luta pela igualdade

Apesar dos avanços, número de negros em legislativos ainda é baixo

No Dia da Consciência Negra, reportagem fala sobre representatividade na Câmara municipal

Roberto Espírito Santo


Fotos: Arquivo Pessoal
Paulo Ricardo (PSB) foi eleito vereador no pleito de 2020. Maria Py Dutra (PCdoB) e Alice Carvalho (PSol), apesar de votação expressiva, não conseguiram cadeiras na Câmara 

A representatividade dos negros na política santa-mariense aumentou em 2020 em relação ao ano de 2016, como de resto em todo o país. A eleição do comunicador e professor Paulo Ricardo (PSB) para a Câmara de Vereadores e a votação expressiva da candidata Alice Carvalho (Psol), que fez mais e três mil votos mas não se elegeu devido a fraca votação na legenda do seu partido, dão uma esperança de mais participação a essa raça significativa da sociedade brasileira. Nas eleições municipais deste ano em Santa Maria, 305 candidatos a vereador, prefeito e vice, se declararam brancos, 33 pretos e 26 pardos, conforme o TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Neste 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, se impõe uma reflexão das causas desta discrepância.

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No pleito do último domingo, dos mais de 5,4 mil prefeitos eleitos, aproximadamente 1,7 candidatos se declararam pretos ou pardos, correspondendo a 32% do total. O número supera o pleito de 2016, quando 16% dos pretendentes eleitos eram negros, conforme informações do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Em Santa Maria não foi diferente. Naquele ano, nenhum pardo ou preto se elegeu para legislativo santa-mariense. Apesar do avanço dos negros este ano, a proporção ainda é distante dos 56% que esse grupo representa na população brasileira e local, evidenciando que eles seguem sub-representados na política.

A eleição do Dia 15, trouxe dois casos emblemáticos de mulheres negras, que pelas regras do atual Sistema Eleitoral não se elegeram: Alice Carvalho, do Psol, com 3.371 votos e da professora Maria Rita Py Dutra, candidata a vereadora pelo PC do B, que fez 2.051 votos e também só não irá assumir uma cadeira na Câmara de Vereadores de Santa Maria pelo desempenho da legenda comunista. Mas Rita Py Dutra acredita que 2020 será um divisor de águas na participação dos negros na política. De acordo com ela, os negros estavam mergulhados na exclusão, até despertar nestas eleições. Para justificar a pouca participação dos negros na política, a comunista aponta duas razões. Primeiro, porque os partidos políticos reproduzem o racismo estrutural e discurso de branquitude:

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- Os caciques desde sempre estão aí , fazendo sua política, tutelando a comunidade negra, colocando-a nas esquinas para balançar bandeiras em época de eleição, mentindo, enganando, sem jamais pensar políticas de inclusão ou garantindo que afro-brasileiros continuem mergulhados na exclusão social. Ela também cita Hélio Santos, pesquisador da temática sócioracial brasileira, para a sua análise sobre a questão.

- É hora de nós negros votarmos em candidatos negros, pois conforme diz Hélio Santos, "nós elegemos nossos próprios inimigos(...) basta observar o silêncio de chumbo que se faz toda vez que uma comunidade é chacinada, onde crianças e adolescentes morrem. Pelo voto, nós demos poder a quem nos tolera". Maria  Rita Py Dutra ficou como primeira suplente do PC do B.

VALORIZAÇÃO DO PRÓPRIO NEGRO
Já o professor e comunicador Paulo Ricardo, eleito pelo PSB, acredita que para alcançar destaque na política, seja em que esfera for, ou para obter mais sucesso na sua profissão, essa transformação passa pelo próprio negro, que precisa valorizar mais o seu trabalho, além da valorização do acesso ao conhecimento. Ele também fala de união de pensamento e políticas públicas.

- A transformação desse momento de rara participação no processo político só será possível com uma união de pensamento, defesa de políticas públicas voltadas para os afrodescendentes e a busca por todos nós de um espaço nas diversas atividades, para aí sim alcançarmos destaque e desta forma atingirmos reconhecimento da sociedade para vencermos na vida política. Paulo Ricardo é radialista há 40 anos e também professor estadual de História, Sociologia, Filosofia e Relações Humanas nas escolas Xavier da Rocha e Irmão José Otão.

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RACISMO E DESIGUALDADE
A socióloga, professora e colunista do Diário, Suelen Aires Gonçalves, salienta que a barreira invisível do racismo institucional está presente na estrutura político/partidária no país. Segundo ela, as desigualdades estruturais, frutos do período escravocrata fica nítido nas estruturas políticas desde o legislativo até o executivo. A participação política torna-se então, um dos espaços estratégicos para superação das desigualdades estruturais e representação política da maioria da população nacional, acredita ela.

No País

A nível nacional, no quesito cor e raça:

  • 267 mil candidatos (48,1%) se declararam brancos;
  • 219 mil candidatos (39,4%) se declararam pardos; e
  • 58 mil candidatos(10,5%) se declararam negros

Em Santa Maria
O primeiro vereador negro eleito em SM: Orcy de Oliveira - 1969/1972, permanecendo nas legislaturas de 1973/1976/1977/1982 e 1983/1988. Em 2001/2004 foi eleito José Carlos Rodrigues da Silva (PT), como segundo suplente, com 1517 votos



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