memória

Você conhece a câmera Super-8?

Equipamento era propício para gravações caseiras e também foi utilizado para registrar o passado de Santa Maria

Colaboração*
Foto: Foto: acervo da Fundação Eny
Em publicação do jornal A Razão, a lembrança de Sérgio de Assis Brasil em um set de filmagem

Foto: acervo da Fundação Eny
Em publicação do jornal A Razão, a lembrança de Sérgio de Assis Brasil em um set de filmage

Hoje, aqui no Memória, iremos falar um pouco sobre Super-8. Quem viveu os anos de 1960 e 1970, ou que se interessa pela história do cinema, sabe que esse tipo de câmera tinha algumas características bem próprias: um granulado na imagem, uma cor de filmagem com o vermelho bem acentuado e o fato de o filme vir em cartuchos, podendo ser carregado na câmara em poucos segundos, sem a necessidade de tocar no filme. Para quem usa filtros de edição ou mesmo alguns aplicativos no celular, com a chegada da onda retrô, foram criados recursos digitais que imitam esse padrão do Super-8, mas, me permitindo ser um pouco nostálgica, sem o mesmo glamour.

É bem interessante perceber como os mais apaixonados por esse tipo de tecnologia, em suas entrevistas ao longo das pesquisas que realizo há alguns anos, até hoje, lembram de questões como o barulho da moviola, as cores e o próprio ritual que envolvia desde as filmagens até a necessidade de revelar o filme.

Foto: acervo da Fundação Eny
No registro, os produtores Roberto Bisogno (na câmera), Nicola Chiarelli Garofalo (de óculos) e Sérgio Weigert (atrás, à esq.) em filmagem com a Super-8

É importante ressaltar que estamos falando de outra época, muito antes da invenção do próprio vídeo. O Super-8 foi lançado em 1965 pela Kodak. Ele era um formato amador, mas que acabou sendo tão apropriado por quem queria fazer cinema que resultou no surgimento de movimentos "superoitistas" em diferentes locais, em momentos distintos entre o fim dos anos 1960 e os anos 1980. Quando se busca registros sobre essa produção "superoitista" gaúcha, a maioria das referências apontam para os filmes que foram realizados em Porto Alegre. Porém, em Santa Maria, esse movimento foi muito forte também, e resultou na realização de vários filmes.

As realizações em Super-8 no Coração do Rio Grande tem como marco o primeiro filme de ficção feito com esse tipo de câmera, Pentágono, de 1968, do cineasta Sérgio de Assis Brasil. Dois anos depois, Assis Brasil realizou aquele que é, provavelmente, o primeiro filme Super-8 ficcional com preocupação artística feito em Santa Maria: Markova.

Com a criação do Departamento de Cinema do Centro Cultural, onde o cinema era tema de debate e também de projetos para a prática cinematográfica, outros nomes como Luiz Carlos Grassi, Pedro Freire Júnior, Ronai Pires da Rocha, Jair Alan Siqueira, Modesto Wielewicki, Roberto Bisogno, Humberto Ferreira, Felix Farret, Paulo Buss, Odilon Mainardi, José Luiz Duarte, Paulo Roberto Pithan Flores e Clenio Faccin foram se somando àquela que se constituiu como a geração superoitista santa-mariense.

Foram feitos pelo menos 11 filmes em Super-8 na cidade, entre eles O Inimigo, que percorreu o Estado acompanhando uma peça de teatro.

Santa Maria também foi a primeira cidade gaúcha a realizar um festival dedicado a filmes nesta bitola, em 1975. Além dos filmes com uma preocupação cinematográfica, o Super-8 era a tecnologia disponível para as gravações de família que, como o próprio nome diz, tinham como preocupação o registro do cotidiano e de eventos familiares, e também de registros fílmicos que guardam algum tipo de memória sobre a cidade em seu passado. Na Fundação Eny, conseguimos recuperar alguns registros de Guido Isaia, que filmou em sua chácara, em Itaara, e que fez algumas filmagens também em Santa Maria. São imagens que encantam por sua peculiaridade e raridade.

Infelizmente, o Super-8 não é uma bitola muito resistente às ações do tempo. É possível que muitos registros feitos em Santa Maria por outros amadores já tenham se perdido por conta da exposição à luz ou mesmo por ação do mofo, umidade e calor excessivos. 

*O texto acima foi escrito por Marilice Daronco , jornalista, especialista em cinema, doutoranda em Comunicação da UFSM, coordenadora de comunicação e marketing da Eny Calçados e da Fundação Eny


fale conosco

redação
[email protected]
(55) 3213-7100
(55) 99136-2472
(WhatsApp)
Endereço
Faixa Nova de Camobi, 4.975, Bairro Camobi, CEP 97105-030, Santa Maria - RS

redes sociais
facebook
instagram
twitter
youtube

 


para assinar
(55) 3213-7272
diariosm.com.br/assinaturas

central do assinante
(55) 3213-7272
(55) 99139-5223
(WhatsApp, apenas falhas de entrega)
[email protected]
[email protected]
chat

para anunciar
(55) 3213-7187
(55) 3213-7190