campanha do agasalho

Baixa renda e distância impediram que mais pessoas fossem beneficiadas neste inverno

A serviços gerais Pâmela da Silva Rodrigues mora no Bairro Lorenzi e não conseguiu ir até o Centro Desportivo Municipal (CDM) em busca de roupas

Foto: Pedro Piegas
Pâmela afirma que não tinha condições de ir até o CDM para escolher as peças de roupa

A Campanha do Agasalho deste ano teve duração e doações recordes. Foram mais de 65 mil peças arrecadadas desde 15 de maio até 7 de agosto. As ações foram todas concentradas no Centro Desportivo Municipal (CDM), mas os donativos podiam ser entregues em outros 16 locais espalhados por Santa Maria.

Conforme o coordenador da campanha Rodrigo Capeleto, foi possível alcançar mais pessoas uma vez que houve aumento de dois para quatro dias de funcionamento na semana, que ocorreram de terça a sexta-feira, das 13h30min às 16h30min.

- Em 2020, tivemos 45 dias de campanha, este ano foram 85. O que representou mais oportunidades para quem se deslocava até o CDM. Sei de casos de pessoas que ainda na madrugada já se organizavam na Rua Appel e, quando os portões abriam, entravam e aguardavam por mais algumas horas em frente ao ginásio B - avalia.

De acordo com dados da prefeitura, a campanha recolheu 63 mil itens, sendo 50,9 mil peças de vestuário feminino e masculino para adultos, 10,2 mil em roupas infantis e 1,9 mil cobertores, que alcançaram cerca de 1,7 mil santa-marienses. Ainda conforme levantamento feito pelo Executivo, as regiões Norte e Oeste são os pontos mais vulneráveis da cidade, onde há maior incidência de pessoas em situação de pobreza. Contudo, esta também é a realidade de moradores de outras regiões, bairros e vilas da cidade. No Bairro Lorenzi, famílias não conseguem ser assistidas por uma série de fatores que vão além da própria vontade, como a baixa renda e a pouca disponibilidade de linhas de ônibus que levam até ao centro da cidade.

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A auxiliar de serviços gerais Pâmela da Silva Rodrigues, 27 anos, já sentia dificuldade em passar os dias frios em casa com o esposo Márcio José Gonçalves dos Santos, 38, e os quatro filhos. Em abril deste ano, a casa onde eles moravam pegou fogo e eles perderam tudo o que tinham. Com ajuda da comunidade, uma nova casa, maior, foi construída no mesmo terreno, o que garantiu um teto para passar os dias frios e chuvosos deste inverno. O marido de Pâmela trabalha com obras e, com colaboração do chefe, ergueu a nova moradia

- Recebemos apoio de pessoas que nem nos conheciam e nos ajudaram com os materiais de construção que precisávamos - conta Márcio.

A situação que envolvia os agasalhos já era precária e, após o incêndio, piorou. Conforme explica Pâmela, eles receberam doações de roupas para adultos e para crianças, doadas pela pastoral da igreja. Segundo ela, a preocupação ainda é com os filhos, Natanael Ezequiel, 15 anos, Natália, 13, João Vitor, 10, e Maria Cecília, 5, que têm menos peças de roupas de inverno. Pâmela também está grávida de 3 meses. Quanto à participação da campanha do agasalho, ela comenta que, embora sabia da campanha, o valor da passagem de ônibus e o difícil deslocamento impediram aproveitar a oportunidade para escolher as roupas de inverno que gostariam.

- As passagens de ida e volta custam quase R$ 10. E voltar de ônibus com as sacolas cheias também seria um problema para nós, que moramos longe - diz.

Ajuda para quem precisa também vem na forma de empatia e solidariedadeFoto: Marcelo Oliveira (Especial)
Algumas comunidades faziam levantamento das necessidades e organizavam a retirada de peças para as famílias

Outra realidade de quem não conseguiu ser assistido pela Campanha do Agasalho foi a falta de informação. Também no Bairro Lorenzi, a dona de casa Inês Schimitt da Silva, 68, não sabia da possibilidade de buscar as doações de roupas no CDM. Além disso, ela enfrenta outro problema. A idosa ficou cinco anos presa e agora está em regime fechado, em casa. Nesta condição, toda saída a rua necessita um aviso prévio ao sistema carcerário, e também são estipuladas quantas horas ela pode estar na rua.

No Bairro Lorenzi, atitudes como de Angela Maria da Silva, 44 anos, conhecida na comunidade como Preta, representam outras formas de receber agasalhos, sem estar vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Social. Desde 2016, ela distribui porções de sopa, e agora, também arrecada peças de roupas, calçados e cobertores que são doados a moradores da região. Preta tem um cadastro que inclui cerca de 150 a 200 famílias das proximidades e que são beneficiadas pelo projeto Grupo de Mulheres do Alto da Lorenzi, liderado por ela.

- O que mais é procurado é roupas infantis e aqui no Bairro temos muitas crianças, por isso às vezes não conseguimos ajudar a todos que nos procuram. Entregamos o que podemos - explica.

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É em função deste serviço desempenhado por Preta que algumas pessoas preferem esperar pela entrega que é feita na própria comunidade. A dona de casa Eni Medianeira Flores da Silva, 37 anos, buscou, na última sexta-feira, algumas unidades de calças e sapatos para os dois filhos e uma sobrinha.

No caso de Pâmela, que mora em uma das ruas mais afastadas e de difícil acesso dentro do bairro, nem todas as ações que envolvem doações chegam até ela:

- Às vezes as doações são feitas nas primeiras casas, e se acabam rápido. Sabemos que mais famílias, assim como nós, precisam de ajuda.

repasses

Segundo a Secretaria de Desenvolvimento Social, foram realizadas pelo menos 15 entregas diretamente a algumas comunidades. Capeleto explica que as associações entravam em contato com a equipe da campanha, e nas segundas-feiras, dias em que o ginásio B ficava fechado ao público, iam ao local, selecionavam as peças que, em outra data, eram entregues aos locais.

- Escolhemos a segunda-feira para evitar que as pessoas que esperavam do lado de fora se sentissem prejudicadas. Imagina você estar aguardando ali e sair um veículo com várias sacolas de roupas. Foi a forma que escolhemos e, assim, alcançamos mais pessoas - diz o coordenador.

OS NÚMEROS

  • 63 mil itens
  • 50,9 mil peças de vestuário feminino e masculino para adultos
  • 10,2 mil roupas infantis
  • 1,9 mil cobertores
  • Cerca de 1,7 mil pessoas foram beneficiadas

ONDE DOAR
A campanha do agasalho acabou sábado e, segundo dados da Secretaria de Desenvolvimento Social, foram entregues cerca de 63 mil peças de roupas e calçados, que aqueceram cerca de 1,7 mil santa-marienses

  • Mesmo com o encerramento da coleta de donativos, ainda é possível doar. Basta contatar a Secretaria de Desenvolvimento Social, localizada na Rua General Neto, 504, de segunda a sexta-feira, das 7h30min ao meio-dia
  • O telefone para contato é (55) 3921-7284
  • As doações agora serão encaminhadas para entidades que atendem pessoas em vulnerabilidade e para projetos sociais

*Colaborou Gabriel Marques


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