no picadeiro

VÍDEO: como é a vida de quem faz a alegria no circo

Diário foi ao Circo Fantástico conferir o espetáculo e os bastidores de quem vive a vida na estrada

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Foto: Fotos: Renan Mattos (Diário)

Fotos: Renan Mattos (Diário)

Ao cair da noite, as luzes da lona gigante do Circo Fantástico, que chegou em Santa Maria no final de fevereiro, se acendem. A música começa a tocar e o cheirinho de pipoca já paira no ar. Em quase duas horas de espetáculo, malabares, danças, palhaçaria e as motos do globo da morte encantam o público de todas as idades. Atrás das cortinas, são mais de 40 funcionários que fazem tudo dar certo. Eles trocaram a "vida de cidade" pelo picadeiro em uma rotina itinerante. 


Fundado há 25 anos no Paraná por Mário Ferreira Cascão, 68 anos, o circo que entretêm famílias também é feito por elas. Hoje, já são três gerações da família Cascão que mantém viva a arte circense. 

- Eu nasci no circo, fui criada minha vida inteira. A gente tem um mês de férias, sai para a cidade, mas em duas ou três semanas já dá vontade de voltar. Eu sou a terceira geração de circo. Meu avô veio para o circo desde novinho, minha mãe cresceu no circo. Eu lembro de ver minha família trabalhando no circo. Eu sempre gostei, só que como a gente é novinho, só assiste, fica encantado com a beleza e tudo. Eu lembro que sempre gostei dos números da minha mãe e sempre falei que ia ser contorcionista. Comecei a fazer contorsão com 6 anos e estou até hoje - conta a contorcionista Aiesha Guerreiro, 20 anos, neta de Cascão. 

Ao longo da jornada de mais de duas décadas do circo, outras famílias foram se juntando ao Fantástico, que a cada temporada percorre diferentes cantos do país. É nos trailers, que ficam estacionados ao redor da grande lona, que moram todos os artistas. Essas "casas sob rodas" são tão bem equipadas que contam com absolutamente tudo o que uma residência fixa tem. 

- Não tem como viver na estrada sem a família, é difícil. A família te da sustentação, só assim dá certo. O circo é como um condomínio ambulante. Da cerca para dentro, tem várias casas, várias histórias, cada um com o jeito de ser - comenta Mário Cascão Júnior, 41 anos, um dos administradores do circo.  

Uma das últimas famílias que se juntou à companhia, foi a de Carlos Magno. Ele, que é apresentador e motociclista do globo da morte, é a quarta geração da família de circo e terceira do globo da morte.

- É uma coisa que vai passando de pai para filho. Eu tenho a minha filha de 5 aninhos hoje também. Essa paixão acaba nascendo com a criança. Eu sou nascido e criado em circo, desde os 9 anos treino no globo da morte. A gente tem que fazer o que nasceu pra fazer - acredita Magno.


O PALHAÇO
Não é circo se não tem um palhaço, certo? Pois no Fantástico, quem faz a plateia dar gargalhadas é o Palhaço Maxixinho. Interpretado por Carlos Antônio Rodrigues, 49 anos, sua história com o picadeiro, que segundo ele "dá um roteiro de cinema", também começou quando nasceu.

A mãe dele havia fugido com o pai, que trabalhava em circo. Só que, quando engravidou, ela voltou para a casa dos pais. Depois que Rodrigues nasceu, todo circo que chegava na cidade onde ele morava, no Rio Grande do Norte, ele ia em busca do pai. E só o conheceu quando tinha 20 anos e descobriu que era filho do Palhaço Maxixe. Aí, decidiu embarcar na vida itinerante e se tornou o Palhaço Maxixinho.  

- É difícil você ver uma escola de palhaço, porque isso já vem do sangue, não adianta forçar um trabalho que você não tem o dom para fazer. Quando é das suas origens, você não trabalha, mas se diverte, como é meu caso. A arte de palhaço é encantadora - conta.

Hoje ele é acompanhado pela esposa, que trabalha na parte administrativa, e pela filha, que é trapezista.

PARA RELEMBRAR 
A chegada do circo na cidade, principalmente no interior, costumava ser um marco que movimentava toda a comunidade. Uma das artes mais antigas da humanidade, o primeiro circo nasceu na Roma Antiga, por volta do século quatro antes de Cristo, e trazia consigo números cômicos de dança e teatro, sem contar os animais grandes e ferozes.

No Circo Fantástico, hoje em dia, os únicos animais que viajam com eles são cachorros e gatos, todos parte da família, somente de estimação, pois, há anos, é proibida a exploração animal nesses locais. Para relembrar a época dos primeiros circos, a companhia também conta com um zoológico temático, que tem girafa, leão, elefante e até um unicórnio, todos são de fibra.

Além da extinção dos animais no picadeiro, também se mudou a forma do fazer circo diante de tanta tecnologia do século 19. Para competir com as telas de celulares, é preciso aprimorar os números cada vez mais.

- A gente sempre tenta mudar para melhorar. Trazer artistas e números novos, tudo o que for revolucionário. Antigamente, tinha animais, hoje, ninguém mais vê isso como atrativo. Você não pode parar no tempo para as pessoas quererem vir de novo - comenta Aiesha.

O politicamente correto também é um ponto que precisa ser levado em consideração atualmente. As piadas e tudo o que faz a plateia rir já não são as mesmas do que há duas décadas atrás.

- Às vezes, uma brincadeira que você fala, o pessoal interpreta de uma outra maneira e acha que é bullying. Hoje em dia, é preciso ter muito cuidado - explica o palhaço Maxixinho.

Por outro lado, a internet também tem ajudado na divulgação. Além de um carro de som, que percorre cada cidade que o circo chega, hoje, também se usa as redes sociais, com anúncios direcionados à comunidade.

- Para nós, a internet melhorou a divulgação. Às vezes, só o carro de propaganda na rua, não passa em frente de cada uma das casas. Com o Facebook e com o Instagram, é possível que todo mundo veja. A gente consegue trazer o povo para o circo - completa a contorcionista.

O SHOW DEVE CONTINUAR
No circo desde o berço, quase ninguém pensa em abandonar o picadeiro, pelo menos tão cedo. A Aiesha é uma das integrantes da companhia que hoje cursa uma faculdade. Ela faz Design de Moda, mas não para seguir carreira em outro lugar, mas sim poder aplicar seus conhecimentos dentro do Fantástico. 

- A faculdade é também uma segurança. Eu não quero parar, mas a gente não sabe até quando vai continuar. Mas o que a gente quer mesmo é viver a vida inteira aqui, criar os filhos, os netos - conta a jovem. 

SERVIÇO

  • O quê _ Circo Fantástico
  • Quando _ Até 23 de março, no estacionamento do Shopping Praça Nova. De terça a sexta, às 20h30min. Aos sábados, domingos e feriados, às 16h, 18h e 20h30min.
  • Quanto _ Os ingressos custam R$ 20, na cadeira lateral, e R$ 30, na cadeira central. Crianças a partir de 2 anos até 12 anos pagam meia-entrada, bem como estudantes, idosos e professores.


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