memória

Você sabe onde estão as imagens que registram o passado de Santa Maria?

Fundação Eny recuperou registros históricos da cidade, feitos pela família Isaia. Entretanto, há ainda um acervo que precisa ser localizado

Colaboração*
Foto: Foto: acervo da Fundação Eny
O empresário Guido Isaia examina um dos filmes guardados por sua família há décadas

Foto: acervo da Fundação Eny
O empresário Guido Isaia examina um dos filmes guardados por sua família há décadas

Desde que começamos com a página aqui no Diário, volta e meia usamos imagens que são, na verdade, frames, também conhecidos como fotogramas, ou seja, uma imagem fixa criada a partir de um vídeo. Existe um motivo bem claro para que isso seja necessário: são temas sobre os quais, muitas vezes não se dispõe de fotografias. Só por isso já podemos dizer que os filmes aos quais temos tido acesso por meio da Fundação Eny têm uma importância enorme para a memória de Santa Maria, afinal ajudaram a criar e a manter vivas algumas lembranças que se apagaram em outras fontes. É claro que, como pesquisadora do audiovisual, quando vejo essa cidade que pulsa em movimento, também existe uma paixão especial, mas esse é outro assunto. O que queremos falar hoje é sobre a dificuldade de preservação e recuperação dos acervos em película.

Como estamos em tempos de avanço tecnológico na área do cinema, para explicar essa questão é preciso voltar um pouquinho no tempo. Uma película é um tipo de suporte para filmes que, durante muito tempo, desde a invenção do cinema até o surgimento da tecnologia digital, era o que se usava para fazer filmes. Há diversos suportes de película. Em geral, eles são conhecidos pela sua bitola (largura). Essa largura é medida em milímetros. A bitola padrão utilizada para a produção de filmes e exibição comercial nas salas de cinema é o 35 milímetros. Mas existem outros formatos, entre eles o 8 milímetros, o 16 milímetros e o Super-8, que também foram apropriados para fazer filmes. É graças a realizadores que usaram esse tipo de película que hoje se tem acesso a imagens do passado de Santa Maria que até bem pouco tempo eram desconhecidas.

Foto: reprodução
Cena de uma produção de Salvador Isaia, que registrava os filhos do empresário. Na fotografia, no centro da brincadeira, dentro do tonel, aparece o filho mais novo, Rafael Isaia

Normalmente, as películas mais avançadas, como a 16 milímetros, tinham boa qualidade de imagem. Mas isso não quer dizer que qualquer filme que seja encontrado hoje em dia terá um bom estado e poderá ser recuperado. Elas são inflamáveis, sujeitas a mofo e outras ações do tempo que podem comprometer parte ou até mesmo todo o filme. Por isso, mesmo quem tem um projetor em casa, e já não é muita gente, precisa resistir ao impulso de projetar seu filme, ou corre o risco de ele rebentar.

Quando os filmes de Salvador e Guido Isaia começaram a ser recuperados pela Fundação Eny, tivemos a sorte de encontrá-los mantidos com sílica que conserva o material, ainda nas latas apropriadas e sem mofo. Isso não é comum. Na maioria das vezes que filmes são encontrados, já estão corroídos, quebrados, com partes danificadas pelo excesso de luz ou umidade.

Foto: reprodução
Frame de um dos filmes da família Isaia em que aparece o empresário Rafael Isaia, ainda bebê, hoje com 69 anos

O processo de telecinagem dos filmes que recuperamos passou por dois procedimentos diferentes. Um deles em uma empresa na capital de São Paulo, onde foi totalmente industrial. O outro em Campinas, também em São Paulo, onde, além da parte da máquina, entrou em ação o olhar de Raul Marchiori Junior, que ficou responsável pela telecinagem. Quando observamos os dois resultados, percebemos que o olhar humano de um conhecedor de imagens fez toda a diferença no processo, e enviamos o restante de nossos materiais para Marchiori.

Não é um processo rápido, nem simples. O filme é lavado, algumas emendas geralmente precisam ser feitas. Só depois o filme pode ser digitalizado. Também não é um procedimento barato.

Algo que tem causado constante preocupação à equipe da Fundação Eny é que não se sabe onde estão depositados os filmes de família e os demais registros feitos na cidade em película ao longo dos anos, muito menos como estão conservados. Há muito tempo temos vontade de trabalhar na recuperação deles. Porém, um ponto de interrogação tem nos separado do potencial dessas imagens: onde estão elas? 

*O texto acima foi escrito por Marilice Daronco , jornalista, especialista em cinema, doutoranda em Comunicação da UFSM, coordenadora de comunicação e marketing da Eny Calçados e da Fundação Eny


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