com a palavra

'Minha atuação profissional pública perpassa cidades e épocas distintas', diz Nídia Heringer

Professora é pró-reitora de Desenvolvimento Institucional do Instituto Federal Farroupilha e, em entrevista ao Diário, conta sobre a trajetória de décadas dedicadas à educação

Rafael Favero
Foto: Foto: arquivo pessoal
Nídia é pró-reitora Desenvolvimento Institucional do Instituto Federal Farroupilha

Foto: arquivo pessoal
Nídia é pró-reitora Desenvolvimento Institucional do Instituto Federal Farroupilha

Nascida em Seberi, Nídia Heringer, 47 anos, é professora desde os 18 anos. Ela é formada em Letras - Português Inglês e Respectivas Literaturas pela Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões (URI), campus de Frederico Westphalen, e tem doutorado em Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC). Após ter trabalhado nas redes municipais e estaduais de ensino de cidades como Erval Seco, Sapucaia do Sul e Porto Alegre, atualmente, a docente é pró-reitora de Desenvolvimento Institucional do Instituto Federal Farroupilha. Em 2019, ela foi agraciada com o Prêmio Destaque Ensino, da Associação dos Professores Universitários de Santa Maria (Apusm). 

Diário - Na infância, já sonhava em ser professora?

Nídia Heringer - As memórias da infância trazem um tempo em que brincávamos livres - irmãos, vizinhos, primos, colegas de escola, na rua e nos quintais. Relembrar aquele tempo é constatar que inventávamos o que fazer, pois a TV e a tecnologia não imperavam nos anos 1970 e 1980. No interior, o acesso à comunicação era reduzido, as linhas telefônicas eram fixas, poucas e caras e a informação cotidiana advinha das rádios locais. O "mundo" nos era dado pelos livros das bibliotecas escolares, e tive a felicidade de frequentar uma escola pública estadual, em que havia preocupação com a formação de leitores, e escrevo isso para registrar um elogio aos professores da Escola Balbino Pereira dos Santos. Naquela época era muito comum brincar de ser professora. Ao término da então oitava série, éramos muitas meninas fazendo seleção para ingresso em um curso de magistério, e isso era quase a lógica natural das meninas que iriam continuar estudando.

Foto: arquivo pessoal
Com o marido, Rudimar Zanco

Diário - Como deu continuação aos estudos?

Nídia - É importante dizer que no interior e em famílias com menos recursos financeiros, a maioria não continuava estudando, uma vez que isso implicaria em residir fora de casa ou ter recursos para o deslocamento diário. Quando fiz a prova para ingresso na Escola Estadual Madre Tereza, no município de Seberi, éramos aproximadamente 80 gurias de 14 e 15 anos tentando integrar uma turma de "normalistas" (o curso técnico que formava professoras e que existia em poucas escolas públicas da minha região). E ser aprovada significou sair de casa para estudar e ter definida uma atuação profissional.

Diário - Por que Letras - Português - Inglês?

Nídia - Responder essa pergunta agora, em 2020, permite afirmar que não escolhi um curso e sim a área do conhecimento pela qual sempre fui apaixonada. O acesso à literatura me fez existir de fato, ter voz e escrita, ter sonhos e coragem para sair atrás deles, apesar das muitas dificuldades. Eu articulei a paixão pela leitura com a docência, no transcorrer da vida. Quando iniciei a graduação não havia um curso de Letras-Língua Portuguesa e outro de Letras-Língua Inglesa. Fazer a graduação em Letras implicava estudar Língua Portuguesa, Literaturas Portuguesa e Brasileira, bem como a Língua Inglesa e a Literatura Inglesa.

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Ao lado da reitora do Instituto Federal Farroupilha, a professora Carla Comerlato Jardi

Diário - Durante a graduação na URI, quais projetos e professores lhe marcaram?

Nídia - Tive professores maravilhosos, compromissados com a sua área do conhecimento e com a nossa condição de estudantes. Estavam conosco para além das aulas, estágios, relatórios e monografias de conclusão de curso. Fiz graduação num curso noturno, era professora concursada 40 horas, estado e município, o que limitava a presença diurna, e, ainda assim, participei de projetos de iniciação científica. Os professores aceitavam o sábado como horário para atividades e organizavam formas de nos atender. Não há como citar todos os professores, mas preciso dizer que, se no final graduação pensava em seleção para mestrado, foi por incentivo direto e firme das minhas professoras de Linguística Aplicada e Literatura, Celestina, Ana e Ada. Foram incontáveis auxílios, especialmente da professora Celestina, que inclusive emprestou-me todos os livros da bibliografia exigida no edital do mestrado.

Diário - Há diferenças em lecionar nos ensinos federal, municipal e estadual?

Nídia - Prefiro não arrolar diferenças. Minha atuação profissional pública perpassa cidades e épocas distintas. Foram municípios com população de 10 mil, 120 mil e 1,5 milhão de habitantes, com prioridades, responsabilidades e orçamentos para a educação (municípios, Estado e União) que não são comparáveis. O que precisa ocorrer, em todos os níveis e esferas organizacionais do Brasil, é a educação ser definida e tratada formalmente como bem público e direito de todos os brasileiros. Com essa premissa definida, as comparações inadvertidas deixarão de ser pauta.  

Foto: arquivo pessoal
No lançamento do livro ?IFFar 10 anos: Ensaios dessa Trajetória?, em novembro de 2019 durante a Feisma

Diário - E os desafios e satisfações como pró-reitora?

Nídia - Minha atuação no IF Farroupilha, como pró-reitora de Desenvolvimento Institucional, está na consolidação de uma instituição presente em 11 municípios, inclusiva, socialmente referenciada pela qualidade do trabalho, que possui articulação local, regional e nacional, alcança cerca de 15 mil alunos de cursos técnicos, de graduação e pós-graduação e conta com servidores comprometidos com a missão instituciona. Entre os desafios, está a autonomia das nossas instituições.

Diário - Em 2019, você recebeu o Prêmio Destaque Ensino da Apusm.

Nídia - A premiação da Apusm é uma forma de reconhecimento e fez rememorar a minha história de vida e atuação profissional. Foi um momento emocionante, eu fiquei muito feliz e grata. Há família, amigos, colegas, instituições e políticas públicas imbricados nesta homenagem.


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