com a palavra

Arquivista do Departamento de Arquivo Geral da UFSM conta sua trajetória na profissão

Cristina Strohschoen dos Santos comenta sua relação com Santa Maria, o que lhe despertou o interesse na profissão e os momentos mais marcantes de sua vida

Viktória Powarchuk

Foto: Arquivo Pessoal

Nascida em Três de Maio, Cristina Strohschoen dos Santos, 48 anos, formou-se em Arquivologia pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), em 1992. Concluiu o mestrado em Patrimônio Cultural, pela mesma instituição, em 2012 e, atualmente, é arquivista do Departamento de Arquivo Geral da UFSM. Filha de Ingo Bartz Strohschoen e Marli Luiza Horst Strohschoen, ela é casada, há 5 anos, com Claiton Leal dos Santos, técnico em Radiologia e coordenador administrativo do Centro de Apoio à Criança com Câncer (CAAC), com quem tem uma filha, Camille Strohschoen dos Santos, 6 anos. Nesta entrevista, a três-maiense compartilha um pouco da trajetória. (Colaborou Viktória Powarchuk)


Diário - A senhora morou em Independência, Horizontina, Panambi e Ijuí. Por que se estabeleceu em Santa Maria?

Cristina Strohschoen dos Santos - Mudei-me para Santa Maria em 1989, para cursar a faculdade. Depois de formada, trabalhei como arquivista na Universidade Regional de Ijuí e no Museu Antropológico Diretor Pestana, também em Ijuí, por cerca de 16 anos. Retornei para o Coração do Rio Grande em 2010, quando passei no concurso para arquivista da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Sou encantada pela cidade. Ela tem muitas opções culturais e ensino de boa qualidade.

Diário - Da infância, quais as melhores lembranças?

Cristina - Tive uma infância feliz, próxima dos meus primos paternos. Lembro-me com carinho de uma tarde de domingo, em uma matinê no cinema em Horizontina, quando fui assistir com amigas o filme Coração de Luto, de Teixeirinha. Foi uma tarde muito agradável.

Diário - De tudo o que aprendeu com os pais, o que destacaria?

Cristina - Ter fé, cultivar amizades e ter responsabilidade e pontualidade no cumprimento de tarefas.

Diário - E dos lugares que já visitou, qual foi o mais impactante?

Cristina - Com certeza a viagem que fiz para a Alemanha, em 1989, foi a mais memorável. Estava lá há um mês antes da queda do Muro de Berlim, em novembro de 1989, que abriu o caminho para a reunificação alemã. Fui ao país em uma excursão com o Conjunto Instrumental do Colégio Evangélico Panambi, sob regência de Gunda Kindel. Eu tocava flauta contralto. Realizamos 42 apresentações em 40 dias, em diversas cidades da Alemanha.

Banca de mestrado em Patrimônio Cultural na UFSM, em 2010, com colegas de profissão

Diário - Qual foi o momento mais marcante de sua vida?

Cristina - Em 1992, vivenciei uma experiência desafiadora: participar da mesa-redonda "A Profissão de Arquivista na Era da Informação: a Ótica do Estudante de Graduação", do 17º Congresso Internacional de Arquivologia, em Montreal, Canadá. O Conselho Internacional de Arquivos (CIA) selecionou institutos federais de cinco países para esta mesa. Falei em alemão. Até os 4 anos, eu só falava esse idioma. Só depois, aprendi português. A partir do quarto ano do Ensino Fundamental, tive língua alemã na escola, o que me permitiu fazer prova de proficiência de idioma no final do Ensino Médio.

Diário - No congresso, você representou os alunos de Arquivologia do Brasil? 

Cristina - Sim. O colegiado me escolheu para falar devido à posse do meu certificado  de proficiência no idioma alemão do Ministério da Cultura da Alemanha. Essa experiência, aos 23 anos, me rendeu o apelido de "Alemoazinha do Canadá", dado por Heloísa Bellotto, ícone da Arquivologia no Brasil. Em 2017, publiquei uma crônica sobre este fato no livro Memórias dos 40 Anos do Curso de Arquivologia da UFSM. Dos 105 alunos matriculados no curso em 1992, mais duas meninas se inscreveram para representar o país falando outro idioma, neste caso, espanhol. 

Diário - Como escolheu a profissão? 

Cristina - Lendo o Guia do Estudante, da Editora Abril, que continha o depoimento de Andressa de Moraes e Castro sobre a profissão de arquivista. Sempre gostei de livros de coleção e adorava auxiliar meu pai a organizar exemplares da Revista Seleções. 

Diário - O que mais lhe chama a atenção na arquivologia? 

Cristina - A preservação da memória das instituições, em especial, os arquivos sonoros, audiovisuais e fotográficos. 

Diário - Que desafios destaca na sua área de atuação? 

Cristina - A eterna provocação do arquivista é o compromisso em divulgar a profissão, de modo que a sociedade saiba a importância do nosso trabalho e que atuamos com a gestão da informação. 

Diário - Quanto aos arquivos no futuro, o que podemos esperar? 

Cristina - Um mundo digital, sem informações registradas em papel.

Diário - Quanto à profissão, do que mais se orgulha? 

Cristina - Neste momento, posso citar o Projeto Retalhos da Memória de Santa Maria e o Projeto de Memória da Orquestra de Santa Maria. Tenho orgulho em poder participar arquivisticamente das comemorações de aniversários de unidades, como a exposição que resgatou a história dos 50 anos da Rádio Universidade AM. Minha paixão é a difusão arquivística e, na universidade, os projetos de extensão. Tenho orgulho dos muitos estágios que realizei durante a faculdade e de estar em constante atualização profissional. Sonho em ver construído um prédio para o recolhimento de toda memória arquivística da UFSM.


Com seus maiores amores, o marido Claiton e a filha Camille



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