Reconhecimento

VÍDEO: santa-mariense é treinador de nova modalidade olímpica na França em 2024

Vinícius Manzon, dançarino e personal trainee, recebeu o convite para treinar a equipe brasileira de Breaking, o mais novo esporte a integrar os Jogos Olimpícos

Arianne Lima
Foto: Foto: Renan Mattos (Diário)

Foto: Renan Mattos (Diário)

Após o skate quebrar estereótipos e conquistar a admiração mundial durante as Olimpíadas 2021, chegou a vez do breaking ganhar visibilidade. Em 2024, a nova modalidade olímpica reunirá atletas do mundo todo nas competições em solo francês. E você já sabe para quem vai torcer? Saiba que Santa Maria estará representada em Paris 2024. 

A equipe brasileira de Breaking será treinada pelo santa-mariense Vinícius Manzon, 33 anos. O convite do Conselho Nacional de Dança Desportiva (CNDD) foi recebido com muito entusiasmo e a promessa de trazer bons resultados.

- Ainda não caiu a ficha, porque está sendo muito rápido. Como treinador físico, é praticamente inalcançável a aproximação com treinadores olímpicos, a não ser em eventos e conferências. E agora, eu vou estar participando diariamente dessas reuniões. Terei acesso a laboratórios e aos centros mais especializados dentro da prescrição de treinamentos. Estou extasiado com a noticia. Está sendo bem prazeroso - afirma Vinícius. 

TRAJETÓRIA

Os primeiros contatos de Vinícius com o breaking iniciaram com um projeto denominado Dança Estudante, que era ofertado pelo Colégio Estadual Manoel Ribas em 2005.

- Comecei a fazer parte do projeto por conta de professores que ministravam dança de rua. Conforme eu ia participando das aulas, ia achando mais prazeroso. Logo, comecei a ir para alguns campeonatos e trilhar o meu caminho de forma independente. Participei de dois grupos daqui de Santa Maria, nos quais acabei conhecendo algumas pessoas que praticavam a dança Breaking, que é a que prático hoje. E foi basicamente paixão à primeira vista - afirma o personal trainee.

Com 18 anos dedicados à dança, Vinícius acumula também títulos e conquistas na área. Só no ano de 2014, o dançarino conquistou o primeiro lugar na Battle In The Cypher, em Bento Gonçalves, e as primeiras colocações em duas campeonatos na Itália. A visão do breaking como treinador teve início no mesmo ano, quando o profissional, que tem bacharelado em Educação Física pela Faculdade Metodista Centenário (Fames) desde 2016, resolveu desenvolver estudos sobre o aprimoramento do treinamento de dançarinos de Breaking. 

De acordo com Vinícius, ainda este ano, já começam as primeiras atividades na função de treinador: 

- No final do mês de novembro, vou estar viajando para a França, acompanhando a delegação brasileira, onde eles vão ter o primeiro contato em um evento a nível olímpico. E o meu papel lá será acompanhar esses dançarinos, ver como serão as possíveis prescrições de treinamento e o que será necessário do meu trabalho junto com a delegação.

COMO FUNCIONARÁ 

De acordo com a vice-diretora técnica de Breaking do CNDD, Lucimar dos Santos, 42, conhecida como B-Girl Lu, as competições de breaking nas Olimpíadas de  2024 serão julgadas de forma diferente:

-O sistema normal é por apontamento. Terminou a batalha, cada jurado aponta para o lado que considera campeão, de acordo com os critérios do evento. No caso do Trivium, será usado um aparelho que cada arbitro usará para quantificar (o desempenho dos competidores). A pontuação oficial para todos os países deve chegar em março.

O Trivium é um sistema de arbitragem internacional idealizado pelo B-Boy Storm e que visa garantir a análise dos mesmos fundamentos em todas as competições. Segundo Lucimar, o sistema trabalha com três critérios: corpo, mente e alma, e a partir deles serão observados, por exemplo, a limpeza de movimentos, a realização de passos básicos do breaking e outros detalhes. 

-Existem alguns critérios que costumamos usar, mas ele (B-Boy Storm) colocou todos em um sistema só para tentar quantificar a dança como um todo. Com certeza, será bem subjetivo. A dança breaking já é subjetiva, porque uma mesma pessoa pode dançar de diversas formas a cada campeonato. Não é nada padronizado. Mesmo que a gente treine, quando chega a hora, ela (dança) sai de um jeito diferente. E um mortal pode não valer todos pontos quanto um footwork (movimento em que o dançarino fica com pés e mãos no chão e os tira do lugar durante o movimento) - argumenta Lucimar.

A CNDD ainda aguarda pelo regulamento olímpico, que é produzido e finalizado pelo Word Dance Sport Federation (WDSF), para dar mais detalhes. Mas, Lucimar já adianta que o Brasil conhecerá a equipe oficial de Breaking a representar o país em Paris a partir de etapas de ranqueamento.


EXPECTATIVA
A participação do breaking nas Olimpíadas deve chamar a atenção do público, permitindo especialmente a reflexão sobre uma dança, muitas vezes, marginalizada:

-Eu acredito que assim como o skate e o surf, a entrada do breaking é para trazer esta questão mais moderna e também para quebrar o estereótipo que se criou aqui no Brasil e na América - comenta Vinícius.

Segundo Lucimar, o esporte promete dar uma lição sobre união e espírito esportivo, características muito presentes em todas as competições já realizadas.

-A minha expectativa é positiva, porque diferente das outras modalidades que já são esportes, no breaking, e isso você irá perceber e assistir, o pódio nunca é para um - afirma ela, ressaltando que é comum que os adversários aplaudam uns aos outros, reconhecendo os esforços alheios.

B-Boys e B-Girls pelo mundo já esperam pelos próximos avanços da dança em âmbito olímpico. E Lucimar não descarta a possibilidade da modalidade abrir espaço para mais segmentos: 

-Essa expectativa de união, especialmente da cultura, é algo que vai abrir portas para outras modalidades também de danças desportivas ou para outros esportes que ainda não são olímpicos.

DICIONÁRIO

Até às Olimpíadas de 2024, nomes de passos e outros termos do breaking irão surgir nas mídias. Em entrevista, Vinícius e Lucimar falaram sobre Crew, Footwork, Power Moves e muito mais. Saiba o que são:

  • B-Boy ou B-Girl - Termos usados para denominar homens e mulheres que se dedicam e praticam o Breaking
  • Crew - Termo usado para se referir a equipes ou grupos
  • Footwork - Sequência de passos feitos no chão
  • Power Moves - Movimentos que mesclam dança, velocidade e acrobacias
  • Toprock - Sequência de passos feitos em pé. Normalmente, antecede o Footwork
  • Freezes - Movimentos de dança que, quando atingem determinada posição, transmitem a idéia de congelamento
  • Tricks combos - Sequência de duas ou mais Freezes ou de movimentos de grande impacto






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