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crimes em suzano

'Algumas vítimas moravam na rua onde meus pais moram', conta aluno da UFSM que estudou na escola onde houve o massacre

14 Março 2019 08:59:00

Rubens Santos é de Suzano e veio para Santa Maria estudar jornalismo

da redação*
Foto: Foto: Rovena Rosa (Agência Brasil)

Foto: Rovena Rosa (Agência Brasil)
Escola fica a 57 quilômetros de São Paulo

O massacre na Escola Estadual Professor Raul Brasil, na cidade paulista de Suzano, que deixou 10 pessoas mortas e 11 feridas, chocou o mundo. Um dia depois da tragédia, o município, com 300 mil habitantes, prepara-se para o luto oficial de três dias e o velório coletivo na Arena Suzano, no Parque Max Feffer. 

Em Santa Maria, um estudante de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) tem motivos para estar ainda mais próximo desta tragédia. Rubens Guilherme Santos, 20 anos, é de Suzano e estudou na escola onde houve o massacre entre 2010 e 2012. Ele contou ao Diário que, antes de vir para Santa Maria, fez um curso de Espanhol no centro de línguas da instituição, onde alguns adolescentes foram mortos. 

- Hoje é que caiu a ficha do que realmente aconteceu. Algumas das pessoas que foram as vítimas fatais moravam na rua onde meus pais moram. Os próprios atiradores também moravam próximo da minha casa. Eu tenho um primo que estuda lá, no período da manhã, e quando eu vi a notícia eu pensei imediatamente nele. Só depois eu lembrei que ele não estava na escola porque ele fez uma cirurgia no domingo e estava em casa - relata Santos. 

Enquanto era estudante da Raul Brasil, o acadêmico conta que haviam constantes brigas na instituição e bullying entre os alunos. 

- Eu estudava de manhã, o período que era considerado o mais tranquilo na escola. Mas mesmo assim eu sentia medo, porque a gente ouvia muitos boatos, até mesmo, de gente portando arma lá. Na região, tinham vários pontos de tráfico de drogas também. Minhã mãe ficava preocupada e sempre que podia ia me buscar. Mas em nível de aprendizado, foi muito bom, me qualificou profissionalmente - completa. 

Polícia acredita que tiroteio foi cuidadosamente planejado
A Polícia Civil busca compreender o crime e já sabe que houve um plano meticulosamente organizado. O secretário de Segurança Pública de São Paulo, João Camilo Pires de Campos, disse que policiais coletam depoimentos e provas. Segundo ele, é possível confirmar alguns detalhes sobre o que ocorreu antes e durante do massacre no colégio. 

No começo da manhã, Guilherme Taucci Monteiro, de 17 anos, e Luiz Henrique de Castro, de 25 anos, foram à locadora de Jorge Antonio Moraes, de 51 anos. Lá, eles atiraram contra Jorge, que era tio de Guilherme, e deixaram o local em um carro Chevrolet Onix branco roubado e seguiram para o colégio.

Como ex-aluno da escola estadual, Guilherme pediu para entrar no colégio, por volta das 9h40, e foi autorizado. Era o horário de intervalo das aulas, muitos estudantes lanchavam e vários estavam fora das classes.

Não se sabe em que momento Guilherme colocou a máscara para não ser reconhecido, mas a primeira pessoa atingida foi a coordenadora Marilena Ferreira Vieira Umezo, 59 anos, depois Eliana Regina de Oliveira Xavier, 38 anos, funcionária do colégio. Os dois atiradores estavam juntos logo na entrada. 

Com base nos primeiros depoimentos, a polícia acredita que os dois atiradores partiram para o ataque juntos. Quando eles se deparam no Centro de Línguas com a porta fechada e perceberam que estavam encurralados pelos policiais da força tática teriam se desesperado. 

A polícia foi acionada por causa do assalto à locadora de veículos e chegou à escola em oito minutos. Ao serem surpreendidos pelos policiais, os dois jovens estavam preparados para entrar em uma sala lotada de alunos. Neste momento, segundo o secretário, um jovem atirou no outro e depois suicidou-se. 

VÍTIMAS IDENTIFICADAS
Os nomes dos mortos foram divulgados ainda ontem, logo após a polícia avisar as famílias:

  • Caio Oliveira, 15 anos, estudante.
  • Claiton Antonio Ribeiro, 17 anos, estudante
  • Douglas Murilo Celestino, 16 anos, estudante 
  • Kaio Lucas da Costa Limeira, 15 anos, estudante
  • Samuel Melquiades Silva Oliveira, 16 anos, estudante
  • Eliana Regina de Oliveira Xavier, 38 anos, funcionária da escola
  • Marilena Ferreira Vieira Umezo, 59 anos, coordenadora pedagógica
  • Guilherme Taucci Monteiro - 17 anos 
  • Luiz Henrique de Castro - 25 anos 
  • Jorge Antonio de Moraes, 51 anos, dono da locadora e tio de um dos atiradores 

Outras 11 pessoas ficaram feridas: 

  • Adna Isabella Bezerra de Paula, 16 anos
  • Anderson Carrilho de Brito, 15 anos
  • Beatriz Gonçalves Fernandes, 15 anos
  • Guilherme Ramos do Amaral, 14 anos
  • Jenifer da Silva Cavalcante
  • José Vitor Ramos Lemos
  • Leonardo Martinez Santos
  • Leonardo Vinícius Santa Rosa, 20 anos
  • Letícia de Melo Nunes
  • Murillo Gomes Louro Benites, 15 anos
  • Samuel Silva Félix

*Colaborou Victoria Debortoli. Com informações da Agência Brasil


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