reportagem especial

Com 2,3 mil pessoas que vivem e tratam HIV, desafio é a prevenção e fim do preconceito

A abertura do Dezembro Vermelho e o Dia Mundial de Luta contra a Aids, no dia 1º, aprofundam o debate em programações e campanhas

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Foto: Fotos: Renan Mattos (Diário)

Fotos: Renan Mattos (Diário)

É preciso insistir: a prevenção e o fim do preconceito seguem, unanimemente, sendo as principais formas de conter a transmissão do vírus HIV. A abertura do Dezembro Vermelho e o Dia Mundial de Luta contra a Aids, no dia 1º, aprofundam o debate em programações e campanhas.

O Coração do Rio Grande conta com uma rede de profissionais e espaços para o tratamento do HIV/Aids que incluem o trabalho da Casa Treze de Maio, do Hospital Universitário de Santa Maria (Husm), além de consultórios particulares. Porém, o que preocupa é a constatação de que, embora a mortalidade por Aids tenha caído, os números de detecção seguem aumentando.

- Existe um maior conhecimento, maior distribuição de medicamentos e um trabalho cada vez mais efetivo para manter a terapia. Então, porque o número de casos cresce a cada dia? Dois são os fatores principais, a meu ver: o primeiro, é que muitas pessoas ainda têm medo de realizar o exame diagnóstico e, segundo, houve uma maior despreocupação com a implementação de medidas preventivas, especialmente pelo baixo índice do uso de preservativos. Diria que houve uma banalização da importância do uso da camisinha - avalia o infectologista e professor da Universidade Franciscana (UFN) Thiego Cavalheiro.

Entenda a importância do diagnóstico e do tratamento


Os números falam por si. Conforme o Sistema de Informações de Agravos de Notificação (Sinan), entre os municípios com mais de 100 mil habitantes de todo o Brasil, Santa Maria ocupava a 35ª posição no país, em 2018. A cada mês, 15 novos pacientes começam o tratamento e retiram a medicação no Husm. Somente em 2019, 155 pessoas foram diagnosticadas e fazem acompanhamento na Casa Treze.

Enquanto a medicina avança, o estigma permanece. O preconceito dificulta a política de prevenção .

- No mês de outubro, foram 215 testes aqui na Casa. É muito pouco diante da população da cidade. Toda população que está com vida sexual ativa deve fazer a testagem, que é de graça e tem em qualquer unidade de saúde, além daqui da Casa Treze, onde temos um local adequado e sigiloso - argumenta Julia Zancan Bresolin, enfermeira da Casa Treze.


Foto: Pâmela Rubin Matge (Diário)

Hoje, o município atende, em média, 1,4 mil homens e 900 mulheres que vivem com HIV. Na Casa Treze, cerca de 852 são acompanhados. Em 2018, o número de pessoas com carga viral indetectável foi de 1.093 (considerando as 1.758 pessoas que realizaram o exame). Considera-se indetectável o usuário que faz o tratamento corretamente e que tem a carga viral menor de 50 cópias do vírus por ml, ficando intransmissível. Neste ponto, a cidade está bem colocada, pois a meta da Organização Mundial da Saúde (OMS) é atingir 90% de carga viral indetectável. Porém, é preciso manter o alerta para proteção.

- Houve aumento da incidência de outras doenças sexualmente transmissíveis. Nunca se viu tantos casos de sífilis em Santa Maria. Também, hepatite B, hepatite C e gonorreia, fato que nos serve como alerta devido ao impacto que estas doenças trazem ao organismo. Precisamos sensibilizar a todos que o HIV se trata, sim, de uma patologia que exige um cuidado extremado. Medidas preventivas devem ser discutidas cada vez mais no ambiente familiar, escolar e social - afirma Thiego.

ASSISTA AO VÍDEO E A ENTREVISTA COMPLETA COM O INFECTOLOGISTA THIEGO TEIXEIRA CAVALHEIRO

NA CASA TREZE DE MAIO

NÃO EXISTE VÍTIMA NEM AGRESSOR
Paradoxalmente, o anonimato expõe o quão presente o preconceito está em todos os círculos sociais, assim como acaba sendo uma autodefesa de quem já sofreu alguma situação discriminatória.

Quando Vitor*, 28 anos, descobriu que era soropositivo, há cerca de um ano, a notícia o deixou desatinado. Os sintomas começaram com dor abdominal e manchas pelo corpo. O exame apontou leucopenia (redução no número de leucócitos) e presença do HIV. Ele sentiu medo de morrer, medo de decepcionar quem ama, mas principalmente, o medo do olhar alheio.

_ Todo preconceito que existe dentro de ti, tu acabas reproduzindo inconscientemente, porque tu cresceu ouvindo coisas naquela pedagogia do medo. A sorofobia, até por quem se descobre com HIV, vira um fator de exclusão.

Hoje, em tratamento e com carga viral indetectável, persegue a cura do preconceito, milita pela boa informação e ressalta que é primordial falar sobre vida sexual _ dos cuidados aos riscos: 

- É preciso falar na escola, dentro de casa, com os amigos. Quantas pessoas saem das suas cidades repletas de tabus e quando têm liberdade não sabem usufruí-la? Talvez, eu tenha sido uma delas, mesmo com todas as oportunidades que tive.

Com dois comprimidos por dia, a rotina segue normal. Vitor diz ocupar um lugar de fala de privilégio, pois é branco, classe média, tem ensino superior e teve todo apoio de amigos e familiares quando recebeu o diagnóstico, e reforça que o HIV não escolhe cor, classe social ou escolha sexual. Todos correm o mesmo risco.

- Não existe vítima, nem agressor. Existe prevenção. Se acontecer, é importante que qualquer pessoa saiba que é possível termos um atendimento público, organizado e respeitoso, seja para gays como eu, idosos, adolescentes, profissionais do sexo. O atendimento humanizado que temos na Casa Treze e a retirada de medicamentos na farmácia do Husm com profissionais maravilhosos, são exemplos de que não estamos sozinhos - diz o jovem.

*O nome é fictício para proteger a identidade do entrevistado

SANTA MARIA É 35ª NO RANKING NACIONAL DE CASOS


Foto: Renan Mattos (Diário)

Há duas décadas, o Grupo de Pesquisa Cuidado à Saúde das Pessoas, Famílias e Sociedade (GP-Pefas) é referência em HIV/Aids. Vinculado ao Departamento de Enfermagem da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), e certificado desde 1998, contempla projetos de extensão e pesquisa em temas: HIV; violência contra mulher; aleitamento materno; segurança alimentar, principalmente na população de crianças e adolescentes.

Segundo o Pefas, com base em dados no Departamento de Doenças de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis (DCCI) do Ministério da Saúde, a cidade apresenta um indicador desfavorável para o HIV em relação ao ranking* que leva em consideração os municípios com mais de 100 mil habitantes de todo o Brasil. No último levantamento, em 2018, a cidade ocupava 35º lugar. Um cenário longe do ideal, mas ainda melhor do que o ano de 2014, quando a cidade ocupou a 10ª posição.

- É necessário que as campanhas sensibilizem para o uso de preservativo e que promovam a proteção combinada: uso de preservativo, PEP,  PrEP, adesão ao tratamento, promovendo a supressão viral (número mínimo de HIV no sangue) para que não haja transmissão I=I (significa Indetectável = Intransmissível) - acrescenta Marcelo Ribeiro Primeira, aluno do doutorado e integrante do Pefas.

 Em 2018, último ano do levantamento,  entre as 10 primeiras, seis eram do Rio Grande do Sul. (1º Rio Grande, 2°Porto Alegre, 3º Novo Hamburgo, 4º Belém, 5º Alvorada, 6º Itajaí /SC, 7º Uruguaiana, 8º Camaragibe, 9º Canoas, 10°Posso do Luniar)

*O ranking considerou 7 itens: (1) Taxa média de detecção de Aids na população geral nos últimos 3 anos. (2) Variação média anual da taxa de detecção de aids na população geral nos últimos 5 anos. (3) Taxa média de mortalidade por aids na população geral nos últimos 3 anos. (4) Variação média anual da taxa de mortalidade por aids na população geral nos últimos 5 anos. (5) Taxa média de detecção de Aids em menores de 5 anos nos últimos 3 anos. (6) Variação média anual da taxa de detecção de aids em menores de 5 anos nos últimos 5 anos. (7) Média calculada após transformação logarítmica

20 ANOS DE PEFAS
Diversos acadêmicos, mestrandos, doutorandos e professores contribuíram para o desenvolvimento do Pefas nesses 20 anos de atuação. Atualmente,integram o grupo acadêmicos de Enfermagem, Fisioterapia e Medicina. Também há mestrandos e doutorandos do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da UFSM. A liderança do grupo é compartilhada pelas professoras Stela Maris de Mello Padoin e Cristiane Cardoso de Paula, ambas enfermeiras.

Trabalhos realizados

  • Avaliação da capacidade familiar para cuidar de crianças expostas ao HIV no Rio Grande de Sul 
  • Avaliação da capacidade familiar para cuidar de crianças expostas ao HIV ] 
  • Processo de revelação do diagnóstico de HIV à criança 
  • Revelação do diagnóstico de HIV ·
  • Avaliação da atenção primária à saúde das mulheres com HIV 
  • · Avaliação da atenção primária à saúde das crianças, adolescentes e gestantes com HIV
  • Adesão ao tratamento antirretroviral do HIV: intervenção e controle-  (o mais recente) - Feito um ensaio clínico randomizado, para avaliar se o envio de mensagens de texto auxiliam na adesão ao tratamento para o HIV. Foram avaliados o suporte social, a qualidade de vida, a autoeficácia para cumprir o tratamento e a adesão propriamente dita.
  • Fatores associados à adesão ao tratamento antirretroviral de adultos com HIV [
  • Adolescentes HIV: demandas da sua necessidade especial de saúde [
  • Indicadores de vulnerabilidade de adultos e idosos na adesão ao tratamento anti-retroviral em serviço de referência de Santa Maria/RS 
  • Impacto da adesão ao tratamento anti-retroviral em crianças e adolescentes na perspectiva da família da criança e adolescentes nos municípios de Porto Alegre e Santa Maria/RS 
  • Vulnerabilidades de adolescentes ao HIV 
  • Vulnerabilidades de crianças ao HIV 

PIONEIRISMO PARA ENFRENTAR A INFECÇÃO
Pioneira em políticas de HIV/aids em Santa Maria, a enfermeira e professora da Universidade Franciscana (UFN) Martha Souza preocupa-se com o crescente número de detecção e vê um filme passar à cabeça. Formada em 1984, saiu do Coração do Rio Grande e, 1996, atendeu o primeiro paciente com Aids no Paraná. Ele estava em estágio terminal e foi a óbito.

- Aquilo marcou muito minha trajetória profissional e, a partir dali, eu decidi estudar e trabalhar com HIV/Aids, principalmente tentando combater o preconceito que foi muito forte nesse primeiro caso. No município de Assis Chateaubriand(PR), criamos uma comissão de prevenção e um programa de rádio ao vivo para que as pessoas, de forma anônima, pudessem tirar dúvidas - lembra Martha. 

Cedida à Secretaria de Saúde de Santa Maria, Martha retornou em 1995. Por aqui, eram 190 casos. Mesmo com verbas escassas, ela criou a Comissão Municipal de Controle à Aids. Campanhas, rifas e trabalho voluntário - como a venda de rosas na rua por ela e outras colegas -, tudo era revertido na compra de material informativo e preservativos.

Em 1999, tornou-se consultora do Ministério da Saúde no Consórcio Intermunicipal de Saúde. Em 2006, com recursos do Ministério da Saúde, foram viabilizadas capacitações para professores e trabalhos junto a salões de beleza, caminhoneiros, profissionais do sexo, e população LGBT. Foi de Santa Maria, o primeiro projeto itinerante de redução de danos do HIV/Aids no país. Consistia em ir às ruas e orientar usuários de drogas injetáveis acerca do compartilhamento de seringas, o que reduziu o número de infectados. A iniciativa rendeu diversos prêmios, os quais foram apresentados em congressos de todo Brasil e países como México e Cuba.

- Fomos exemplo de prevenção e no tratamento na década de 1990. Em 1996, tivemos os medicamentos fornecidos pelo SUS. Porém, na última década, percebe-se um relaxamento na prevenção, talvez, devido ao acesso aos antirretrovirais. É importante ressaltar que não temos a cura, e o preconceito continua. E eu até acredito na cura da Aids, mas, infelizmente, não acredito na cura do preconceito - lamenta. 

"APRENDI A GOSTAR MAIS DE MIM"


Fotos: Renan Mattos (Diário)

A descoberta do diagnóstico de HIV para Natália*, 24 anos, foi imediatamente seguida de uma renovação pessoal. Foi aos 22 anos que a jovem realizou o teste após saber que o namorado também era soropositivo. O receio foi inegável, mas o enfrentamento da situação foi maduro e sem alardes. Aliás, hoje, com carga viral indetectável e à espera do primeiro filho, prefere se manter em silêncio.

- Procurei a Casa Treze e fiz a testagem rápida. Recebi o melhor atendimento possível. No início, teve adaptação à medicação, mas, hoje, tenho uma vida normal, estou saudável e veja: grávida. Lá, desmitificaram tudo. Não pensei: vou morrer amanhã, não é chernobil. Ao contrário, renasci. A gestação foi planejada. O bêbe está bem e sem HIV. Passei a me tratar, a me alimentar melhor. Minha vida começou de novo e aprendi a gostar mais de mim. Minha família e meus amigos não sabem. Meus pais são de outra geração, e respeito isso. Eu não quero contar, eu acho melhor assim. Fazê-los entender vai ser muito mais doloroso - conta.

O que surpreendeu Natália e o companheiro foi lidar com o preconceito de alguns profissionais de saúde. Ele, no ano passado, passou por constrangimentos em uma unidade de saúde de Santa Maria. Neste ano, quando ela começou a fazer o pré-natal, também se deparou com uma situação desrespeitosa. O casal não quis informar os locais.

- Preferi não fazer denúncia. Fiquei tão triste, fui tratada como se estivesse suja. O que importa é que, hoje, estou bem assistida. Aqueles profissionais devem ser a exceção. Ao contrário, na Casa Treze, entendi o que é o tratamento humanizado. Entendi que a prevenção começa na conversa,e que as pessoas têm de perder o medo de ir ao médico. Não é fácil, nunca vai ser, mas não é o fim do mundo. Valorize o profissional que te valoriza. Se conhecer alguém, apoie essa pessoa, vá junto fazer o teste - aconselha.

*O nome é fictício para proteger a identidade da entrevistada.

PREVENÇÃO E MEDICAÇÕES 


Foto: Diário

O vírus HIV ataca  linfócito TCD4, responsável pela defesa do organismo. A medicação é usada para diminuir a carga viral. A Organização Mundial da Saúde (OMS) ressalta, ainda, estratégias de prevenção combinada. Isso inclui o uso do preservativo e de gel lubrificante, Profilaxia Pós-Exposição (PEP), Profilaxia Pré-Exposição (PrEP), testagem rápida regular, além de diagnosticar e tratar todas as pessoas com HIV ou com infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) e hepatites virais para redução de danos, o que pode prevenir a transmissão vertical (mãe para o filho)

Médico fala do cenário do HIV em Santa Maria


    Na cidade, os usuários diagnosticados com HIV/Aids retiram medicamentos de forma gratuita, no Hospital Universitário de Santa Maria (Husm).

  • PEP - A Profilaxia Pós-Exposição (PEP) ao HIV é um método de prevenção de urgência que consiste no uso de antirretrovirais por 28 dias para reduzir o risco de adquirir o vírus. É utilizada após situação em que exista risco de transmissão, como relação sexual desprotegida, violência sexual e acidente ocupacional (exemplo: instrumentos perfurocortantes). Nos casos de acidente e relação sexual desprotegida, o atendimento é no Pronto-Atendimento Ruben Noal e Patronato ou Unidade de Pronto-Atendimento (UPA), preferencialmente nas primeiras seis horas após a exposição (para melhor eficácia do tratamento), e no máximo em 72h após. A PEP pode ser utilizada a cada seis meses. Em caso de violência sexual, a recomendação é procurar o Husm
  • Prep - A Profilaxia Pré-Exposição ao HIV é um método de prevenção à infecção pelo HIV. Consiste no uso diário de medicamento com o propósito de prevenir a transmissão do HIV antes do contato com o vírus. A Prep ainda não está disponível em Santa Maria. No Estado, é dispensada em Caxias do Sul, Gravataí, Lajeado, Novo Hamburgo, Rio Grande, Santa Rosa, São Leopoldo, Sapucaia do Sul, Cachoeirinha, Canoas, Esteio, Pelotas, Porto Alegre, Santiago, São Borja e Viamão 
  • Uso contínuo - No Husm, atualmente, os mais dispensados são dolutegragir, tenofovir mais lamivudina


O ENDEREÇO PARA TRATAR E ACOLHER


Fotos: Renan Mattos (Diário)

É na Casa Treze de Maio, situada na Rua Riachuelo, 364, onde é oferecido o Serviço de Assistência Especializada (SAE) e onde funciona o Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA), que os santa-marienses podem sentir-se acolhidos. Lá são feitas testagens rápidas para HIV, hepatites B e C e Sífilis e o acompanhamento dos usuários com HIV e hepatites B e/ou C. O atendimento é de segunda a sexta-feira, das 7h30min às 11h30min e das 13h às 16h30min, com exceção das quartas-feiras de manhã. As Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e Estratégias de Saúde da Família (ESFs) também disponibilizam, pelo SUS, os testes rápidos de HIV, sífilis, hepatites B e C. Para fazer o teste é utilizada uma pequena quantidade de sangue do dedo e o resultado sai em até 30 minutos. Se o resultado for positivo para alguma dessas infecções, o tratamento será devidamente encaminhado.

Segundo a Superintendência de Comunicação da prefeitura, a Política HIV/Aids, ISTs e hepatites virais também atua por meio de campanhas de prevenção, mutirões de testagem rápida, rodas de conversa nas escolas da rede pública, testagem com a população privada de liberdade e capacitação de profissionais.

 ENFERMEIRA FALA SOBRE A IMPORTÂNCIA DO TESTE RÁPIDO


HUSM RECEBE 15 NOVOS CASOS A CADA MÊS

A única Farmácia de Terapia Antirretroviral a dispensar medicamentos antirretrovirais para as Pessoas que Vivem com HIV (PVHIV) em Santa Maria é a do Husm, sendo referência para mais de 30 cidades da 4ª Coordenadoria Regional de Saúde (CRS). Em média, são atendidos 1.406 pacientes por mês. O total de PVHIV em tratamento, até 28 de novembro, era de 2.196. Dos pacientes em tratamento, 96% deles têm ótima adesão ao tratamento e estão com a carga viral indetectável.

- Nosso cenário é favorável, uma vez que nossa rede de atenção às PVHIV superou a meta da Unaids, que é atingir carga viral indetectável, até o ano de 2020, em 90% dos pacientes em tratamento - informa a farmacêutica responsável, Laura Vielmo.

Quando o paciente chega até a farmácia para iniciar o tratamento de HIV, também é acolhido, recebe informações e medicamentos. Em geral, são atendidos no ambulatório de infectologia do Husm pacientes encaminhados pela rede básica após o teste de triagem de HIV pelo sistema de regulação. A exceção é quando são diagnosticados durante uma internação.

NO BRASIL, 135 MIL TÊM HIV E NÃO SABEM


Foto: Rodrigo Nenê (Diário)

A evolução do tratamento nos últimos 20 anos e a maior abrangência de pacientes recebendo a medicação desde 2014 no Brasil, fez com que houvesse uma diminuição drástica na mortalidade relacionada ao vírus HIV. O fato tem sido concebido como um grande acontecimento da medicina moderna, conforme menciona o médico infectologista e professor da Universidade Franciscana (UFN), Thiego Teixeira Cavalheiro. 

Em contrapartida, o médico atenta que o número de casos novos - chamado incidência - não para de aumentar. Estimativas mundiais sugerem que até 2018, no âmbito mundial, haviam aproximadamente 44 milhões de pessoas infectadas pelo vírus e, destes, 8 milhões nem sequer sabem ser portadores, ou seja, não foram submetidos a realização do exame diagnóstico. Já no Brasil, estima-se, segundo dados do Ministério da Saúde, divulgados no dia 29 de novembro, 830 mil pessoas vivendo com HIV, sendo que 135 mil não sabem. Em Santa Maria são acompanhados aproximadamente 2,2 mil pacientes.

- Apesar de estarmos em um momento melhor, ainda trata-se de uma doença crônica e sem cura, que demanda o uso continuado de medicamentos para toda a vida, alguns ainda responsáveis por efeitos colaterais indesejados conhecidos a curto prazo e desconhecidos a longo prazo por ser um doença ainda muito jovem. Também existem pesquisas atuais que correlacionam a presença do vírus HIV, mesmo que bem controlado, com o surgimento de doença cardiovascular, doença cerebrovascular e determinados câncer. A Organização Mundial de Saúde recomenda que, se ao menos uma vez na vida você tenha tido relação sexual sem preservativo, você deve procurar saber o seu status sorológico para Infecção Sexualmente Transmissível (IST.) Somente com o diagnóstico, poderemos oportunizar o tratamento específico e evitar a evolução natural da doença. Proteja-se e se conheça de uma maneira cuidadosa.

"NÃO EXISTE GRUPO DE RISCO", DIZ MÉDICO



INDETECTÁVEL E INTRANSMISSÍVEL

  • Os termos são relativamente novos. Ao longo dos últimos 20 anos, a ciência tem demonstrado que o tratamento antirretroviral é altamente eficaz na redução da transmissão do HIV
  • Três grandes estudos sobre a transmissão sexual do HIV entre milhares de casais, dos quais um parceiro vive com o HIV e o outro não, foram feitos entre 2007 e 2016. Nessas pesquisas, não houve um único caso de transmissão sexual do HIV
  • Conforme o Unadis, quando uma pessoa vivendo com HIV alcança a carga viral indetectável, o vírus deixa de ser transmitido em relações sexuais. Para saber se a carga viral é suprimida ou indetectável é necessário um teste periódico. Se a medicação não for tomada todos os dias, a carga viral pode subir, e o HIV ser transmitido. Isto é, não existe risco zero

O QUE AINDA É PRECISO SABER SOBRE O HIV

  • A sigla em inglês é do vírus da imunodeficiência humana, que ataca o sistema imunológico. As células mais atingidas são os linfócitos T CD4+
  • Ter o HIV não é a mesma coisa que ter Aids. Há soropositivos que vivem anos sem saber que têm HIV e sem desenvolver a doença, mas podem transmitir o vírus
  • O HIV (quando não tratado) pode ser transmitido por sexo vaginal, oral e anal sem camisinha; uso de seringa compartilhado; transfusão de sangue contaminado; da mãe infectada para o filho na gravidez, no parto e na amamentação; instrumentos que cortam não esterilizados
  • Não é transmitido com o uso correto da camisinha; masturbação a dois; beijo no rosto ou na boca; suor e lágrima; picada de inseto; piscina; banheiro; doação de sangue; pelo ar
  • Ainda não há vacinas, mas já há testes em seres humanos, em vários países. Pela primeira vez , o Brasil fará parte das pesquisas 

SANTA-MARIENSE CRIOU APP E LOJA VIRTUAL PARA PREVENIR E INFORMAR SOBRE HIV


Fotos: arquivo pessoal

O administrador Lucian Ambros, 31 anos, administrador é santa-mariense, mas vive em Santa Catarina desde 2015. Ele convive com HIV há 10 anos e, em 2017, lançou o APP Posithividades, é um projeto voltado para visibilidade, prevenção e informação do HIV. Ainda em 2017, o jovem conquistou o primeiro lugar estadual no prêmio Empreendedor Universitário,  pelo Sebrae, e teve o seu  projeto classificado entre os 10  melhores do país na etapa nacional.  O Posithividades nasceu  como um aplicativo para smartphones,  como uma rede social  onde as pessoas que vivem ou  convivem com o vírus podiam  falar abertamente sobre HIV e  interagir com as outras.Nos seis primeiros meses de criação, o projeto já havia alcançado 60 países.Também é dele a primeira loja online do mundo voltada ao tema.

Na plataforma online, é possível adquirir camisetas, livros e até mesmo kits de autotestes. A ideia é disseminar dados, informações e dar visibilidade à  causa de uma forma leve.preconceito.

Todos os recursos arrecadados são direcionados para a  manutenção do projeto, reativação  do aplicativo e o lançamento  de outras campanhas  relacionadas ao assunto.

Para 2020, ele pretende lançar uma nova rede social que tem data prevista para junho. Os testes começam em janeiro:

-  Também ano que vem vamos lançar um projeto em conjunto com algumas universidades. A  ideia é difundir informações sobre HIV dentro do meio acadêmico, onde está grande parte do público do nosso foco, que são pessoas entra 15 e 24 anos: a faixa etária com maior aumento de casos de HIV. Acredito que a forma que se fala sobre HIV ainda não é a correta, entender o comportamento das pessoas e fazer de uma forma menos evasiva é a solução. Assustar as pessoas não é mais viável, ou se muda como se fala sobre HIV ou continuará aumentando os casos - avalia Ambros.





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