mais que números

Em carta, AVTSM pede que vidas perdidas para a Covid-19 não sejam banalizadas

Mortes por coronavírus já ultrapassaram as vítimas da boate Kiss e chegaram a 248 na terça-feira

Leonardo Catto
Foto: Foto: Pedro Piegas (Diário)

Foto: Pedro Piegas (Diário)

A primeira vítima de Santa Maria associada à pandemia do coronavírus morreu em 14 de maio de 2020. A morte número um assustou os santa-marienses que contabilizavam, à época, 72 infectados, dos quais 15 estavam recuperados. Três dias depois, o um virou dois. E 2020 terminou com um total de 151 vítimas. Ao final do primeiro mês de 2021, chegou-se a 199 vidas santa-marienses perdidas. Entre 21 e 23 de fevereiro, o número saltou de 238 para 248, e ultrapassou as 242 vidas perdidas no incêndio da boate Kiss, em 2013, a maior tragédia na história do Rio Grande do Sul.


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Em uma carta, o pedido por não banalizar as mortes é feito por quem, há 8 anos, entende que vidas podem ser salvas, perdas podem ser prevenidas. O presidente da Associação de Vítimas da Tragédia de Santa Maria (AVTSM), Flávio Silva, escreveu uma carta à sociedade. As 242 e os 248 óbitos poderiam ser evitados de maneiras diferentes, diz o texto. Enquanto, no caso da Kiss, dependia-se de terceiros, prevenir o contágio depende de toda a sociedade.

-  Para um número grande de pessoas, parece que não caiu a ficha de que o vírus possa atingi-los. Todo mundo tem o direito de se divertir, mas a gente tem que entender que agora não é hora para isso. Depois que aconteceu a tragédia da Kiss, a gente sempre bateu na prevenção. Cada vez que morre uma pessoa, continua nos matando um pouco mais. Enquanto a sociedade não se conscientizar que a prevenção salva vidas, a população vai correr risco de morte todos os dias. A sociedade é um instrumento muito forte. Se cada um fizer sua parte, a gente consegue salvar vidas - diz.

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Todas as 248 vidas, assim como as outras 242, são mais que montantes. São histórias. O psicólogo Érico Bruno Viana Campos, professor da Universidade Estadual Paulista em Bauru (Unesp), contudo, descreve que uma das relações com a morte é silenciar e colocá-la fora de circulação social. Em artigo publicado na Revista de Psicologia da Unesp, Campos coloca a "morte silenciada" como o confinamento do destino final de todos apenas em hospitais, em isolamento e negação. E assim as histórias se perdem em números.

LAMENTO
Na comparação entre as cidades, deve-se analisar a mortalidade a cada 100 mil habitantes. Em número de mortes, Santa Maria ocupa o 6º lugar. E a média é de 87,2 óbitos em 100 mil santa-marienses. O número é menor que o de Pelotas (5ª cidade em mortes), que tem média de 107,2. Porém, Santa Maria tem o dado maior que Caxias do Sul (2º município com mais mortes), cuja média é 84,9.

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A comparação é tratada pelo prefeito Jorge Pozzobom (PSDB) como fruto do trabalho dos servidores da saúde e de medidas que já chegaram a ser mais restritivas que as definidas pelo Estado:

- Porto Alegre está em bandeira preta, Caxias já esteve, Santa Cruz já esteve. Santa Maria nunca ficou. Em relação aos grandes municípios proporcionais (Porto Alegre, Pelotas, Passo Fundo, Rio Grande), nós temos o menor índice de mortalidade, a gente tem que destacar como vitória.

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Pozzobom não considera que seja possível comemorar o índice de recuperação de 90% dos pacientes infectados na cidade, mas o destaca como algo que celebra o trabalho de profissionais. Ainda assim, o chefe do Executivo reitera a necessidade de prevenção mais forte neste momento justamente por ser o pior da pandemia em todo o país:

- Quando chegamos no índice de 246 pessoas, são 246 famílias, às quais prestamos a mais profunda solidariedade. E não tem como Santa Maria esquecer que nós tivemos 242 mortes no evento da boate Kiss. Esse é o o momento de termos muita cautela e prudência.

A carta da AVTSM fala em prevenção, mas pede, ainda que não explicitamente, por compreensão. Assim, o pedido é por não menosprezar o tamanho da pandemia, que ainda ceifa vidas e esgota quem a combate.

- Não banalize vidas. Não espero que o vírus chegue até você ou leve alguém que você ama. Se podemos evitar a dor e o sofrimento, devemos sim fazer tudo que está ao nosso alcance. A prevenção salva vidas - escreveu Flávio.

O lamento é também pelas mortes que ainda vão acontecer. Infelizmente, não há matemática que possa consolar.


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