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VÍDEO: cantoras de Santa Maria dão voz ao projeto Divas do Samba

Serie de shows online começa neste domingo, às 11h, e segue com apresentações todos os dias, às 19h, até 1º de agosto

Leonardo Catto
Foto: Foto: Rodrigo Ricordi (Diário)

Foto: Rodrigo Ricordi (Diário)
Evelíny (a partir da esquerda), Vera Leal e Nega Zane são as vozes de Santa maria no Divas do Samba

A pandemia do coronavírus chegou ao Brasil logo depois do Carnaval de 2020. Foi apenas neste ano que o samba não pôde mais ocupar as ruas, embora, em Santa Maria, isso não aconteça desde 2015. Mesmo sem pisar nas avenidas, o samba não morreu.

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E dificilmente vai chegar perto disso se depender de divas que levam a música na voz. Neste domingo, estreia o Divas do Samba, projeto que reúne cantoras negras do gênero em apresentações online até 1º de agosto.

Três das sete artistas são de Santa Maria. Evelíny, Nega Zane e Vera Leal se juntam às santa-cruzenses Vilminha, Veraluz, Rita de Cássia e Gabriela Santos.

O show de lançamento ocorre no Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, 25 de julho, que também é o dia de homenagem a Tereza de Benguela, líder quilombola no Brasil do século 18.

- O projeto e o show mostram a valorização de nós, artistas, que cantamos samba. E negras. Porque abre um espaço que nem sempre tem. O Divas mostra que mulher também canta samba. Não que a gente esteja falando dos homens. Mas é que existe muito grupo de pagode só com homem. Eu já cantei em muitos, mas só uma palhinha, não como agora em que montei meu show. Nós montamos o nosso show - diz Nega Zane sobre a relevância do projeto.

O primeiro show traz uma apresentação especial com todas as cantoras, às 11h. A partir da próxima segunda-feira, cada dia terá uma apresentação individual de 30 minutos. Esses shows serão às 19h. Todos podem ser acompanhados no Facebook e no canal da Sociedade Cultural e Beneficente União no YouTube.

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Foto: Divulgação

TRÍADE SANTA-MARIENSE
A escolha do elenco do Divas seguiu o critério de representatividade das carreiras musicais de cada cantora nas cidades em que atuam. Dos 30 aos 60 anos, o projeto abraça diferentes gerações e permite troca de experiências entre as participantes.

VERA LEAL
Dos 59 anos de vida, completos no último dia 20, Vera canta há, pelo menos, 47. Foi com a família de músicos que compôs o conjunto de samba Vento Norte. O currículo se estende a outros grupos santa-marienses. Integrou Os Sombras, Os Garotos da Querência, Angelsom e Esquema Som. A voz de Vera também passou por festivais e sambas-enredo de escolas de samba.

Foto: Rodrigo Ricordi (Diário)

A última participação foi no Cadência do Samba, residente do Boteco da Maré, tradicional casa de samba de Santa Maria. Além disso, a cantora já atuou com música e dança em escolas. O projeto "Mais Educação" chegou a formar um grupo de pagode exclusivamente de meninas. Essa experiência foi compartilhada com as companheiras do Divas.

- Em Santa Maria, a gente tem poucas cantoras (com destaque). Essa reunião, entre nós e as divas de Santa Cruz do Sul, é importante para enriquecer o trabalho. A gente trocou ideias, vimos os timbres. Foi e é um sonho. É uma caminhada de vida. As colegas todas têm uma estrada também. A humildade e a conexão entre a gente é maravilhosa - conta.

EVELÍNY

Professora, cozinheira, cantora e artista visual, Evelíny, 31 anos, é multifacetada. Ainda criança, a música era uma brincadeira. Com o pai, o radialista e vereador Paulo Ricardo, ela passou tardes em estúdio de rádio. Quando adulta, na faculdade, ela descobriu o prazer no canto e na composição.

Foto: Rodrigo Ricordi (Diário)

Foram sete anos com duplas de Música Popular Brasileira pelas noites de Santa Maria e região. O principal suporte artístico de Evelíny é a Banda Gerinçonça, da qual é uma das idealizadoras.

- Ser convidada para este projeto é uma honra. Duas cantoras são novinhas, eu e a Gabriela. E aprendemos com elas, que têm muito mais trajetória no samba que eu. Aprendo muito. O fato de nos encontrarmos, o carinho que se formou - celebra.

NEGA ZANE
Quando conheceu a reportagem do Diário, Nega Zane, 55 anos, até se apresentou como Rosane, mas já adiantou a alcunha artística. É professora de matemática por formação. Prestes a se aposentar, ela espera se dedicar mais à música, que sempre esteve presente na vida. Ainda assim, Nega Zane não nega a didática e, quando conta que lecionou, explica trigonometria como se cantasse.

Foto: Rodrigo Ricordi (Diário)

Ela formou a Dupla da Balada junto ao irmão, Jorge. Juntos, interpretaram ritmos variados por palcos da Cidade Cultura. O desprendimento de estilos é uma das característica da trajetória de Nega Zane. Mesmo que o Divas gire em torno do samba, a diversidade é presente em um só gênero.

- No dia em que a gente foi fazer fotos, conversamos muito rápido. No dia em que gravamos, foi maravilhoso. Queríamos nos conhecer, foi muito bom. Imagina várias mulheres cantando samba com timbres e gostos diferentes - lembra.

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O surgimento do Divas se deu com o objetivo de resgatar a participação feminina no samba. A força das mulheres estampa o palco e simboliza outra mulher, a dona Vilma. O projeto Divas foi inspirado na mãe da produtora cultural Marta Nunes. É como se Vilma fosse avó do projeto.



A diva-inspiração foi cantora de rádio e de festivais. Entre andanças, venceu concursos de auditório em Santa Cruz do Sul e Porto Alegre. Em uma das ocasiões, no antigo Clube do Guri da Rádio Farroupilha, conheceu uma das vozes mais belas e reconhecidas do Brasil, Elis Regina, quando esta ainda começava a carreira.

O material de divulgação do projeto ressalta que, atualmente, poucos sambistas gaúchos têm projeção nacional. "Temos poucos exemplos de mulheres que, de alguma forma, resistem atualmente. Em Pelotas, tínhamos, até novembro de 2020, a Mestra Griô Sirley Amaro, compositora de marchas e ranchos de Carnaval. Em Porto Alegre, podemos citar Lanna Campos, Glau Barros e Pâmela Amaro".

DIVAS DO SAMBA

Lançamento

Apresentações individuais

  • Quando - De 26 de julho a 1º de agosto
  • Horário - 19h
  • Onde assistir - Facebook e YouTube 


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