com a palavra

Cleber Laguna fala sobre arte e relembra os tempos em que estudou na UFSM

Ator formado pela Universidade Federal criou, com a esposa, a Cia Mevitevendo

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Fotos: Arquivo pessoal
Cleber em cena no Espetáculo Atravessia, no Sesc Belenzinho,São Paulo, em 2019

Foi na escola, em Uruguaiana, que Cleber Pereira Laguna, 51 anos, teve o primeiro contato com o teatro. Anos depois, o filho da costureira Hélia Pereira Laguna e do comerciante Athanagildo Pereira Laguna, mudou-se para Santa Maria, junto com a então namorada, hoje esposa, Marcia Fernandes, 47 anos, para cursar Artes Cênicas na UFSM. Juntos, criaram a Cia Mevitevendo, em que trabalham o lúdico a partir do teatro de bonecos, máscaras e objetos. Nesta entrevista, ele relembra o tempo em que viveu na cidade e do universo da arte e cultura.

Diário - Qual a relação do senhor com Santa Maria?
Cleber Laguna - Uma relação sentimental, de saudade e muitas memórias afetivas. Onde descobri o imenso universo do teatro e, acima de tudo, onde conheci pessoas queridas fundamentais na minha formação e no meu modo de estar no mundo. Professores instigantes, provocadores, generosos... colegas de turma e de curso companheiros, criadores, talentosos. Santa Maria vive no meu imaginário como um lugar e um tempo de criação, experimentação e descobertas artísticas. Relação de carinho e orgulho de poder dizer "eu estudei na UFSM, em Santa Maria". Minha tribo se espalhou pelo mundo, mas somos da Boca do Monte. Morei em Santa Maria de 1992 a 1996. 

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Diário - Como o senhor e sua esposa se conheceram?
Cleber -
Em Uruguaiana, na Escola Elisa Valls, durante o segundo grau. A professora Eoni Prudêncio queria montar um grupo de teatro e, entre os gatos pingados que se interessaram, estávamos nós. Três anos depois, já estudávamos em Santa Maria. Estamos juntos há 21 anos.  

Diário - O que levou o senhor a trabalhar com a técnica de manipulação de bonecos, objetos e máscaras?
Cleber -
Desde sempre, tenho uma atração misteriosa por formas artísticas onde o inanimado cria a ilusão de vida. Teatro de bonecos, de sombras, autômatos, cinema de animação. Tudo isso sempre causou em mim um fascínio muito grande. Foi a partir da primeira vez que fomos ao Festival de Teatro de Bonecos de Canela, ainda nos anos 1990, que o bichinho do teatro de animação me picou. A partir disso, começou uma febre sem trégua - lá se vão quase 30 anos de pesquisas e experimentações e 21 anos de dedicação exclusiva a essa linguagem. Na UFSM, tivemos alguns contatos com máscaras e a relação do ator com objetos era muito estudada, mas não tínhamos especificamente teatro de bonecos. Considero o teatro de animação tão importante para o treinamento e desenvolvimento do ator como a máscara neutra, por exemplo.


Espetáculo Theatro Misterioso, em Vitoria-Gastez, País Basco - Espanha, em 2017. Cleber está em cena com a esposa, Marcia, e o ator Junior Siqueira

Diário - Conte sobre a criação da Cia Mevitevendo. E por que a companhia tem esse nome?
Cleber -
Nesta escola, em Uruguaiana, reunimos um grupo de estudantes com quase nenhum conhecimento e muita vontade de fazer teatro. Essa professora nos apoiava nas ideias, nos sonhos e loucuras, mas toda a criação era feita por nós mesmos. Com esse grupo viajamos por todo o estado, participando de festivais e do movimento de Teatro Amador Gaúcho. Com o espetáculo Sincreticantígone, nossa adaptação para a tragédia grega, fomos até Brasília - coisa bem significativa para aquele pequeno grupo de estudantes que iniciava uma longa viagem. Com o Mevitevendo, nosso desejo é o público dizer: me vi no palco, me enxerguei em vocês.  

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Diário - Em 21 anos de Cia Mevitevendo, qual foi um momento marcante da sua vida profissional?
Cleber -
São muitos momentos inesquecíveis, não consigo escolher somente um. Descer no Acre e mergulhar numa floresta exuberante com seus bonecos e descobrir que consegue comunicar para um público e um lugar tão diferentes é inexplicavelmente mágico. Representar o Brasil em festivais na Espanha e Portugal nos enche de orgulho. Adentrar numa favela e se sentir conectado e oferecer possibilidade de transformação e alegria... sem comentários. 

Diário - E da vida pessoal, qual foi um momento marcante?
Cleber -
Quando entrei para Artes Cênicas na UFSM, um outro mundo se abriu bem diante dos meus olhos. Aquela turma inesquecível e aqueles professores brilhantes deixaram marcas profundas dentro de mim.

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Diário - Fora dos palcos, como o senhor costuma utilizar o tempo livre?
Cleber -
Adoro ficar em casa. Nós dois e os cachorros. E os passarinhos. E as árvores. E os sons e silêncios da mata (moramos na Serra da Cantareira). Nos dias livres, pego um livro, mexo nas plantas, desenho. E isso me basta.


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