esporte olímpico

Inspiradas em atletas olímpicas, skatistas de Santa Maria pedem valorização do esporte

Na última segunda-feira, Rayssa Leal conquistou a prata no street feminino. No outro lado do planeta, a principal demanda é por locais apropriados para a prática

Leonardo Catto

Foto: Renan Mattos (Diário)

A madrugada de segunda-feira se iniciava no Brasil, e uma menina de 13 anos representava o país na primeira vez no skate olímpico. A medalha de prata vai voltar ao país no peito de Rayssa Leal, chamada carinhosamente de "Fadinha". Em Santa Maria, skatistas inspiradas por ela e as demais atletas olímpicas, como Pâmela Rosa e Letícia Bufoni, pedem valorização e espaços adequados para o esporte na cidade.


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Julia dos Santos da Motta, 16 anos, anda de skate há quase um ano e meio. Em Tóquio, ela tinha os preferidos para quem torcia. Além da medalhista Rayssa, estavam Pâmela Rosa, o também pódio Kelvin Hoefler e Felipe Gustavo. Quando a menina morava em Passo Fundo, ela começou a praticar o esporte com a irmã. No começo de 2020, as duas se mudaram para Santa Maria,e a prática teve uma pausa.

- Nós andávamos todos os dias nas pistas que ficam lá, são muito boas. Aqui não tem a mesma estrutura para skatistas. Fiquei sabendo do Bora Skatear por uma amiga. Eu costumo andar ali no Mallet - conta Júlia, sobre o projeto de aulas promovido três vezes por semana na Praça do Mallet.

Foto: Renan Mattos (Diário)

A amiga de Júlia é Valentine Valenti, 14 anos. A máxima de que o skate é uma família é algo que tem a fé da menina. Porém, para além do acolhimento, ela almeja se inserir no esporte competitivo.

- Eu gostaria de me tornar uma atleta. Às vezes eu me vejo andando profissionalmente. Se não der, eu faço o skate como um hobbie - planeja Valentine.

Valentine é a responsável por incentivar as irmãs a retomar a prática do skate. O lado competitivo pode ser deixado de lado, e aí o que poderia ser apenas um esporte se torna um estilo. Lado a lado, Valentine, que almeja o esporte, faz manobras e incentiva Amanda, que prefere encarar o skate como lazer.

- Eu até gostaria de me tornar atleta, mas não sei, acho que estou meio velha - afirma em meio a um riso.

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SKATE É FAMÍLIA
As três meninas se juntam à Ani Isabeli Cauduro Pegoraro, 16 anos, no projeto Bora Skatear. Antes mesmo dos Jogos, Ani já tinha torcida declarada pelos atletas olímpicos Rayssa e Felipe Gustavo. Além da competição em Tóquio, ela torce pelo fortalecimento da modalidade, por vezes vista sob maus olhos.

- Skate é tipo uma família para mim. Não importa se tu não conhece as pessoas. Quando tu chega no lugar com o skate na mão, o pessoal te recebe muito bem, sempre tem muito acolhimento e união, um sempre ajudando o outro, se apoiando - diz Ani.

POTENCIAL
O que é ao mesmo tempo exaltado é um lamento para Santa Maria. A cidade reúne uma grande comunidade de skatistas. Porém, os espaços destinados à prática não dão conta da demanda. Há pistas no Centro Desportivo Municipal (CDM), no Ginásio do Oreco, no Bairro Tancredo Neves, e no Centro de Artes e Esportes Unificados, no Bairro Nova Santa Marta. Nenhuma delas cumpre requisitos para sediar competições, segundo a Nova Associação de Skate de Santa Maria.

O presidente da associação, Richard Chagas Garcia, 20 anos, é idealizador do Bora Skatear. O projeto foi criado com intenção de incentivar, acima de tudo, a diversão sobre as rodinhas.

- A gente quer um local para se divertir. Todo mundo anda junto. As pistas são iguais, não são em padrão de campeonato, até para treinar. Andamos na rua, às vezes onde a gente vai andar é proibido. Isso repercute por não ter uma pista favorável - opina.

Foto: Renan Mattos (Diário)

Atualmente, as obras do Parque Itaimbé têm prevista a construção de uma pista de skate. Por enquanto, como reflexo da estrutura, Richard acredita que o potencial competitivo da cidade não é bem aproveitado. Entretanto, a expectativa é positiva para o futuro.

- Eu vejo muita possibilidade de, daqui a cinco anos, sair o primeiro profissional de Santa Maria. E já era para ter acontecido, porque o pessoal que me ensinou a andar já andava muito, mas por falta de oportunidade, local para andar, nunca rolou tudo isso - argumenta.

Não tem regra para definir quem é ou não skatista. Pela lógica de Richard, quem se diverte em cima de um skate já pode ser classificado como tal.

No Japão, do lado de fora do Parque e Esportes Urbano de Ariake, onde Rayssa Leal conquistou a prata no skate street feminino, crianças japonesas ensaiavam manobras inspiradas em Momiji Nishiya, 13 anos, e Funa Nakayama, 16 , que ficaram com ouro e bronze, respectivamente. As pequenas são o futuro do esporte no país sede da Olimpíada. Por aqui, quem se diverte em cima de um skate, também almeja ser uma futura Rayssa ou um Kelvin Hoefler, ambos medalhistas de prata em Tóquio pelo Brasil.

Foto: Renan Mattos (Diário)

PRÓXIMA COMPETIÇÃO
A equipe brasileira volta ao skate da Olimpíada na próxima terça-feira. Mas será na modalidade park, em que a disputa é em uma espécie de piscina vazia, além de contar com elementos do street, como corrimões.

Na categoria feminina, as classificadas são Dora Varela (9º no ranking mundial), Isadora Pacheco (11º) e Yndiara Asp (14º). No masculino, os brasileiros são Luis Francisco (3º colocado no ranking mundial), Pedro Barros (4º) e Pedro Quintas (10º).

Skate Park em Tóquio
Horário de Brasília

Terça, 3 de agosto, 21h

  • Classificatória feminina

Quarta, 4 de agosto, 0h30min

  • Final feminina

Quarta, 4 de agosto, 21h

  • Classificatória masculina

Quarta, 4 de agosto, 0h30min

  • Final masculina


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