casamentos

Com regras menos rígidas, casamentos voltam a ser celebrados na igreja e nos salões de festa

Nos cartórios de registro civil, número de matrimônios não saiu da média

Gustavo Martinez
Foto: Foto: Renan Mattos (Diário)


Foto: Renan Mattos (Diário)

O setor de eventos é um dos que mais sofreu com a pandemia. As medidas de proteção sanitária impediram a realização de formaturas, festas e afins. Com os casamentos, não foi diferente. Porém, o avanço da vacinação e a flexibilização das restrições possibilitou a volta desse mercado que mostra claro sinais de recuperação.

Em 2020 inteiro, somente quatro casamentos foram realizados na Catedral Metropolitana de Santa Maria, localizada na Avenida Rio Branco. No primeiro semestre de 2021, apenas quatro cerimônias aconteceram. Para a segunda metade desse ano, 12 casamentos já aconteceram ou estão com data marcada. Quantia que excede a média semestral pré-pandêmica, que flutuava entre oito e 10 cerimônias. Para o pároco da Catedral, o Padre Enio José Rigo, esse aumento se dá tanto pela realização de casamentos que ficaram represados, como por uma questão cultural:

- Esse número são de matrimônios represados, gente que marcou e remarcou a data e está realizando agora. Destaca-se também a volta, pode-se dizer, do matrimônio religioso, como sagrado, a bênção sobre uma nova família que começa.

Foto: Marcelo Oliveira (Diário)/Padre Enio José Rigo, pároco da Catedral Metropolitana de Santa Maria

Na igreja evangélica, a recuperação também acontece, ainda que de forma mais lenta. Segundo o pastor do Templo das Nações, Arnoldo Machado, os números ainda não se comparam à antiga média.

- A gente via mais ou menos um casamento por mês e praticamente zerou durante a pandemia. Agora o retorno é lento, com novas datas marcadas, mas não alcançou ainda a média antiga - explicou o pastor.

REGISTRO CIVIL

Se por um lado as igrejas viram uma diminuição nos casórios, os registros civis continuaram, em sua maior parte, estáveis em Santa Maria durante o período pandêmico. É o que apontam os dados do portal de transparência do registro civil.

A grande exceção é o período de abril a junho de 2020, ainda no início da pandemia no país. Em abril, logo quando começaram as medidas restritivas, os cartórios ficaram apenas em regime de plantão e registraram zero casamentos em Santa Maria. Em maio e junho, algumas medidas foram flexibilizadas, e os número subiram para 23 e 29 em cada mês, respectivamente.


NOIVADO

Em contraste, os noivos Gian Borba, 24 anos, e Nathália Zanini, 20, não tiveram seu casamento impedido pela pandemia. Na verdade, ambos são estudantes e aguardam finalizar a graduação para realizar o casório. Evangélico, o casal acredita que dentro do matrimônio são concretizados seus propósitos de vida e valores.

- Se a gente se formasse amanhã, depois de amanhã já íamos começar a planejar o casório. Mas, claro, mesmo que todo mundo esteja com a segunda dose, esteja vacinado, ainda precisa ter todos os cuidados. - observou Gian.

Além das restrições para reunir pessoas, o casal também ponderou as dificuldades para viajar.

Foto: Arquivo Pessoal/O casal Gian Borba e Nathália Zanini

O que a gente iria investir mesmo seria na lua de mel. Seria viajar, fazer algo diferente, que o cenário que a gente tem hoje não permite. - refletiu Gian.

Ao mesmo tempo, a autônoma Rafaella Carvalho Machado e o empresário Matheus Gonçalves Machado, se casaram na última segunda-feira. A cerimônia foi reduzida, na casa deles, com cerca de 30 convidados, todos devidamente vacinados.

- Toda nossa família está vacinada com a segunda dose, a gente se sentiu mais seguro. Mesmo assim, a gente quis fazer algo mais intimista. A segurança maior, claro que não dá pra dizer que a doença foi embora, mas é a vacina, nossos familiares vacinados - explicou Rafaella.

A cerimônia, no fim das contas, foi sobre muito mais do que apenas o matrimônio entre o casal, foi um momento de reencontro.

- Há muito tempo a gente não reunia as famílias, era difícil pessoas visitarem, e com essa situação da segunda dose a gente preferiu focar nos convidados. Foi realmente para amigos próximos e parentes. Parece que a gente desatou as mãos. A gente ficou tão feliz de receber nossos convidados aqui, foi uma alegria enorme - comemorou Matheus.

CENÁRIO ECONÔMICO

Fora das Igrejas, o cenário também é de crescimento. Para os empresários do setor de eventos, o otimismo é evidente.

No salão de eventos Ouro Preto, a procura por datas cresceu desde agosto desde ano, segundo a assessoria de imprensa do local. Antes da pandemia, em média cinco pessoas por semana entravam em contato com o salão para agendar datas. Quando a realidade das restrições sanitárias se assentou na cidade, a procura não chegava a duas pessoas por semana.

Agora, os números animam e se aproximam da pré-pandemia, com quatro a cinco contatos por semana.

A Dirce Noiva & Festas, tradicional empreendimento de venda e aluguel de vestidos em Santa Maria, notou um aumento considerável de clientes a partir deste setembro. Antes, pouco se realizava atendimentos na loja, mas agora o número aumentou. Além dos vestidos de noiva sob medida, a empresa também trabalha com o aluguel das peças.

- Agora estamos com 50, 60% de atendimentos comparado ao período pré-pandemia, sem contar a locação. Eu vivo de esperança, acredito em Deus, e acredito que volte ao normal. Talvez não na mesma proporção, mas vai passar. Aliás, já está passando - cometeu Guilhermina Dirce Comis, proprietária da loja, com otimismo.

Foto: Marcelo Oliveira (Diário)/Além de vestidos, a Dirce Noiva & Festa trabalha com o aluguel de outras peças para festas e cerimônias, como sapatos

Ela também prevê um aumento na equipe. Antigamente, ela contava com 14 funcionários. Com a queda na receita, esse número baixou para quatro. Mas o novo cenário deve possibilitar a contratação de novas pessoas para o empreendimento.

O setor de audiovisual também sofreu com a ausência de casamentos nesse período. Muitas empresas especializadas na filmagem e fotografia de matrimônios viram sua fonte de renda diminuir drasticamente a partir de março de 2020. Para Julien Moretto, diretor da Lumien Films, a recuperação excedeu todas as expectativas. Durante a pandemia, foram filmados apenas três casamentos pequenos, fechados para os familiares. Mas, desde agosto, os agendamentos não pararam de crescer.

- Com o aumento do número de vacinados e alguns decretos flexibilizando os eventos, começaram a surgir casais que queriam casar até o final de 2021 ou começo de 2022, quase que com pressa pra casar, já que alguns noivaram antes da pandemia achando que casariam logo e tiveram que ficar dois anos noivos - explicou o diretor da Lumien Filmes.

Agora, a produtora está com a agenda cheia, chegando a ter cinco casamentos em alguns meses, e o futuro é promissor.

- Já abrimos agenda pra 2023, porque 2022 começou a mil, então a expectativa é de muitas festas, com seus cuidados, e muito planejamento pra quem está pensando em casar - concluiu Julien.


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