cenário de cinema

VÍDEO: há nove anos, uma comédia romântica mudava a rotina de Vale Vêneto

Casas da comunidade, escola, sopés de morros e igrejas foram pano de fundo para o filme O Carteiro, do ator e diretor Reginaldo Faria

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Foto: Foto: Renan Mattos (Diário)


Foto: Renan Mattos (Diário)

Quem passa pela Rua Raphael Iop, no Distrito de Vale Vêneto, em São João do Polêsine, depara com a fachada de uma delegacia. Poderia ser algo comum, não fosse o fato de o distrito não ter uma delegacia. O prédio está, na verdade, abandonado e serviu de cenário para o filme O Carteiro, gravado há nove anos. A comunidade, além de emprestar suas casas e toda sua hospitalidade, ganhou como retorno um aumento na procura turística.


Conhecido pelo Festival de Inverno e pela Semana Cultural Italiana, Vale Vêneto também é lembrado pelas paisagens da produção cinematográfica rodada no distrito em 2010 e lançada em 2013.

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O local foi escolhido pelo diretor após um passeio com a mulher, a santa-mariense Vânia Dotto. A tranquilidade do vale, a Igreja de Corpus Christi, o Seminário Rainha dos Apóstolos e a gruta de Nossa Senhora de Lourdes a conquistaram a equipe do filme.

Até hoje, há vestígios das gravações que duraram cerca de 60 dias. O prédio vazio que deu lugar a delegacia fictícia, por exemplo, ainda apresenta os letreiros pintados na época. Ao todo, foram 43 locações entre casas da comunidade, escola, sopés de morros, igrejas, além locais da região, como o Theatro Treze de Maio, em Santa Maria, e a Vinícola Velho Amâncio, em Itaara. 


Foto: Renan Mattos (Diário)
A casa de Pedro, Manuela e Vera apareceu nas telonas

FAMÍLIA MARCUZZO EMBARCOU NA ROTINA DA FICÇÃO
Casa, o carro, a filha e a vizinhança do pecuarista Pedro Marcuzzo, 63 anos, embarcaram nas cenas de O Carteiro. A residência serviu de locação para gravar cenas dos protagonistas Victor (Candé Faria) e Marli (Ana Carolina Machado).

- O fato de ser um sobrado de época foi o que chamou a atenção da direção e do Reginaldo. Acabamos criando um laço de amizade. Ele até brincava que pensava em comprar o sobrado - destaca o pecuarista.


Foto: Jean Pimentel (Arquivo Diário)
O Corcel de Pedro Marcuzzo foi utilizado pela produção

Marcuzzo lembra que recebia visitas de Reginaldo Faria para tomar um café, e ele até pensava em adquirir o imóvel. Porém, nunca chegaram a negociar de fato e, mesmo se o diretor quisesse, o pecuarista não pretende vender a residência onde mora com a esposa Vera, 56 anos, e a filha Manuela, 20 anos. A propósito, ela tinha 11 anos quando o filme foi rodado e chegou a atuar como figurante na escola onde estudava, mas as cenas acabaram não sendo utilizadas.

Já o Corcel de Marcuzzo, relíquia da família que também foi emprestado às gravações, acabou sendo vendido.

Quase uma década depois, a comunidade, que, à época, teve de se adaptar, inclusive bloqueando ruas do distrito e fazendo silêncio durante as gravações, coleciona boas lembranças:

- Teve uma situação muito engraçada durante uma cena, em que uma vaca da nossa propriedade começou a mugir. Eles tiveram que gravar tudo de novo. Até pediram para nós tocarmos a vaca para longe para não acontecer de novo. Uma usina aqui perto também teve de paralisar as atividades por um dia inteiro para não atrapalhar - recorda Manuela.


Foto: Renan Mattos (Diário)

Um filme premiado 

  • Direção e roteiro - Reginaldo Faria
  • Sinopse - Victor, o carteiro, vive em Vale Vêneto e tem por hábito violar a correspondência dos moradores. Um dia, cai em sua própria armadilha. Apaixona-se por Marli, nova moradora da cidade, e passa a controlar suas cartas com o namorado, que vive na cidade grande
  • Locações - Santa Maria, São João do Polêsine (Vale Vêneto) e Itaara 
  • Ano - 2013
  • Produção- TGD Filmes
  • Elenco- Candé Faria (Victor), Ana Carolina Machado (Marli), Dany Stenzel (Dani), Felipe de Paula (Jonas), Zé Vitor Castiel (seu Joca), Ingra Liberato (Natalia), Fernanda Carvalho Leite (Dona Genoveva), André José Adler (seu Max), Daniel Suhre (Daniel), Anselmo Vasconcelos (policial Xavier), Reginaldo Faria (professor) e Marcelo Faria (delegado Rafael)
  • Premiações - Melhor Diretor de Fotografia no Festival de Cinema de Gramado em 2011; Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Atriz para Ana Carolina Machado e Melhor Montagem no 3º Festival de Cinema Curta Amazônia; Melhor Atriz Coadjuvante para Fernanda Carvalho Leite, e Melhor Fotografia no 5º Los Angeles Brazilian Film Festival


Foto: Renan Mattos (Diário)
Maíra e José Paulo eram donos da pousada local

COMER, DORMIR E GRAVAR
Localizada nas proximidades da igreja, a Pousada Veneta administrada pelo casal Maira, 50 anos, e José Paulo Marcuzzo, 57 anos, foi uma espécie de quartel general da equipe de O Carteiro. Os sete quartos foram alugados para produtores e artistas e uma sala virou local de reuniões.

- Parecia que eles eram da nossa família. Como não sabiam fazer chimarrão, ensinamos. Nas primeiras tentativas eles queimavam a língua, mas diziam que gostavam - lembra José Paulo.

Além de abrigo, o prédio apareceu no filme, como a Pousada da Genoveva, onde vivia o protagonista. Hoje está desativada e é alugada para moradores locais.

Maira lembra também que a direção fez questão de exibir o filme no distrito antes de fazer a estreia nos cinema. Para isso, toda a população foi até o Salão Paroquial.

- Lembro que até pipoca fizeram. Para muitos, foi a primeira vez "no cinema". Foi muita emoção ver nossa terra retratada em um filme. Vai ficar para sempre na nossa memória - destaca.


Foto: Renan Mattos (Diário)
Seu Roratto conviveu com produção e elenco do filme

REFEIÇÕES E AFETO
Quem vai ao Restaurante da Romilda, em Vale Vêneto, pode matar a saudade da época em que a agitação era grande por conta do filme. Lá, há uma série de fotografias da época expostas na parede. O local serviu de cenário para o filme e também era onde elenco e produção faziam todas as refeições. Segundo o administrador do estabelecimento, Arlindo Roratto, 83 anos, na época, era comum que as reservas para refeições esgotassem.

-Foi nessa época que o restaurante estourou. Vinha gente de todo o lugar para ver os artistas e almoçavam e jantavam no restaurante - conta.

O prédio serviu também como locação para algumas cenas. Roratto lembra foram filmadas imagens de brigas em que os atores quebravam garrafas de bebidas. Ele conta, orgulhoso, que um de seus carros antigo apareceu no filme.


Foto: Renan Mattos (Diário)

- Tivemos uma convivência familiar com o elenco. A gente sentiu falta quando eles foram embora. Depois, o Reginaldo ainda veio umas três vezes nos visitar, mas já faz uns três anos que ele não aparece mais - relata.

Sobre o filme, Roratto não deixa de dar os seus pitacos:

- As paisagens são lindíssimas, mas a impressão que fica é de que faltou algo no filme. Faltou colocar um pouco mais de conteúdo interiorano, a fofoca entre vizinhos, essas coisas... 

*Colaborou Janaína Wille


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