júri da kiss

Depoimento de proprietário de loja de fogos é marcado por gritos e discussões

Acendimento de artefato pirotécnico de uso externo dentro da boate deu início ao incêndio na Kiss. Objeto foi comprado na loja de Daniel Rodrigues da Silva

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Foto: Foto: Pedro Piegas (Diário)


Foto: Pedro Piegas (Diário)

O júri do Caso Kiss foi retomado, nesta sexta-feira, com o depoimento do administrador da loja Kaboom, Daniel Rodrigues da Silva, 40 anos. Foi nesta loja que foram comprados os artefatos pirotécnicos usados na boate Kiss e que, conforme as investigações, deram início ao incêndio. Daniel foi chamado como testemunha pelo Ministério Público (MP). O depoimento foi marcado por discussões. Em mais de um momento, o juiz teve que intervir para pedir que as defesas, o Ministério Público e o depoente se acalmassem. 

DISCUSSÃO

No momento das perguntas da defesa do réu Luciano Bonilha Leão, ex-roadie da banda, houve momentos de tensão. Foi Luciano quem comprou o artefato pirotécnico na loja de Daniel.

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Após a pergunta de um dos advogados se a loja já foi fechada pela Polícia Civil em alguma ocasião, Daniel se recusou a responder. O que gerou reclamações, gritos dos defensores e o juiz precisou intervir.

- Vai responder. Foi tu que colocou o Luciano aqui - gritou o advogado Jean Severo, em referência ao cliente sentado no banco dos réus.

Ao esclarecer a questão, Daniel diz que, em 2015, houve uma ação que resultou em multa, mas o fato já teria sido resolvido. A fiscalização não tem relação com o Caso da Kiss.

- Em 2015, eu recebi uma mercadoria. A mercadoria não pôde ser recebida na minha loja, essa mercadoria foi recebida numa garagem, houve denúncia de vizinhos e eu respondi judicialmente - afirmou.

Pouco depois, ainda durante as perguntas da defesa de Luciano, uma nova discussão envolvendo os advogados, o Ministério Público e o depoente fez com que o juiz pedisse um intervalo de 10 minutos para acalmar os ânimos. Na plateia, familiares também precisaram ser retirados de plenário. Houve ameaça de defensores de pedir a nulidade do júri por causa de manifestações da plateia.

- Em 20 anos de júri, é a primeira vez que tenho de parar por causa de discussões - disse o juiz Orlando Faccini Neto.

O DEPOIMENTO

Daniel confirmou que administra a Kaboom desde 2009. Conforme ele, a loja é regulamentada pelos órgãos públicos desde a abertura. O estabelecimento possui vários tipos de artefatos pirotécnicos, tanto de uso externo, quanto interno. O empresário esclarece que os produtos Sputnik e chuva de prata, que foram comprados dois dias antes do show da banda Gurizada Fandangueira na boate, são para uso externo. Quem fez a compra foi o ex-roadie da banda, Luciano Bonilha Leão.

- Sputnik é um produto que gera uma faísca. É de uso externo. Produz uma faísca quente, uma faísca que queima. Mesmo para uso externo, a caixa já traz algumas recomendações de cuidado. Mas nunca deve ser usado em ambiente interno - explica.

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Questionado pelo juiz Orlando Faccini Neto se, na loja, os funcionários orientam os clientes sobre o uso desses objetos, Daniel confirma:

- Sempre, desde que a loja abriu alertamos os clientes.

Daniel explica que o produto Sputnik mede cerca de 3 a 5 cm e produz chamas de até 1,5 metro. A composição do material é de pólvora e componentes químicos.

CUSTOS

De acordo com o depoimento, o Sputnik é o tipo de fogos de artifício mais barato. Atualmente, a caixa com seis unidades custa R$ 20, Na época do incêndio, custava R$ 9. O tipo mais caro, que é para uso interno, custa R$ 75 a unidade, atualmente. Daniel disse que o funcionário da loja que vendeu o objeto relatou a ele que teria orientado a compra do artefato correto, de uso interno, mas Luciano optou por um tipo mais barato. Daniel relata que não estava na loja quando o objeto foi vendido. 

O administrador da Kaboom também respondeu a questionamentos das defesas sobre questões técnicas de artefatos pirotécnicos e a venda avulsa desses objetos. 


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