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VÍDEO: educação infantil tem queda média de 40% nas matrículas

Sem aulas presenciais, ensino remoto deve levar em conta as ações pedagógicas apropriadas para cada faixa etária

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Foto: Foto: Renan Mattos (Diário)
Escolas estão com aulas presenciais suspensas por tempo indeterminado. Ações pedagógicas são realizadas a distância

Foto: Renan Mattos (Diário)
Escolas estão com aulas presenciais suspensas por tempo indeterminado. Ações pedagógicas são realizadas a distância

Um dos efeitos que a pandemia do novo coronavírus tem causado nas escolas particulares de Educação Infantil é a evasão de crianças. Em Santa Maria, as creches - que recebem alunos de 0 a 3 anos e não têm frequência obrigatória - perderam 46% dos matriculados. Já nas turmas de pré-escolas - para alunos de 4 e 5 anos e com frequência exigida - a evasão foi de 21,2% desde o mês de março. No total, a média de desistência é de aproximadamente 40%. Os dados foram divulgados pelo Sindicreches, em uma pesquisa realizada em 27 instituições da cidade durante o mês de junho. Na prática, isso significa que muitos locais precisaram se reinventar para conseguir manter as contas em dia.

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Na Escola de Educação Infantil Estrelinhas, por exemplo, 85 alunos estavam matriculados em março. Agora, são 30. De acordo com a coordenadora pedagógica, Andressa Scremin Teixeira, a maior parte dos estudantes que saíram estava matriculada na creche. Já aqueles da pré-escola tendem a continuar desde o início da pandemia, acompanhando as atividades desenvolvidas pelos professores de forma remota.

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- Alguns pais não conseguiam pagar a escola e mais alguém para acompanhar os filhos em casa. Então, tiveram que fazer esse corte - explica Andressa. 

Já no Centro de Educação Infantil Piaget, o ano começou com 70 alunos cadastrados. A redução, até o momento, foi maior que 50%: restam 32 estudantes matriculados. Francielli Alves, proprietária da escola, conta que a maior parte dos remanescentes é, também, da pré-escola. Ela explica que, por conta da redução do número de matriculados, foi preciso reduzir a carga horária de algumas professoras e suspender o contrato de outras nesse período.


ALTERNATIVAS
Na Escola de Educação Infantil Doritos, vinculada ao Clube Recreativo Dores, a saída encontrada foi não cobrar mensalidade dos pais. Para os alunos de até 3 anos, as atividades foram suspensas e, por isso, não foi feita nenhuma cobrança. Já para os de 4 e 5 anos, as aulas de forma remota devem ser retomadas a partir deste mês. Até julho, a mensalidade não foi cobrada. A partir de agosto, segundo o gerente de secretarias, Ildomar Pasa, o clube oferecerá um desconto de 48% do valor normal. 

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A alternativa da escola surge para driblar um outro problema encontrado pelas instituições: a inadimplência. Segundo pesquisa feita pelo Sindicato do Ensino Privado (Sinepe), no Rio Grande do Sul, a Educação Infantil foi o nível de ensino que registrou maior falta de pagamento de mensalidades: 18,3% das instituições. Na maioria das escolas, o percentual de alunos inadimplentes aumentou em relação ao mesmo período do ano passado.

As medidas para diminuir a inadimplência também são empregadas na Escola de Ensino Infantil do Sesc, o Sesquinho. Segundo Fábio Leite, subgerente da unidade de Santa Maria, das 102 matrículas do início do ano, 50 fazem parte de um projeto de gratuitade. Dos 52 pagantes remanescentes, 11 cancelaram a matrícula. Assim, sobraram 41 estudantes inscritos. Destes, sete estão inadimplentes. Para não perder o vínculo com os alunos, a unidade está concedendo 50% de desconto na mensalidade.

Ações remotas pedem inovação e criatividade 

Em julho, a prefeitura de Santa Maria divulgou normativas, resoluções e protocolos que as escolas devem seguir durante o período de ensino remoto. Para a Educação Infantil, as atividades são chamadas de ações pedagógicas orientadas. Para as crianças matriculadas em creches, deve ser enviada uma proposta semanal a ser desenvolvida, respeitando a etapa de desenvolvimento. Já na pré-escola, são duas atividades encaminhadas para realização de segunda a sexta-feira. 

Essas propostas podem ser encaminhadas tanto por meio digital quanto físico (impressos). Na Estrelinhas, as duas metodologias têm sido empregadas. A cada dia da semana, as professoras enviam vídeos da aula para aquele período. São ensinamentos de dança, capoeira ou hora do conto. Para complementar a experiência, outra iniciativa foi enviar sementes de girassol por correio para que os pequenos plantassem com os pais em casa. Na foto ao lado, Joaquim Comassetto, 2 anos, mostra sua planta crescendo. Além disso, as educadoras têm feito serenatas para os alunos, a fim de não perder o contato - mesmo que se mantenham distanciados durante a apresentação. 

- Nós criamos um grupo de WhatsApp com os pais. Por ali, encaminhamos áudios para os alunos, além de vídeos e outras atividades. Os pais nos encaminham fotos dos filhos desenvolvendo essas ações. Os alunos mandam áudio para as professoras. Então, é a forma de mantermos contato. A gente tem de dar continuidade no trabalho de alguma forma e tem de manter essa proximidade com os alunos - explica Andressa Scremin Teixeira, coordenadora pedagógica da escolinha.

Reunião com a prefeitura busca soluções para o setor
Representantes das escolas privadas de Educação Infantil de Santa Maria se reuniram com o prefeito Jorge Pozzobom (PSDB), na manhã de ontem. Na conversa, trataram sobre o plano de contingenciamento e os requisitos necessários para conseguir aprovação do Centro de Operação de Emergência em Saúde para a Educação (COE-E). Até agora, apenas duas instituições, a Escola Arte e Manha e a Estrela da Manhã já obtiveram parecer favorável. Mas, de acordo com Cibele Correa, diretora da Arte e Manha, ainda não há previsão para o retorno das atividades presenciais. 

Durante a tarde, o Conselho Municipal de Educação (CME) também esteve reunido para tratar sobre o plano de contingência e as atividades desenvolvidas de forma remota. A presidente do CME, Luciane Maffini Schlottfeldt, afirma que o conselho está ciente das dificuldades das escolas e da preocupação das famílias quanto à liberação das aulas presenciais.

- As escolas estão perdendo alunos e as famílias não podem ficar sem garantir a educação das crianças. Então, a solução possível são os vínculos estabelecidos por meio do ensino remoto - avalia Luciane.

Em uma transmissão ao vivo pelas redes sociais, Pozzobom, ainda em julho, afirmou que a prefeitura estudava maneiras de dar apoio às instituições. Na reunião de ontem, realizada de forma virtual, foram prestados esclarecimentos sobre o papel do COE para todos os segmentos da Educação Infantil. Hoje, outra reunião, com o mesmo propósito, será realizada com os segmentos do Ensino Fundamental.


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