até ano que vem

VÍDEO: de modo híbrido, Feira do Livro deixa saudades, mas redesenha seu próprio formato

Sem poder acontecer na Praça Saturnino de Brito, 47ª edição da feira abre possibilidades para formato híbrido que deve permanecer

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Foto: Renan Mattos (Diário)

Onde haveriam bancas, estende-se a calçada cinza

Quem aprecia a literatura sabe que um livro é uma passagem para qualquer lugar do mundo ou até mesmo no tempo. O que a Feira do Livro 2020 mostrou, neste ano, é que além da viagem que os livros nos proporcionam, a internet diminui distâncias e sublima fronteiras. Foi pela tecnologia que muitas pessoas, de Santa Maria e do mundo, se conectaram e participaram, de suas casas, de muitas das atividades proporcionadas pela equipe organizadora. 


Claro que passear pela Saldanha Marinho, parar em uma banca, folhar os livros da outra, ouvir a gargalhada das crianças e pegar um autógrafo durante os lançamentos, sem falar nos abraços e encontros que a festa literária proporcionou em todas suas edições, fazem falta neste ano. O clima do fim de abril e a junção de leitores de todas as idades fazem falta aos apreciadores. Mas, graças às conexões, a cidade viveu neste ano a primeira Feira do Livro de todo o país de forma híbrida: parte digital e parte presencial. E trouxe muitas lições que podem perpetuar pelos próximos anos, assim como as páginas de uma obra literária. E é sobre essa mistura, de saudade e de reinvenção, que falamos com nossos entrevistados.

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Veja o que dizem escritores, organizadores, envolvidos e, acima de tudo, pessoas apaixonadas pela Feira do Livro, sobre a edição deste ano e todas suas peculiaridades.

SAUDADE... 

...DO PÚBLICO  
Ator da Saca-Rolhas Teatro & Cia, Jader Guterres conta que os atores costumam transformar a energia da plateia em energia artística na hora da apresentação. Neste ano, com as apresentações em formato de live, as trupes precisaram adaptar as apresentações:  

 - Com certeza o que a gente sente mais saudade é das crianças, ou seja, do público. As crianças são muito verdadeiras, elas conversam com a gente, nos abraçam. E a gente sente falta disso.

...DOS ENCONTROS  
A reunião de pessoas na Praça Saldanha Marinho, na opinião da secretária de Cultura, Rose Carneiro, é mais convidativa porque sempre acaba reunindo muitas pessoas:  

- Acho que essa é a grande saudade: estar na praça, naquele final de abril e início de maio, todos os anos, conversando, reunindo, encontrando convidados e amigos, passando nas bancas de livros. Este contato físico nos faz muita falta, com certeza.  

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...DE TODAS AS PESSOAS  

A praça, enquanto local público e de acesso de todos, é uma das características mais marcantes da Feira do Livro. Até o ano passado, qualquer um que ali passava era convidado a participar, mesmo que por um breve tempo, da atividade que acontecia na rua. Esta é a saudade de Ruth Pereyron, diretora do Theatro Treze de Maio:  

- A gente sente falta porque a praça é pública e a gente recebe qualquer pessoa que chega ali. Infelizmente neste ano mudou tudo e agora estamos na forma de lives aqui do teatro. A gente sente falta de comprar livros e de receber as crianças aqui no teatro.

...DOS LEITORES
Quem lança livros na feira também sente falta. Mesmo que tenham acontecido lançamentos presenciais com restrição de público em algumas livrarias, faltam transeuntes, que viram ouvintes e depois leitores quando passam pela praça e escutam os autores falando sobre as obras. O escritor Orlando Fonseca lançou, junto de Candinho, Carlos Rangel, Francisco Ritter, Odemir Tex Jr, Raul Maxwell, Ronaldo Lippold, Vitor Biasoli e Tânia Lopes, o Ano Passado Eu Morri - História de quando havia galos noites e quintais. O primeiro lançamento de Orlando na Feira do Livro foi em 1981. Para ele, é especial preparar uma obra para ser lançada na feira:

- A possibilidade de encontrar seus leitores e dar seus autógrafos realmente faz falta. Isso, dificilmente, terá substituição embora as alternativas estejam no cotidiano das pessoas hoje de tal maneira que é possível se pensar numa feira do modo virtual, como está acontecendo.

Foto: Renan Mattos (Diário)
O lançamento de Ano Passado Eu Morri - História de quando havia galos noites e quintais precisou ser diferente

...DOS AUTORES
A produtora Liciane Brun também é leitora. Nas duas ocupações, a saudade é a mesma: o contato com os autores. Não somente com escritores, mas com os próprios livros e elementos que compõem o cenário da Saldanha Marinho em época de feira.

- Ter o contato com o autor, fazer uma foto, pegar um autógrafo, fazer uma pergunta olhando no olho, acho que isso faz falta, porque, com a tela nos separando, ela tira um pouco do contato. Essa foi a coisa que eu mais senti falta, além do cheiro do livro, cheiro do café que a gente sente na praça, aquele povo indo atrás de um livro. Poder tocar nos livros, pegar, escolher... 

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...DOS ALUNOS E DA PRAÇA
Há 20 anos, o professor Bebeto Badke trabalha com a assessoria da Feira do Livro. O trabalho não é feito sozinho. Junto dele, estudantes de Jornalismo da Universidade Franciscana (UFN) observam e relatam o cotidiano da praça:

- O que eu sinto mais falta é encontrar pessoas, mexer nos livros, tomar um café no Theatro... e dos alunos ficarem correndo para fazer matéria, dos fotógrafos e do burburinho. O contato humano nos faz falta. Sinto falta de, no mês de maio, estar 15 dias na praça, naquela loucura, na correria, com cachorro latindo, pessoas passando, escritores, peças de teatro e debates do Livro Livre.

POSSIBILIDADES
Não há como negar, contudo, que o formato digital da Feira do Livro abriu novos rumos para a forma que ela pode acontecer. A variedade delas é tão grande quanto a pretensão de Bebeto, que fala em internacionalizar a feira.

- Um grande avanço para manter para os próximos anos é a condição de ter entrevistados de diferentes lugares do Brasil e quiçá do mundo. Nada nos impede. As tecnologias nos mostraram que é possível transformarmos a Feira do Livro de Santa Maria em uma feira mais internacional - comenta.

A secretária Rose Carneiro acredita que o experimento permitiu ver outras formas de fazer a feira. Isso vai ao encontro do que defende Rosângela Rechia, servidora da Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer e que há 20 anos trabalha com a organização da feira.

- O pessoal gosta e adere à programação. Tivemos alguns lançamentos presenciais, com capacidade menor. Pode ser que, o Livro Livre, por exemplo, quando acontecer na praça, seja transmitido - fala.

Além de ser somente mais uma live, o Livro Livre fala com o leitor. Liciane reconhece que, mesmo pela tela, há como se aproximar, principalmente quando não haveria como ir até a praça por distância geográfica:

- Pessoas que moram em outros estados já nos deram retorno sobre como é especial poder participar da feira dessa maneira, ter sua pergunta respondida por um autor. A gente sabe que tem um turbilhão de lives por aí, os autores fazem muitas. mas essas, do Livro Livre, é direcionada para o público que interage com o autor. É algo que eu penso que podemos manter, que a gente tenha a feira presencial, com autores na praça e também uma modalidade para poder levar a um alcance maior, como tá sendo agora

Depois da 47ª edição, o formato híbrido é uma realidade que deve permanecer. Deve haver alguma poesia no brilho das telas de computadores e celulares. Deve haver alguma rima - rica ou pobre - em um live. E a métrica pode caber perfeitamente no visor. Não que a poesia das telas e lives não tenham sido ótimas, mas o desejo é que ela também possa se encontrar com a prosa da Praça Saturnino de Brito no próximo ano. 


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