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Educadores avaliam se vale a pena voltar a ter aulas presenciais ainda em 2020

Atividades para a Educação Infantil podem retornar na última semana de outubro

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Foto: Foto: Pedro Piegas (Diário)

Foto: Pedro Piegas (Diário)

Com Santa Maria de volta à bandeira laranja, a possibilidade do retorno presencial das aulas se aproxima para os ensinos Infantil, Médio e Técnico. De acordo com as normativas do Estado - que exige pelo menos duas semanas em bandeira laranja ou amarela -, as atividades presenciais estarão autorizadas a partir da última semana de outubro. Caso a região volte a ser classificada como de alto risco (vermelha), o calendário é novamente suspenso. No entanto, a retomada ainda causa questionamentos e incertezas entre os profissionais da área da educação.

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Uma das questões levantadas é se valeria a pena, do ponto de vista pedagógico, ter aulas presenciais considerando que o final do ano letivo está próximo. Com a possibilidade de o escalonamento de turmas ser semanal ou quinzenal, é possível que os alunos tenham apenas uma semana de atividades presenciais. Além disso, do ponto de vista pedagógico, a questão ainda é debatida, e professores e diretores não chegaram em um consenso. Para o representante do 2º núcleo do Cpers/Sindicato, Rafael Torres, a volta seria precipitada:

- Não vale a pena sob nenhuma ótica... Não há ganho pedagógico que seja mais importante do que a vida. Insistir nesse retorno sem testagem, sem vacina e sem estrutura nas escolas é assustador - afirma.

Conforme o diretor do Colégio Riachuelo, Christian Morgental Falkembach, o contexto inédito de pandemia dificulta a tomada de decisões, já que não há dados anteriores para se ter como referência. Ele afirma que a escola tem ouvido os pais, para saber se eles desejam que os filhos retornem para a escola ou não. Além disso, aponta que, para a retomada, são necessários novos ajustes e adaptações.

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- Sem dúvida nenhuma os alunos sofreram déficits nesse processo de aula remota, uns mais, outros menos. A gente sabe que existem realidades diferentes, no setor público e no setor privado, e dentro deles também existem realidades distintas. É difícil precisar se vale a pena ou não manter o ensino remoto - avalia Falkembach.

A secretária de Educação de Santa Maria, Lúcia Madruga, também relata que não há experiências passadas que auxiliem na tomada de decisões quanto ao retorno:

- Tudo que vai se fazer é a título de complementação e de experiências, de ver o que vai dar certo - complementa.

PEDAGOGAS
A diretora da Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Sérgio Lopes, a pedagoga Andreia Schorn, reconhece o transtorno e as dificuldades de se garantir o direito a aprendizagem de todos os alunos, considerando que muitos têm o acesso dificultado a ferramentas tecnológicas. Porém, acredita que, para a Educação Infantil, é difícil garantir a segurança sanitária das crianças.

- Pedagogicamente, acredito que teríamos que fundir este ano ao de 2021 e pensar em estratégias e planejamentos para, ano que vem, presencialmente, com a descida da curva desse vírus, dar conta do que as crianças e adolescentes precisam aprender - afirma Andreia.

A psicopedagoga Franciele Xhabiaras Grapiglia, da clínica Ped&Neo, tem o pensamento parecido com o de Andreia. Ela acredita que as famílias já se organizaram de alguma forma para se adequar ao sistema remoto. Assim, o retorno presencial escalonado exigiria uma nova adaptação de alunos e pais. Além disso, a psicopedagoga acredita que as dificuldades que surgiram durante este ano levarão bastante tempo para serem sanadas.

- As lacunas pedagógicas não serão solucionadas instantaneamente, com menos de dois meses de aula... Ao contrário: é um risco absurdo em um momento inadequado - defende Franciele.

Uma resolução do Conselho Nacional de Educação, aprovada neste mês, estendeu a permissão de atividades remotas para o ensino básico até o fim de 2021. O texto ainda precisa ser aprovado pelo Ministério da Educação (MEC).

O QUE O DECRETO DO ESTADO ESTIPULA
As datas para a retomada presencial foram aprovadas pela Seduc no final de agosto. Os dias de retorno podem variar e são definidos de acordo com a decisão dos municípios e da classificação no sistema de bandeiras. Para ter a volta aprovada, as instituições precisam cumprir com uma lista de exigências estipuladas pelo Executivo

CALENDÁRIO DO ESTADO

  • Educação Infantil - 8 de setembro*
  • Ensino Superior e Ensino Médio - 21 de setembro*
  • Ensino Médio (rede pública) - 13 de outubro**
  • Ensino Fundamental (anos finais) - 28 de outubro
  • Ensino Fundamental (anos iniciais) - 12 de novembro

*A prefeitura autorizou as instituições particulares infantis, mas Superior e Médio ainda não foram autorizados

**A previsão da Seduc é de que as aulas recomecem a partir do dia 27 de outubro

EXIGÊNCIAS E ADEQUAÇÕES*

  • Estar em bandeira laranja ou amarela por pelo menos duas semanas
  • As escolas deverão respeitar o limite de 50% da capacidade de cada sala de aula
  • Não pode haver preparação de lanches na escola, sendo autorizado apenas o consumo de alimentos levados pelos alunos de casa
  • As atividades devem ocorrer em dois turnos: das 8h ao meio-dia e das 14h às 18h, com intervalo para higienização dos ambientes
  • Todos os funcionários devem usar máscara facial modelo N95 de proteção e face shield

DOCUMENTOS NECESSÁRIOS

  • Ter o plano de contingência aprovado pelo Centro de Operação de Emergência em Saúde para a Educação (Coe-e)
  • Possuir alvará sanitário vigente
  • Ter aprovação do Conselho Municipal de Educação
  • Possuir o Plano de Proteção Contra Incêndio (PPCI) aprovado

*As exigências são feitas para as escolas pelo Estado e pelo município


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