#fiqueemcasa

VÍDEO: Teatro Por Que Não? estreia espetáculo transmitido ao vivo pela internet

Peça é inspirada nos questionamentos e negações surgidos na pandemia

18.409


Fotos: Pedro Piegas (Diário)
André Galarça e Aline Ribeiro ensaiam para peça virtual

Basicamente, o teatro é composto por uma história interpretada em um palco em frente a uma plateia. E, se não der para ser assim, não é teatro? Tendo esse questionamento em mente, o grupo Teatro Por Que Não? estreia, neste final de semana, a intervenção virtual Isso Não é um Espetáculo, que será apresentada pelo aplicativo Zoom, possibilitando a interação entre elenco e público. As transmissões serão no sábado e no domingo às 20h, e os ingressos custam R$ 15. Para adquirir o passe para assistir pelo aplicativo, é necessária a compra pelo site teatroporquenao.com.

VÍDEO: músicos e médicos de Santa Maria gravam homenagem aos profissionais na linha de frente 

A pandemia pegou o segmento artístico de surpresa, e a impossibilidade de shows e apresentações com público acabou por deixar os artistas com dificuldades. Não foi diferente com o grupo santa-mariense que, além de apresentar espetáculos, administra o Espaço Cultural Victório Faccin e oferece cursos de teatro. Inovar e reinventar foram as únicas opções, segundo o ator e diretor Felipe Martinez. 

- Num primeiro momento, a gente optou pelo afastamento e cancelamento total das atividades. A gente foi percebendo que a chance de voltar às atividades presenciais ia ser cada vez menor, e começamos a adaptar. O curso de teatro começou a ter aulas totalmente online. Então, o nosso trabalho, que sempre foi cheio de dificuldades - afinal teatro é uma coisa difícil sempre, ainda mais teatro independente no interior do Brasil - teve mais uma dificuldade, talvez, uma das maiores da nossa história, mas isso não significa um impedimento para trabalhar. Nós temos contas para pagar, filhos para criar, mas a gente segue na luta e vai conseguindo sobreviver - relata Felipe.

 

NEGAÇÃO ARTÍSTICA?
Para Felipe, a sociedade vive em um momento de negação em que as opiniões pessoais acabam se sobressaindo aos fatos. Daí surge o questionamento da peça. Uma atuação onde as pessoas não estão no mesmo espaço físico é teatro? O diretor conta que daí vem o nome do espetáculo, justamente para trazer essa provocação a partir da negação. 

- A gente não considera que esse trabalho seja um espetáculo de teatro, porque o espetáculo de teatro tem características que não estão presentes nele. Isso não está acontecendo num teatro, num mesmo local. São atores, existe uma plateia, é em tempo real - embora não totalmente real, porque a tecnologia tem seus delays -, mas não é um espetáculo de teatro. Sobre o que é isso, então? - questiona. 

Felipe afirma que isso não quer dizer que o grupo acha que isso seja um espetáculo e que vai passar a só fazer trabalhos assim, mas entende que o artista precisa dialogar com o momento presente, e isso é mais evidente ainda no trabalho de quem atua no teatro, porque o teatro é efêmero:
- Esse texto eu escrevi agora, durante a quarentena, assim como esse trabalho todo foi criado durante o período de isolamento. Alguns recortes eram materiais que eu já vinha escrevendo em outros momentos, e não necessariamente tinha uma ideia em mente. O isolamento acabou juntando essas ideias. São sete personagens, artistas de teatro que, por não terem mais um espaço de trabalho, ou seja, não terem o seu teatro para poder fazer, se encontram através do aplicativo, que é o Zoom - uma sala de bate-papo -, para tentar construir alguma coisa e tentar dialogar sobre o próprio trabalho. Mas isso se confunde sobre o que é a interpretação e o que é realidade. 

METATEATRO
A peça vai tratar de temas locais vividos no passados para contextualizar com a situação atual: 

- A gente vai falar sobre temas mais locais, como a tragédia da Boate Kiss, e as próprias relações que a gente traça entre o que aconteceu lá, posterior à tragédia, e o que acontece hoje, no mundo inteiro. Entendendo que essa é uma ferida muito forte na comunidade santa-mariense como um todo, e a gente, como artista, não pode ignorar que ela existe, e perceber o que acontece. A gente vai falar sobre o nosso próprio trabalho de arte e sobre como as pessoas nos veem dentro desse trabalho e sobre a relação dele com o mundo. Qual o lugar do artista no mundo? Qual seu papel? A gente está falando tanto em funções essenciais e não essenciais. A arte é essencial para que e para quem, afinal?
No elenco de Isso Não é um Espetáculo estão Anderson Martins (foto ao lado), Luiza de Rossi, Juliet e Janaína Castaldello, Geison Sommer, Aline Ribeiro e André Galarça. 

SEM INTERAÇÃO
O diretor explica que vai ser como se fosse uma conversa entre os atores. Eles não ignoram o público, e conversam com as pessoas. A ideia é que crie exatamente essa confusão, ou seja, o que é representação e o que não é. 

- A gente recomenda que as pessoas assistam no computador. Pode assistir no celular, mas a gente garante que a experiência é mais completa e fica mais interessante no computador. Então, a gente pede que as pessoas venham também com esse sentido de experimentar, de descobrir, de questionar o que é um espetáculo, o que não é, onde é o lugar do teatro, onde não é, o que é o papel do artista, quão essencial ou não essencial a gente pode ser, e o que isso vai impactar na vida das pessoas - finaliza.


fale conosco

redação
[email protected]
(55) 3213-7100
(55) 99136-2472
(WhatsApp)
Endereço
Faixa Nova de Camobi, 4.975, Bairro Camobi, CEP 97105-030, Santa Maria - RS

redes sociais
facebook
instagram
twitter
youtube

 


para assinar
(55) 3213-7272
diariosm.com.br/assinaturas

central do assinante
(55) 3213-7272
(55) 99139-5223
(WhatsApp, apenas falhas de entrega)
[email protected]
[email protected]
chat

para anunciar
(55) 3213-7187
(55) 3213-7190