20 anos do diário

VÍDEO: a história do menino que virou torcedor número 1 do Santa Maria Soldiers

A campanha de 20 anos do Diário relembra histórias que marcaram as duas décadas do jornal. Lorenzo de Vargas Martinetto sensibilizou a todos com a sua relação com o futebol americano

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Foto: Foto: Renan Mattos (Diário)


Foto: Renan Mattos (Diário)
Os pais Cristiane e Sandro guardam as lembranças de quando Lorenzo realizou sonhos

Jogadores de futebol americano só faziam parte do imaginário do pequeno Lorenzo de Vargas Martinetto. Ele jogava videogame e ficava encantado com a força dos atletas que derrubavam seus adversários, atravessavam o campo correndo e arremessavam a bola a longas distâncias para marcar pontos. Até que um dia foi surpreendido com a visita de um grupo de atletas fardados com capacetes, ombreiras e uniforme verde e preto. Foi aí que surgiu a amizade entre o menino e o Santa Maria Soldiers, o time de futebol americano da cidade. Com seu sorriso sincero e empolgação genuína, mesmo em meio a um difícil tratamento contra um câncer no cérebro, o garotinho de 6 anos virou o torcedor número 1 do Soldiers, em uma relação que o ajudou a enfrentar o tratamento e também foi combustível para as principais conquistas da equipe de futebol americano nos últimos anos.


A história começou com profissionais de saúde do Hospital de Caridade Astrogildo de Azevedo, onde o pequeno estava internado. Eles descobriram que Lorenzo tinha um fascínio pelo esporte da bola oval. Certo dia, o relato chegou até o Diário, que intermediou o primeiro encontro, em maio de 2016. Desde então, as visitas passaram a ser periódicas, até novembro de 2017, quando, após dois anos de batalha contra o câncer, Lorenzo não resistiu.

Os pais Cristiane e Sandro de Vargas Martinetto ainda guardam as lembranças da relação entre o filho e o Soldiers, embora ainda seja difícil olhar para os objetos. Na última terça-feira, o casal recebeu o Diário na casa onde vive, em Santiago, e relembraram momentos de alegria. Com recortes de jornal e um quadro que receberam de presente, os dois não conseguiram segurar a emoção.

- Sabe que na noite passada eu sonhei com o Lorenzo. Para a gente, não é um tabu falar sobre ele. O Lorenzo não está mais presente fisicamente conosco, mas sempre vai fazer parte da nossa família. Ainda sentimos uma dor profunda e todos os dias tentamos conviver com a ausência dele - relata Cristiane.

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Após a morte de Lorenzo, Cristiane e Sandro voltaram para Santiago. Eles haviam se mudado para Santa Maria em dezembro de 2015, quando o menino foi diagnosticado com o câncer, para facilitar o tratamento, já que havia necessidade de internação por alguns períodos. O casal também tem outro filho, Lucas, de 21 anos, que mora em Quaraí.

- Eu procuro não pensar muito nele. Agora, estava olhando as fotos, e já me emocionei de novo. Sempre que eu lembro dele, lembro de alegria. Ele era uma criança muito feliz, e continua sendo, onde quer que esteja. Mas logo depois das lembranças, vem a ausência, a saudade, a angústia - afirma Sandro.


Foto: Gabriel Haesbaert (Diário)
Lorenzo recebeu uma medalha de campeão gaúcho

CONVIVÊNCIA COM O TIME DEU FORÇAS
A história de Lorenzo ganhou repercussão no Rio Grande do Sul e também em território nacional. Para a família, nunca foi um problema. Tudo o que queriam era ver o garoto feliz.

- Tudo o que trazia alegria para ele era muito positivo. E a relação com os meninos dos Soldiers foi maravilhosa nesse sentido. Nós deixávamos ele muito à vontade, não interferíamos muito - conta a mãe.

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Cristiane lembra também que o maior desejo do filho era assistir a um jogo de futebol americano em um estádio. O desejo foi realizado em julho de 2017, na final do Campeonato Gaúcho daquele ano, quando o Soldiers conquistou o seu quarto título estadual. Lorenzo entrou em campo antes da partida e marcou um "touchdown" (maior pontuação do futebol americano) simbólico.

- Ele sempre estava com a imunidade baixa, por isso não podia ir num estádio. Explicamos isso, e ele começou a ter um grande incentivo para melhorar. Ele falava: "mãe, estou melhorando a minha imunidade para ver o Soldiers" - recorda. 


Foto: Rodrigo Nenê (Diário)
Ricardo Daronch e Diogo Hartz se tornaram grandes amigos de Lorenzo

COMBUSTÍVEL PARA AS PRINCIPAIS CONQUISTAS

A relação entre Lorenzo e o Soldiers iniciou às vésperas do Gigante Bowl, a final do Campeonato Gaúcho de 2016, realizada no Estádio Beira-Rio, e um dos maiores eventos de futebol americano já realizados no Brasil. Isso serviu de combustível para os atletas, que dedicaram o título após a vitória sobre o Juventude FA ao mascote do exército verde e preto. Logo depois da conquista, os jogadores voltaram à casa do pequeno para presenteá-lo com uma medalha do título e também uma camisa com o número 52 às costas, o mesmo do seu jogador preferido, Ricardo Daronch, o "China". A camisa foi junto do caixão de Lorenzo no seu enterro. 

- Como meu apelido era fácil de lembrar, ele sempre falava do "China". Em um dos nossos encontros, ele sentou no meu colo, ficou mexendo no meu capacete. Ele gritava "Soldiers, Soldiers, Soldiers". Isso tudo nos motivava muito. Nós somos atletas amadores. Ver alguém que se inspira na gente, ver que somos importantes a ponto de uma criança querer se curar só para poder assistir a um jogo nosso, isso é uma responsabilidade muito grande e uma alegria também. Sempre buscamos fazer todo o possível para aliviar um pouco esse sofrimento do Lorenzo - destaca Daronch.

Desde aquela oportunidade, a relação entre o torcedor e alguns jogadores, como Daronch, e com o então presidente do time, Diogo Hartz, ficou fortalecida. Após a morte de Lorenzo, os dois receberam casaquinhos feitos pela avó do garoto, peças que ainda guardam com carinho. 

- Só tenho lembranças boas dele. Lembro dele sorrindo, sempre torcendo. Ele estava nesta luta difícil contra um câncer e, ainda assim, estava sempre feliz. Isso fez com que quiséssemos lutar ainda mais em campo por ele. Até hoje tenho contato com a família - relata Diogo.

Foi no colo do amigo Diogo Hartz que Lorenzo marcou o touchdown quando foi assistir à partida, no Estádio Presidente Vargas. No final, também no colo do presidente, ele ainda levantou o troféu do título. No dia do velório, os jogadores foram até Santiago prestar a última homenagem. 

A história do torcedor número 1 e do Soldiers, que teve todos os seus capítulos contados nas páginas do Diário, foi muito além do esporte. Ajudou Lorenzo a encarar a difícil batalha contra o câncer de uma forma mais leve e, ao mesmo tempo, deu incentivo para o time buscar as suas principais conquistas. 

A CAMPANHA

  • A iniciativa, que começou em 26 de junho, vai marcar as duas décadas de circulação do Diário: são 20 anos transformando vidas e mudando realidades
  • A cada mês, até chegar aos 20 anos, em 19 de junho de 2002, as páginas vão mostrar histórias de quem teve as trajetórias marcadas pelo Diário
  • São pessoas, empresas, projetos e sonhos que ocuparam as páginas do Diário e espaços que se transformaram a partir deles
  • É a comunidade dando testemunho do quanto um veículo de comunicação sério e comprometido com o interesse público contribui para o desenvolvimento da cidade e da região

O touchdown que inspirou e transformou
Já escrevi reportagens sobre frio, fome, drogas e outros infindáveis dramas sociais. Participei de coberturas marcantes, como o incêndio na boate Kiss, quatro campanhas eleitorais e, agora, da pandemia. Mas tem uma história a qual guardo um apreço gigantesco, do tamanho do que representa o personagem principal: Lorenzo. A conexão estabelecida em 2016 pelo time de futebol americano de Santa Maria e o torcedor resultou não só em uma bonita amizade, mas, também, mudou a vida de quem verdadeiramente mergulhou nessa relação. A luta do menino que combatia um câncer e conquistou aliados importantes em meio à batalha, estampou as páginas do jornal, ganhou reportagens de TV Estado afora e até virou manchete. Mesmo que por breves temporadas, a superação diária e o sorriso no rosto do pequeno soldado deixaram marcas importantes em todos que o cercaram: familiares, amigos e até mesmo em quem contou a história. Aos pais do Lorenzo, Cristiane e Sandro, hoje imagino o quão difícil deve ser não ter mais a presença física dele junto a vocês. Mas saibam que ele é muito mais do que um símbolo. Lorenzo foi, é e continuará sendo inspiração. E, quando o dia está difícil, olho para o quadro ao lado e lembro de tudo o que ele enfrentou até que conseguisse realizar um dos seus sonhos: assistir a um jogo do Soldiers no estádio e fazer um "touchdown". (Pedro Pavan - Repórter que contou a história de Lorenzo)



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