esperança, sim, de resolver esse problema sério.

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O prefeito também reforça que é preciso apoio de todos os políticos, inclusive do senador Luis Carlos Heinze (PP), que na época de campanha eleitoral havia se comprometido em auxiliar o município nesta questão. O senador afirma que encaminhou ao Dnit e ao Ministério dos Transportes a demanda da Rua Sete. O parlamentar disse que segue comprometido com essa questão e vai ajudar o município no que for preciso.

Presidente da Frente Parlamentar em Defesa da Rua Sete de Setembro na Câmara, a vereadora Luci Duartes (PDT), a Tia da Moto, afirma que deve protocolar no Legislativo o pedido para que a frente seja reaberta:

_ Vamos cobrar a prefeitura e reativar a frente parlamentar na câmara. A comunidade precisa ser assistida e faremos o que estiver ao nosso alcance.

O advogado Miguel Passini, que lidera o 'Grupo de empresários da Sete", afirma que é preciso mais atenção dos poderes executivo e legislativo. Segundo ele, os imóveis estão desvalorizados na localidade. Conforme Pasini, parlamentares em Brasília estão sendo contatados para mediar uma reunião com o ministro de infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas:

_ O sentimento é de descrédito, e não podemos deixar o assunto cair no esquecimento. Vamos buscar as lideranças para nos ajudar a reabrir a rua.


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