zoom

Espaço para o movimento antirracista

Confira a coluna de Cassiano Cavalheiro na Revista Mix


Semana passada, além de celebrar o Viva Santa Maria e os artistas locais, fiz um pequeno registro da movimentação mundial das manifestações antirracistas. Publicamos que é preciso, mais do que nunca, aprender, tentar entender e, principalmente, ouvir o que os negros têm a dizer. Por isso, nesta e na próxima edição, estou cedendo o Zoom para artistas e colegas jornalistas negros falarem a respeito deste momento. O objetivo é que eles opinem e indiquem formas para enriquecer o conhecimento de todos. Gratidão aos que toparam falar. Boa leitura!

O momento é delicado, porém forte e necessário


A luta não é de agora. A luta sempre existiu, mas agora está mais exposta - fotografada e filmada em tempo real para todos, indiscriminadamente, verem. Somo a ela através do meu trabalho. Eu, enquanto artista com visibilidade, é meu dever não só me posicionar, como representar, visto que só "o meu ser" fala por si - são muitas desigualdades em um só ser: negra, mulher, gorda, artista e do Interior. E, essas "qualidades" nunca foram problemas. Assim, me considero uma privilegiada!

Acredito que cada negro tem sua forma de lutar e se manifestar de acordo com sua criação, vivências e experiências enquanto "negro nesta sociedade" que não lhe dá devido valor. Eu respeito! Ah, como eu respeito a expressão individual de protesto, por vezes, silencioso. É preciso, constantemente, o Negro mostrar a real força que tem, com conhecimento e postura. Ter representatividade, muito mais que uma palavra "da moda", é uma atitude. A igualdade vai demorar, enquanto isso, o trabalho segue duro e diário.

Já que a música tem sido uma das formas mais expressivas de "alento" durante este período pandêmico tão tenso para todos, deixo a pergunta: já te deu conta de quantos artistas negros tem orbitado teu dia a dia de clausuras? Selecionei alguns compositores negros, que fazem parte do meu universo, para compartilhar: Cartola, Pixinguinha, Clementina de Jesus, Elza Soares (foto ao lado), Ivone Lara, Dorival Caymmi, Carlinhos Brown, Gilberto Gil, Djavan.

Deborah Rosa - Cantora

O conhecimento é a arma contra o racismo

"Não basta não ser racista, é preciso ser antirracista". Essa frase da filósofa e ativista Angela Davis nunca foi tão utilizada como tem sido nas redes sociais nestas últimas semanas. Mas o que nós, pessoas negras, queremos é que ela seja colocada em prática por vocês. Vocês mesmo, pessoas brancas. Já está mais do que na hora de vocês se posicionarem e assumirem a linha de frente no combate ao racismo. A arma? O conhecimento. Por isso, eu dou uma dica: consuma a arte e a cultura negra. Seja ela em forma de literatura, música, teatro, dança, artes visuais, entre outras manifestações. E, no Rio Grande do Sul, temos muitas referências, Oliveira Silveira, Glau Barros, Otacílio Camilo, Jordana Henriques (foto ao lado), Fernanda Bastos... basta querer conhecer. Somos muitos e plurais. Dá um Google e veja o universo que irá se abrir.

Suelen Soares - Jornalista ex-repórter do Diário, atualmente, atuando em Porto Alegre

Somos parte de um todo


Acredito que o mais certo a se fazer é lutarmos pela humanidade num todo. Quando cada um de nós tomarmos consciência de que somos parte de um todo e que cada um é um universo, a cor da pele não se torna fator determinante em nenhum aspecto. Culturalmente falando, existem muitas coisas incríveis criadas por artistas pretos. Citamos alguns exemplos como: Daniel Ceasar, Avery Wilson, Beyoncé, Laurin Hill, entre outros. Deixo aqui uma indicação de filme que fala de minorias: Get Out (Corra!). É sensacional! E meu apelo é: cuide do próximo. Independentemente da sua raça, cor ou credo. Sigo aqui na esperança de dias melhores para o meu povo.

Gabe Almeida - Músico

Uma luta que deve ser de toda a sociedade

A arte é o reflexo do ser humano e suas interações sociais em um determinado contexto. A partir de sua análise, podemos compreender como determinadas relações se estabeleceram, quais suas motivações e o impacto proporcionado. Ao analisarmos algumas músicas que retratam a vida do negro no Brasil, em diferentes períodos, podemos compreender melhor o fenômeno do racismo que tem sido discutido de forma enfática nos últimos dias. O entendimento da estrutura étnico racial do nosso país é fundamental para o combate ao racismo, que deve ser uma luta de toda a sociedade. Sugiro que ouçam algumas músicas que abordam a temática: O Canto das Três Raças, de Clara Nunes; A Carne, de Elza Soares; Elevador, de Jorge Aragão; A Mão da Limpeza, de Gilberto Gil; Sinhá, de Chico Buarque; Cota Não é Esmola, de Bia Ferreira e Negro Drama, dos Racionais MC's (foto).

Elen Janine Ortiz - mulher negra e acadêmica de música

Vivemos em umas das sociedades mais violentas do mundo

Isso se dá pelo fato de o Brasil ter sido moldado com sangue do povo Negro e, vergonhosamente, ter sido o último país do mundo a abolir o que jamais deveria ter existido, a escravidão. A morte de George Floyd, que desencadeou movimentos pelo mundo, é apenas a ponta do iceberg. Centenas de inocentes morrem no Brasil simplesmente pela cor da pele. Nossas favelas e cadeias estão abarrotadas. A maioria das pessoas que vive nesses guetos é de pele preta e o que nos coube durante centenas de anos neste continente foi lutar.

Estamos em guerra há muito tempo. Se você é uma pessoa branca e quer realmente levantar a bandeira e nos ajudar a mudar o cenário de injustiça que se instaurou há séculos, olhe para a sua volta, entenda os seus privilégios e perceba quantas pessoas negras tem a sua volta. Quantas delas ocupam cargos de poder? Quantos professores negros você teve? Você aceitaria ser subordinado a uma pessoa negra? Isso é uma parcela do racismo estrutural estabelecido no país. Enquanto artista, preciso ter a obrigação e a responsabilidade de tratar desses temas. Sugiro que consumam e valorizem pensadores, ativistas, influenciadores e artistas negros. A internet está cheia de pessoas incríveis querendo mostrar a sua potência. Dica de estudo que trata do assunto de maneira transparente é Lutas.doc, série documental de Daniel Augusto e Luiz Bolognesi disponível no YouTube. Procurem se informar para não cometer os mesmos erros do passado. A gente não está aqui para ensinar o que a sociedade já deveria ter aprendido há décadas.

Gelton Quadros - Ator, diretor e professor de teatro


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