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Santa Maria deve ter Carnaval de Rua em 2022

Em formato diferente, 'Estação Carnaval' deve ser em março, na Gare, e custar R$ 100 mil sem verba do poder Executivo municipal

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Foto: Gabriel Haesbaert (Arquivo/Diário)

Sem dinheiro público do município e com R$ 100 mil vindos de emendas parlamentares e parcerias, Santa Maria deve estrear, em 5 de março de 2022, a Estação Carnaval, realizada na Gare, com a participação de sete agremiações de Santa Maria. Um formato de Carnaval de Rua alternativo aos desfiles na Avenida Liberdade. A rua está sem samba desde janeiro de 2016, quando, entre os dias 16 e 19, foi decretado que não haveria o desfile das escolas de samba de Santa Maria. Alegando falta de recursos, a gestão municipal da época, comandada por Cezar Schirmer, optou por não financiar o evento e deixou as agremiações de mãos abanando, com carros pela metade, contratos assinados e a Avenida Liberdade sem a alegria das arquibancadas lotadas. O que era uma decisão paliativa, devido à crise financeira, acabou se estendendo por seis anos. Agora, um esforço conjunto entre a Associação Aliança pelo Samba (AAPS) e a prefeitura prevê o novo modelo.

A PROPOSTA
A AAPS apresentou a proposta da criação de um evento de Carnaval que vai devolver o protagonismo para as escolas. Será um desfile reduzido, com critérios específicos. Para participar, a entidade deve estar estruturada com enredo, comissão de frente, estandarte, Mestre Sala e Porta Bandeira, bateria, ala de baianas, um carro alegórico, harmonia e três a quatro alas.

Segundo o presidente da AAPS, Leonardo Ribeiro, a Aliança decidiu em conjunto com a Secretaria de Cultura abrir mão da avenida e fazer um evento com as escolas em um formato menor.

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- As escolas estão se propondo a apresentar um espetáculo. Então, pensamos em montar uma arena na Gare, um grande teatro a céu aberto. E para isso é preciso uma integração entre as entidades carnavalescas, poder público, comércio, movimentos culturais, tendo a sua grandeza o desfile de rua. Esse evento abrange em torno de 30 mil pessoas entre participantes e espectadores. Gera renda direta e indireta através da cadeia produtiva do Carnaval, costureiras, artesãos, serralheiros e outros - afirma.

Leonardo, que também é presidente da Vila Brasil, argumenta que todas as festas estão acontecendo, os estádios de futebol estão lotados de torcedores e o Carnaval não pode ficar aquém dessas paixões do povo brasileiro. Ele relata que a AAPS vem, há um tempo, tentando redefinir a melhor maneira para realizar a folia na Cidade Cultura.

- Muitas cidades já anunciaram essas datas. Mas ano que vem, um pouco fora de época, estamos trabalhando em um evento inovador. A AAPS está em busca de financiar essa ação por meio de leis de incentivo, empresários que queiram investir, para que não se diga, como sempre dizem, que o dinheiro público não é para isso. Acreditamos que esse discurso não cabe mais. Buscamos a prefeitura como parceira desse plano de retorno do Carnaval. As pessoas pensam que o Carnaval é uma despesa, mas esquecem o que ele traz para a economia local, para pequenos produtores, restaurantes e hotéis - afirma.

PREFEITURA
A secretária de Cultura, Rose Carneiro, afirma que a prefeitura está em contato com as escolas de samba desde março, quando iniciaram as reuniões para estabelecer uma nova formatação do Carnaval em Santa Maria.

- Estamos buscando dados, conversando com as escolas para entender esse universo, saber das condições. Não é só porque o Rio de Janeiro tem desfiles que precisamos ter. Precisamos avaliar como é o Carnaval de Santa Maria. Queremos ajudar a construir um evento com a cara de Santa Maria. Não adianta querermos fazer um desfile de avenida sem estarmos organizados para isso - afirma a secretária.

De acordo com a secretária Rose Carneiro, a Tertúlia, que dura três dias, e a Feira do Livro, que dura cerca de duas semanas, recebem do poder público cerca de R$ 120 mil cada, além de outros recursos privados e de leis de incentivo à cultura. Porém, o mesmo não ocorre com o Carnaval que não recebe dinheiro da prefeitura há seis anos e, caso ocorra em 2022, contará com verba de emenda parlamentares.

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Esse fato tem gerado críticas ao Executivo. A questão já havia sido levantada pelo o representante do segmento de Cultura Popular no Conselho Municipal de Política Cultural, Serginho Marques, em participação no programa DNA, da Rádio CDN, em setembro.

Para Serginho, a falta de incentivo do poder público faz do Carnaval de Rua em Santa Maria um grande desafiador. Mas ele acredita que a festa deve ser retomada de alguma forma:

- As demais festividades do município aconteceram, a Aliança fez sua parte de apresentar propostas e projetos. A alternativa encontrada é válida, é um ato de resistência, pois precisamos acordar esse segmento que está esquecido há seis anos.

CONDIÇÕES
Segundo Leonardo, há também a necessidade de observar as condições em que se encontram as escolas de samba:

- Estamos nos organizando e apoiando as escolas para que todas estejam aptas para participar, sabemos das dificuldades e limitações de cada uma, sendo que as que quiserem estar conosco nesse evento, para melhor organização, devem seguir alguns quesitos.

Segundo o presidente da AAPS, o financiamento do evento virá de emendas parlamentares impositivas no legislativo municipal, com apoio de alguns vereadores e também de uma emenda da deputada federal Maria do Rosário (PT). Além disso, há a busca por apoio financeiro por meio de parceiros e patrocinadores.

Caso não seja possível realizar a Estação Carnaval 2022 do formato estabelecido atualmente, há um plano B, diz Leonardo.

- Vamos fazer o possível para realizar a Estação, e colocar o Carnaval nos trilhos novamente. Se não tiver a verba, temos uma alternativa. Mas vai ter Carnaval na rua em 2022 - promete.

Na proposta da Associação apresentada para a prefeitura, consta como itens que oneram o projeto e precisam de recursos como a estrutura de som e arquibancadas. Mas também constam itens burocráticos como material gráfico e Plano de Proteção Contra Incêndio (PPCI). Confira:

  • Carro do som
  • Sonorização da pista
  • Arquibancadas
  • Iluminação
  • Grades de isolamento
  • Camiseta de coordenação para membros da AAPS, envolvidos na realização
  • Cachê das entidades
  • Segurança
  • Ecad
  • Transporte das escolas de samba
  • Publicidade geral
  • Serviço de apoio de pista
  • PPCI
  • Material gráfico administrativo
  • Camarote
  • Banheiros químicos
  • Ambulância
  • Contador 


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