agronegócio

VÍDEO: cotação histórica do arroz anima produtores, mas pesa no bolso do consumidor

Aumento superior a 100%, tanto na saca vendida pelo agricultor como no preço em mercados, aconteceu, entre outros motivos, pelo aumento no consumo durante a pandemia

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Foto: Foto: Gabriel Haesbaert (Diário)


Foto: Gabriel Haesbaert (Diário)

O preço do arroz pago aos produtores gaúchos atingiu a maior cotação das últimas décadas. Em relação aos primeiros meses do ano, o valor mais que dobrou: de R$ 45 passou para R$ 95, em média, na saca de 50 quilos. Mas, os consumidores finais estão apreensivos, pois o valor também disparou na mesma proporção nos mercados. 

De acordo com o engenheiro agrônomo do Instituto Riograndense do Arroz (Irga), Luís Fernando Siqueira, o elevação do preço está relacionada ao aumento de consumo tanto no mercado interno como externo, e consequente subida das exportações. 

- Principalmente durante os primeiros meses de pandemia, a gente viu as pessoas ficando mais em casa, saindo menos para jantar e até pedindo menos entrega de comida. Isso fez com que as pessoas fizessem mais comida em casa, até pela crise financeira. As pessoas se voltaram mais para a alimentação básica, e o arroz é um desses alimentos. O preço internacional do produto também teve uma bela de uma cotação. Vemos hoje a maior cotação bruta desde o plano real - explica.

Frio e chuva persistem nos próximos dias em Santa Maria

Outro motivo que impacta no preço é uma pequena redução da área plantada na última safra no Rio Grande do Sul. Para a próxima safra, que deve ser semeada entre outubro e novembro, a expectativa para a cidade de Santa Maria é que a área cultivada fique em torno de 5,6 mil hectares, permanecendo estável em relação a produção deste ano.

- A expectativa para a próxima safra é que seja boa, assim como foi em 2020. O arroz foi a única cultura de verão neste ano que não teve perdas expressivas registradas pela seca no Estado. Inicialmente, havia uma estimativa de perdas, mas, como as lavouras colhidas mais tarde tiveram produtividade acima da média, no final, não foram contabilizados prejuízos - analisa o técnico orizícola Roger Almada Pereira. 

Entre as razões que fizeram a safra de arroz não sofrer tanto com a seca é que 100% da área cultivada é irrigada no Rio Grande do Sul, segundo o professor Alencar Zanon, do Departamento de Fitotecnia da UFSM. Só que, para a próxima safra, o que preocupa os agricultores é que os níveis de açudes e barragens, utilizados para a irrigação, não estão cheios, ainda por causa do período de estiagem.

- Alguns produtores estão com medo de faltar água, mas isso pode ou não ocorrer, vai depender se a chuva dos próximos meses vai melhorar o nível de reservatórios. O sentimento do produtor hoje é o mais feliz das ultimas décadas, porque sempre tivemos defasagem dos preços. Era muito caro para o produtor plantar arroz, quase não se tirava lucro. Esse aumento agora faz com que o agricultor esteja disposto a investir mais - afirma Zanon. 


Foto: Gabriel Haesbaert (Diário)

NO MERCADO E NA INDÚSTRIA, PREÇO TAMBÉM DISPAROU
Na Arroz Fighera, indústria de beneficiamento localizada no Distrito de Arroio Grande, em Santa Maria, a pandemia fez aumentar a demanda pelo produto, ao mesmo tempo que foi preciso reduzir o número de trabalhadores e máquinas funcionando por causa das restrições de funcionamento. Por lá, já se tem dificuldade de encontrar arroz para o beneficiamento, mas a mercadoria não deve faltar.

- O que aconteceu foi que, quando começou a subir o preço, principalmente com a alta do dólar no mercado externo, os produtores venderam quase todo o arroz. Com isso, houve diminuição do repasse para industrias do país. Hoje, o produtor que ainda tem arroz para vender é o mais estabilizado. Aquele que tinha dívidas já vendeu nos meses anteriores. Já estamos sim com dificuldade de encontrar. Mas, como trabalhamos com fidelidade, acho que não vai faltar até a próxima safra - conta o gestor da empresa, Jairo Fighera, que é da 3ª geração da indústria que é familiar e está há 82 anos no mercado. 

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Mesmo aumentando o preço repassado aos clientes, Jairo relata que não houve elevação na margem de lucro das empresas, já que elas tiveram que desembolsar mais na hora de comprar o arroz dos produtores. Hoje, a Fighera produz 80 mil fardos por mês, mas, no início da pandemia, esse número era maior. Deste total, cerca de 80% vai para o Rio de Janeiro e também outros estados como Espírito Santo, Minas Gerais e Maranhão. Por lá, o preço que o consumidor paga é ainda maior que no Rio Grande do Sul, por causa do frete. 

Em Santa Maria, era possível encontrar o pacote de 5 quilos de arroz a cerca de R$ 10, em promoção, até dois meses atrás. Agora, de acordo com o presidente do Sindigêneros Região Centro, Eduardo Stangherlin, que representa o comércio varejista de gêneros alimentícios e supermercados e hipermercados de 22 municípios, o preço está acima de R$ 20, podendo variar de acordo com a marca. 

- Teve um pouco de aumento de venda nos mercados nos últimos meses. Mas, o que mais influencia no preço é a demanda dos outros países. Por aqui, não é que as pessoas comeram mais, mas sim transferiram o consumo de um setor para outro, deixaram de comer no restaurante, por exemplo - considera. 

Segundo Stangherlin, a tendência é que o preço do arroz suba ainda mais, por causa da escassez de produtor. Apesar disso, ainda não se fala em falta de estoque. Além do arroz, o óleo de soja, o açúcar e a farinha também tiveram elevação de custo. No caso do óleo, a subida ficou em torno de 30%, isso porque o preço pago pela saca de 60 quilos de soja aos agricultores também teve um acréscimo de cerca de 60%, chegando a R$ 120. 

O Programa de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) acompanha a alta dos itens da cesta básica. De acordo com a prefeitura, as principais redes da cidade foram notificadas para prestar esclarecimentos em relação aos motivos da alta. A Associação Brasileira de Supermercados encaminhou ofício ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento explicando que o aumento no preço dos insumos, dólar em alta, fatores climáticos e exportações (que desabasteceram o mercado interno) estão entre os motivos. Nesse mesmo sentido, a Associação Brasileira da Indústria do Arroz (Abiarroz) sinalizou com a dificuldade de acesso à matéria prima decorrente da restrição de oferta do arroz. 

PROJETO DA UFSM LANÇA LIVRO

A Equipe FieldCrops da UFSM, grupo de de pesquisa e extensão em soja, milho e arroz, lançou um livro chamado "Ecofisiologia do Arroz Visando Altas Produtividades". O objetivo do livro é resumir de forma clara os conceitos e práticas da ecofisiologia e manejo do arroz, aliadas a agricultura digital, para ajudar na rentabilidade dos produtores. O livro foi desenvolvido com cooperação e união de universidades e instituições públicas de pesquisa e extensão rural do Brasil, Argentina, Uruguai e Colômbia.

*Colaborou Janaína Wille


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