memória

VÍDEO: projeto da UFSM reconstrói centro de tortura da ditadura argentina

Tecnologia utilizada para reconstituição do 'El Campito' será utilizada também em memorial virtual da Boate Kiss

Leonardo Catto
Foto: Foto: Reproduçaõ

Foto: Reprodução

O processo ditatorial que acometeu o Brasil no século passado foi vivido em outros países latino-americanos, ainda que cada um com suas características próprias. De diferentes formas, a memória tenta ser perpetuada. Por vezes com menor intensidade com que deveria, como no caso brasileiro. Em um projeto que busca manter a história viva, a professora da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) Virginia Vecchioli liderou a reconstituição do El Campito, campo de detenção argentino que serviu ao regime ditatorial entre 1976 e 1978.


Inscrições do Enem vão até 14 de julho

A reconstrução online começou em 2015 e veio a público três anos depois. O trabalho é uma união interdisciplinar. Além de Virginia, participaram antropólogos, sociólogos e museólogos da Universidade Nacional de General Sarmiento e a Equipe Huella Digital, um grupo de especialistas em ciências da computação e desenho de imagens audiovisuais, vinculados à Faculdade de Arquitetura, Desenho e Urbanismo (FADU) da Universidade de Buenos Aires (UBA).

COMO FOI FEITO
O campo já havia sido destruído quando o projeto iniciou. Foi a partir de uma análise forense que o primeiro rascunho foi esboçado. Depois, o material foi apresentado a sobreviventes, que corrigiam erros com base na memória. Embora seja estimado que até 5 mil pessoas passaram pelo local, apenas cerca de 25 são sobreviventes.

- Essas pessoas que sobreviveram nunca formaram uma associação civil. Quem facilitou os contatos foram advogados de acusação (dos processos contra a ditadura) que tinham vínculos com eles. Entrevistamos cinco. Uma coisa que gostamos muito e não tínhamos previsto é que facilitamos o reencontro entre eles. E foi criada uma associação de sobreviventes. São bem ativos, pessoas com 80 anos - conta.

O El Campito já reconstruído serviu como prova no chamado "megaprocesso Campo de Mayo", no Tribunal Oral Criminal Federal 1. O que foi apresentado no software convergia para os relatos. O processo apura crimes contra a humanidade cometidos pela ditadura civil-militar argentina.

Especialista dá dicas para controle do nervosismo na preparação para o Enem

BOATE KISS
A mesma tecnologia pode ser utilizada em reconstituições de crimes e tragédias, como da boate Kiss. No júri, por exemplo, isso seria aliado a um depoimento de sobrevivente, que poderia indicar o local em que estava em 27 de janeiro de 2013.

- Um dos interesses é a possibilidade do sobrevivente depor e mostrar, ao mesmo tempo, o espaço em que estava. Os detalhes e sequencia do que foi vivenciado - exemplifica.

Um memorial online da Kiss já é construído, também com participação de Virginia. Ele ainda não tem data para o lançamento, mas pode ser acessado no site. O objetivo de ambos projetos é perpetuar a memória dos acontecimentos.

- Os jovens tem mais familiaridade com esses instrumentos que uma visita ao museu. Uma das vantagens é a aproximação de fatos marcantes às novas gerações. Mesmo que, no futuro, exista memorial onde funcionou El Campito, o virtual ultrapassa fronteiras - explica a professora sobre perspectivas educacionais do projeto.

A Ditadura Civil-Militar Argentina começou em 1976, quando um golpe depôs a presidente María Estela Martínez de Perón. No período em que vigorou o autodenominado "Processo de Reorganização Nacional", as Forças Armadas comandaram o país. Depois da derrota na Guerra de Malvinas, em 1982, o regime aceitou fazer eleições gerais na metade de 1983, e o primeiro presidente Raúl Alfonsín assumiu no dia 10 de dezembro daquele ano, mesma data em que se comemora o Dia Internacional dos Direitos Humanos.


fale conosco

redação
[email protected]
(55) 3213-7100
(55) 99136-2472
(WhatsApp)
Endereço
Faixa Nova de Camobi, 4.975, Bairro Camobi, CEP 97105-030, Santa Maria - RS

redes sociais
facebook
instagram
twitter
youtube

 


para assinar
(55) 3213-7272
diariosm.com.br/assinaturas

central do assinante
(55) 3213-7272
(55) 99139-5223
(WhatsApp, apenas falhas de entrega)
[email protected]
[email protected]
chat

para anunciar
(55) 3213-7187
(55) 3213-7190