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Com a volta do ensino presencial, pais de alunos pedem por mais aulas nas escolas

Reclamações das famílias têm como base os prejuízos na aprendizagem causados pela educação remota

Foto: Marcelo Oliveira (Especial)
Na turma do 4º ano, da professora Camila Parigi, na Escola Vicente Farencena, 15 alunos podem acompanhar as aulas presencialmente

Com a volta gradual do ensino presencial, as escolas já recebem os alunos dentro das salas de aula. Mas, depois de vários meses com as atividades remotas, ainda há preocupação por parte dos pais quanto à maneira em que as aulas estão sendo ministradas. Entre as angústias, está a periodicidade de aulas presenciais durante a semana - alguns pais de alunos entraram em contato com o Diário para informar que os filhos estavam tendo apenas uma aula presencial e, além disso, não tinham atividades remotas nos demais dias.

O Ministério Público (MP) em Santa Maria tem recebido reclamações, por meio da Promotoria Regional de Educação, sobre o andamento das aulas no município. As queixas estão relacionadas com escolas da rede privada, estadual ou municipal de ensino.

Segundo a promotora de Justiça Rosangela Corrêa da Rosa, o MP tem encaminhado à Secretaria Municipal de Educação (Smed) as reclamações para que sejam verificadas as condições e os problemas. No dia 27 de setembro, foi realizada uma reunião entre a promotora e a titular da pasta, Lúcia Madruga. Durante o encontro, além da periodicidade das atividades presenciais, foi tratado também sobre o aumento de vagas nas creches.

- Estamos buscando entender o que leva uma escola a atender presencialmente e outra não? Estamos em sinal de atenção para a educação. Nossa constituição assegura os direitos das crianças, e a educação é essencial - diz a promotora.

REALIDADES
Na Escola Municipal de Ensino Fundamental Vicente Farencena, no Bairro Camobi, foi organizado um cronograma mensal para a Educação Infantil, anos iniciais e anos finais do Ensino Fundamental, que intercala aulas presenciais, encontros online e postagens na plataforma Classroom.

Conforme a diretora Roselis Oliveira Pincolini, no mês de agosto, as aulas foram mais voltadas a correções de exercícios e tira-dúvidas com os alunos, mas que, em setembro, elas tiveram melhora considerável

- Tanto nossos alunos quanto os professores sentiram dificuldades na maneira remota. O retorno foi um pouco diferente, mesmo que fosse o que mais esperávamos há tanto tempo. Foi como um recomeço - avalia a diretora.

A escola tem, atualmente, cerca de 490 alunos. Desses, aproximadamente, 240 voltaram a frequentar a escola presencialmente, conforme o cronograma mensal estipulado. Em função do espaço disponível, algumas salas podem comportar até 15 alunos. De acordo com a vice-diretora Alexandra Botega Ceron Machado, foram seguidos os protocolos e as propostas encaminhadas pela Smed. Para ela, o ensino híbrido proporcionou diferentes aprendizagens em um curto período de tempo.

- Sentimos que grande parte das famílias aderiram e estão juntos para que haja este cuidado com o processo de aprendizagem. Mas entendemos que algumas pessoas sentiram dificuldades - avalia.

A mãe de uma aluna do 5º ano da escola, que preferiu não se identificar, considera insuficientes as aulas presenciais ocorrerem apenas uma vez por semana. Segundo ela, 22 pais da turma da filha dela assinaram um documento, confirmando serem favoráveis ao retorno presencial.

- Sou a favor de nos preservarmos, mas com poucas internações nos hospitais e parte da população vacinada, já deveríamos ter avançado nessa questão. Parece-me que as crianças que estudam pelo município estão desassistidas. Foram extremamente negligenciadas - desabafa.

Ela entende que poder auxiliar os filhos em casa nas atividades escolares não é uma realidade para todas as famílias, devido, principalmente, à rotina de trabalho, bem como a instrução necessária para tal, o que torna o processo mais difícil em algumas situações. No caso dela, foi necessário contratar uma professora particular para somar ao que a escola propôs.

Camila Parigi, professora da escola Vicente Farencena, considera as condições disponíveis para conseguir o máximo de participação da comunidade escolar. Ter voltado ao presencial foi vantajoso para todos:

- A gente vê a alegria deles voltando. A convivência escolar fez falta. Mesmo que seja aos pouquinhos, percebemos o brilho no olhar deles.

Também em Camobi, a Emef Antonio Gonçalves do Amaral, a reclamação por parte dos pais é sobre a demora para a volta definitiva do modo presencial.

Para um dos pais, a continuidade da forma atual prejudica o processo de alfabetização das crianças dos anos iniciais. A filha dele está no 2º ano, e de acordo com ele, com apenas duas aulas semanais, ele precisou contratar aulas particulares.

- As atividades anteriores não eram suficientes para cumprir com o que se espera neste estágio da formação. Eram apenas 2h/aulas por semana, e o restante feito por entrega de atividades. Eu que colocava as fotos das atividades para avaliação da professora - conta.

A vice-diretora, Marciana Bizzi, diz que,a partir da segunda metade de setembro, a escola conseguiu receber mais alunos, após a redução do espaçamento entre as classes para 1 metro, o que permitiu 18 alunos por sala de aula. Conforme ela, dos mais de 240 estudantes, mais de 50% já retornaram à escola. Ela afirma que três aulas presenciais ocorrem semanalmente.

ATENDIMENTO DO MP
A Promotoria Regional da Educação é um braço do Ministério Público voltado para as demandas da área de ensino. Dúvidas e reclamações referentes às atividades presenciais podem ser encaminhadas pelos seguintes canais:

  • Telefone - (55) 3222-9049
  • E-mail - [email protected]
  • Endereço - Alameda Montevidéu, 253, Bairro Nossa Senhora das Dores
  • Atendimento externo - 13h às 18h

ATIVIDADES REMOTAS E DIFERENÇAS SOCIAIS
Segundo a professora titular da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) Helenise Sangoi Antunes, no modo presencial, no formato em que todos estavam acostumados, os alunos tinham chances mais democráticas. Isso porque a presença de professores, o acesso às bibliotecas e o acompanhamento pedagógico constante contribuíam para a solução de dúvidas e o acompanhamento do aprendizado.

- Neste sentido, o professor tem caráter estratégico, principalmente, por conseguir observar e receber o retorno dos alunos sobre as dificuldades que têm - diz Helenise.

A professora considera que a falta de condições adequadas para o estudo remoto causam evasão de alunos em vulnerabilidade social. A falta de equipamentos, ou a divisão destes entre mais irmãos, torna o processo mais difícil.

QUALIDADE
A respeito das horas/aulas dadas, Helenise Antunes diz que, além de ser mais trabalhoso, demanda mais tempo dos professores para elaborar aulas online. Mesmo prezando pelo retorno presencial, a professora pondera que este modo deve ser trabalhado corretamente, com estímulos às crianças, e não somente para aplicar conteúdos.

- Percebemos que as escolas particulares, já com aulas durante toda a semana, estão totalmente conteudistas, mas é preciso trabalhar a criatividade. Temos exemplos de professoras do município que fizeram de tudo para tornar as aulas mais interessantes nesse período.

Foto: Pedro Piegas (Diário)
Por atender na área Rural, a Escola Pedro Kunz realizava atividades com materiais impressos no período de aulas remotas

Na Escola Municipal de Ensino Fundamental Pedro Kunz, dois grupos intercalam os dias de aula. Um vai à escola nas segundas e nas terças-feiras, enquanto que o outro tem encontros marcados nas quintas e sextas-feiras.

De acordo com o supervisor pedagógico, Fernando Ferrão dos Santos, aproximadamente, 90 crianças retornaram, e a adaptação foi tranquila. Desde julho, data de retorno presencial, não houve registros de infecções por coronavírus na escola:

- Estávamos ansioso para voltar. As crianças entenderam as regras rapidamente, o que facilitou.

PREFEITURA
Quanto às condições sugeridas para as aulas neste período de pandemia, conforme a Smed, cada escola tem autonomia para elaborar o próprio plano de contingência para o retorno presencial. Dessa forma, não há como estabelecer um parâmetro de cronograma, pois cada escola difere quanto aos espaços e precisa adequar as atividades pedagógicas às realidades do local e dos alunos. 

Ainda de acordo com a pasta, os cronogramas que envolvem escalonamentos das aulas dependem da opção dos pais ou responsáveis pelos alunos e, ainda, dos espaços disponíveis.

Contudo, conforme a secretaria, independentemente da modalidade (remoto articulado ao presencial ou apenas remoto), estão garantidas 20h letivas semanais e a equidade quanto aos objetos de conhecimento trabalhados em ambos os formatos. 

No que se refere aos conteúdos aplicados, a secretaria recomenda que a explicação deve ocorrer de forma síncrona, entre os alunos em sala de aula e os que acompanham de casa, para evitar lacunas na aprendizagem.

*Colaborou Gabriel Marques


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