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VÍDEO: veja como era a produção de calçados no Rio Grande do Sul nos anos 1950

Imagens recuperadas pela Fundação Eny foram filmadas pelos empresários Salvador e Guido Isaia há cerca de 67 anos

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Foto: Foto: reprodução
Cena do filme que detalha cada etapa do processo de produção de um calçado

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Cena do filme que detalha cada etapa do processo de produção de um calçado

Quando se pensa na gigantesca transformação tecnológica que vivemos, muitas vezes, nos damos conta de o quanto ela mudou a forma de consumo. No entanto, nem sempre paramos para pensar como se alterou a maneira de produção de tudo o que chega em nossas mãos.

Um filme restaurado pela Fundação Eny e disponibilizado este mês em seu canal no YouTube chama a atenção para a maneira em que eram produzidos os calçados no Rio Grande do Sul nos anos de 1950.

Veja as raras imagens:

Para realizar Como se Fabrica um Calçado, Salvador Isaia junto ao filho Guido Isaia aproveitou as viagens de negócios que faziam ao Vale dos Sinos, um dos locais onde compravam calçados para a empresa em Santa Maria, para fazer as filmagens. Eles usaram uma câmera 16 milímetros, um tipo de filmadora em película que, inicialmente, foi lançado no mercado para ser usado apenas para filmagens domésticas, mas que acabou sendo apropriado também para fazer cinema.

De acordo com Guido Isaia, ele e o pai realizavam viagens a cada 15 dias para Novo Hamburgo e decidiram filmar todo o processo que envolvia do desenho até a confecção e chegada do calçado à mão do consumidor.

O local escolhido como cenário foi a fábrica de Oscar Adams, uma das mais tradicionais daquela cidade. Além da câmera, um aparato de iluminação era levado para o local para possibilitar uma qualidade maior às imagens.

 - O filme foi feito aos poucos, e foram meses de trabalho até que se completasse o roteiro proposto pelo meu pai. Ele era bastante exigente em relação às imagens, e eu também não gostava de nada mal feito - conta o presidente da Fundação Eny, Guido Isaia.

Os letreiros do filme foram elaborados por Carlo Isaia, irmão de Salvador, falecido em dezembro do ano passado. Meses antes de sua morte, Carlo, um apaixonado por calçados, teve a possibilidade de assistir ao filme e ficou bastante emocionado em rever a obra.

A recuperação do filme foi feita na cidade de Campinas, em um processo bastante complexo e que exige cuidado para não danificar a película. De acordo com Raul Marchiori Junior, responsável pela digitalização, não se perdeu nenhum trecho do filme que, mesmo feito há 67 anos, foi muito bem conservado. Para que se tenha ideia, Guido Isaia trocava periodicamente a sílica de dentro das latas metálicas que guardavam o filme, para evitar a umidade e, consequentemente, o mofo.

Marchiori Junior, que já participou da digitalização de grandes filmes brasileiros, considera que "o filme é um primor". Ele diz ainda que "essa produção foi muito feliz, pois é o retrato de uma época" e "é uma joia em formato de película".

Na parte inicial do filme, que tem cerca de 21 minutos, os dois diretores mostram como se dá a fabricação do calçado. Posteriormente, se dá o envio dos pares para Santa Maria. Finalmente, o calçado é exposto em uma vitrine da Eny Calçados.

Então, surge o interesse de um cliente em experimentá-lo. As cenas finais mostram a compra do calçado e, ainda, o freguês feliz a caminhar pela cidade. Afinal, como diz o letreiro, "a finalidade do sapato é essa mesmo: andar, andar".

Como se Fabrica um Calçado é um registro raro, importante não apenas para Santa Maria ou Novo Hamburgo. O filme contribui para que se conheça um importante período da produção calçadista no Estado e, com a história do cinema no Rio Grande do Sul.

*O texto acima foi escrito por Marilice Daronco , jornalista, especialista em cinema, doutoranda em Comunicação da UFSM, coordenadora de comunicação e marketing da Eny Calçados e da Fundação Eny


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