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VÍDEO: sem competições e treinos restritos, como o esporte foi impactado pela pandemia

Projeção para 2021 é de retomada gradual para algumas modalidades. Santa Maria mantém vivo, nas Olimpíadas remarcadas, o sonho de medalha com a judoca Maria Portela

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Foto: Foto: Renan Mattos (Diário)


Foto: Renan Mattos (Diário)
Mariane dos Santos mantém rotina de treinos na Asena

Todo dia, a atleta de canoagem Mariane Santos faz tudo sempre igual. Ela acorda às 5h30min e enfrenta uma rotina regrada de treinos que começam por volta de 6h30min na Barragem do DNOS no Bairro Campestre do Menino Deus. Além de treinar na água, ela ainda frequenta academia, faz atividades de corrida e auxilia nas aulas destinadas a crianças do projeto Remar da Associação Santa-Mariense de Esportes Náuticos (Asena). Por causa da pandemia, a canoísta, assim como atletas de diferentes modalidades esportivas, enfrentou meses de restrições de treinamento e participou apenas de uma competição virtual. De disputas individuais a esportes coletivos, de competições estaduais a torneios internacionais e até mesmo a próxima Olimpíada, o ano de 2020 foi, para a maioria dos atletas, desafiador.



Mariane coleciona medalhas, uma das mais expressivas foi conquistada em um campeonato internacional em 2019 no Chile, e a atleta é uma das principais revelações do esporte santa-mariense nos últimos anos.

- Por não ter competições, seguimos só com o treinamento. Ficamos tristes com a situação, mas a saúde de todos tem que estar em primeiro lugar. O foco total está nos treinos e já temos uma competição importante em março, que é a Copa do Brasil - conta Mariane, que recebe auxílio do Bolsa Atleta do governo federal.  


Foto: Renan Mattos (Diário)

Para muitos desportistas, 2021 ainda será de incertezas. O time de futebol americano Santa Maria Soldiers, hexacampeão gaúcho e que disputa a elite da modalidade no país, também não teve nenhuma competição neste ano e sequer tem treinado desde março.

- Começamos a temporada em fevereiro, fizemos dois treinos e já suspendemos. Orientamos os nossos atletas a manterem uma rotina de atividades em casa. Não temos nenhuma perspectiva de competições e aproveitamos o ano para organizar as questões do extracampo - afirma o jogador Douglas Rodrigues.

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Antes de ter vacina para a Covid-19, Rodrigues considera praticamente impossível que ocorram partidas de futebol americano. Isso porque, conforme o protocolo de campeonatos de outros esportes que já retornaram, é necessário que todos os jogadores realizem testes para o coronavírus antes das partidas. No futebol americano, cada time relaciona para um jogo cerca de 40 atletas, além dos integrantes da comissão técnica.

Por ser um esporte amador, clubes nem federações teriam dinheiro para arcar com esses custos. Com a pandemia, o time também perdeu alguns patrocinadores, o que reduziu a receita:

- Nós entendemos as necessidades dos patrocinadores, que enfrentam uma situação econômica delicada também. Não temos como dar um retorno para eles neste momento, porque não há competição, então não tem exposição da imagem, nada. Mas, como temos uma boa relação com eles, deixamos tudo bem aberto. Alguns deixaram a parceria, mas disseram que voltariam a patrocinar assim que as competições forem retomadas.

Futebol e Futsal

Em Santa Maria, apenas o Inter-SM e o União Independente participaram de competições estaduais. O Alvirrubro chegou até a semifinal da Copa FGF de futebol, que terminou em dezembro e valia vaga na Copa do Brasil para o campeão. O União jogou a Série Ouro de futsal e caiu fora já na primeira fase, em novembro. Outro clube da cidade que costuma disputar a Série Ouro, o UFSM Futsal, optou por não participar do torneio.

- Seria um custo alto para disputar a Série Ouro. Como estamos sem atividades presenciais na UFSM, também não foi possível seguir com o projeto presencialmente. Além, é claro, da segurança sanitária, que não teríamos como garantir totalmente - disse o treinador do time, Gabriel Pranke.

Na escalada, esporte que estará na Olimpíada pela primeira vez em 2021, o santa-mariense Pedro Nicoloso participou do Pan-Americano em fevereiro. Depois, não competiu mais. Ele conta que só conseguiu seguir treinando porque usou o ginásio particular.

- Para 2021, meu objetivo é conseguir desenvolver o esporte. Embora o Brasil não tenha conseguido nenhuma vaga nos Jogos Olímpicos, esperamos conseguir alavancar a modalidade - destaca Nicoloso, que não tem previsão de participar de nenhuma competição neste ano.


Foto: Pedro Piegas (Diário)

Incentivo ao esporte

Mesmo sem competições esportivas, o Programa Municipal de Apoio e Promoção do Esporte (Proesp) seguiu em 2020. O Proesp, coordenado pela prefeitura, teve uma alteração extraordinária por causa da pandemia do coronavírus.

As entidades que elaboraram projetos que foram aprovados tiveram a oportunidade de refazê-los, uma vez que a maior parte do custo costumava ser destinada para transporte e organização de competições.

Assim, conforme Givago Ribeiro, que até 2020 foi superintendente de Esportes do município, as instituições puderam comprar equipamentos como bolas e uniformes com o dinheiro destinado a partir de impostos.

No ano passado, foram aprovados 32 projetos de 17 entidades cadastradas no Proesp. No total, foram destinados R$ 598 mil.

- Houve essa alteração na regra geral porque foi necessário fazer uma readaptação pela situação atípica (pandemia). Foi dada a chance das entidades alterarem o plano e, depois, houve a prestação de contas. Assim, mesmo não executando o projeto inicial, nenhuma equipe precisou devolver ou deixar de captar recurso - explica.

Para 2021, 20 projetos de 12 entidades foram aprovados com um valor total de cerca de R$ 410 mil.


Foto: Divulgação 

Maria Portela mantém vivo o sonho do pódio olímpico

Qual atleta não almeja disputar os Jogos Olímpicos? Nascida em Júlio de Castilhos e revelada no judô em Santa Maria, Maria Portela, 32 anos, está quase garantida em sua terceira Olimpíada, que deverá também ser a última da carreira. Para ela, a pandemia também foi um golpe inesperado no calendário.

- Eu entrei em 2020 muito determinada, preparada e, de repente, começaram a cancelar todos os eventos e, por fim, adiaram também a Olimpíada. Fiquei um pouco aflita, com toda insegurança, mas o adiamento dos Jogos me trouxe um pouco de alívio porque, dentro de um ano, eu ainda teria condições de me preparar. Meu medo era que cancelassem a Olimpíada e só acontecesse a próxima daqui a quatro anos - revela.

A "raçudinha" segue vivendo em Porto Alegre e representa a Sogipa. Assim como todos os outros atletas, Maria Portela enfrentou um período de quatro meses de isolamento, treinando apenas em casa. No final de 2020, ela conseguiu disputar duas competições: ficou em 7º no Grand Prix de Budapeste, na Hungria, e conquistou a medalha de ouro no Pan-Americano no México, seu bicampeonato neste torneio. Atualmente, ela está em 12º no ranking mundial na modalidade 70kg, sendo a brasileira melhor ranqueada. Os 18 melhores de cada categoria garantem vaga direta, respeitando-se o limite de um atleta por país em cada categoria. Se eliminar as representantes de países repetidos que estão na frente da judoca, ela ficaria em nona atualmente.

Para 2021, Maria Portela já tem uma agenda cheia. No próximo dia 8, ela embarca para o Catar onde disputa a primeira competição do ano. Em fevereiro, estará em Israel e, em março, na França. O Mundial da modalidade ocorre em junho e também é muito aguardado por ela. A lista final dos judocas classificados para as Olimpíadas sai apenas depois do Mundial, cerca de um mês antes dos Jogos Olímpicos, marcados para julho.

- Não estou 100% classificada, mas a vaga está encaminhada. Como essa será a minha última Olimpíada, quero voltar com a medalha de ouro de Tóquio. Esse é o meu objetivo de vida.

*Colaborou Janaína Wille



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