com a palavra

Leonardo Brasiliense fala sobre a trajetória em Santa Maria e a dedicação à literatura

Escritor, nascido em São Gabriel, já venceu prêmios literários com o Jabuti, mais tradicional premiação da literatura brasileira

Leonardo Catto
Foto: Foto: Maiara Bersch (Arquivo Diário)

Foto: Maiara Bersch (Arquivo Diário)

O médico por formação, técnico do Tesouro Nacional e escritor, Leonardo Brasiliense, 47 anos, nasceu em São Gabriel, mas não viveu na Terra dos Marechais. Até os 5 anos, morou em Cacequi com a família. Quando o pai, bancário, foi transferido para Santa Maria, Brasiliense teve como destino a Cidade Cultura. No Coração do Rio Grande, cresceu e se formou em Medicina na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Hoje, o vencedor dos prêmios Jabuti, Açorianos, O Sul, Livro do Ano da Associação Gaúcha de Escritores, Benvirá e Minuano de Literatura, é casado com Lucinara Zago. há 23 anos. Juntos eles tiveram duas filhas: Isabela e Cecília, de 7 e 4 anos.

Diário - Como foi a sua infância? O contato com a literatura e o desejo de escrever acompanha o senhor desde essa época?
Leonardo Brasiliense - 
Minha infância foi normal para a época: gibis, Atari, bicicleta e Sessão da Tarde. Leitura sim, mas escrever foi algo "tardio", aos 22 anos. Na infância, minha ocupação principal era de cineasta, com os bonequinhos do forte apache e assemelhados. Retomei essa atividade agora, de 2009 para cá, quando comecei a estudar roteiro de cinema (hoje tenho alguns roteiros nas mãos do meu agente, de São Paulo, e ele está tentando vendê-los e nos tornar milionários).

Foto: arquivo pessoal
Registro da segunda conquista do Prêmio Jabuti, em 2011, junto de representantes da Companhia das Letras

Diário - Mais tarde, o senhor cursou Medicina na UFSM, como foi a escolha do curso?
Leonardo Brasiliense - Eu queria ser guitarrista mas isso causou uma reação negativa na família e, como eu não era rebelde, pensei em Psicanálise. Entrei na Medicina porque não havia faculdade de Psicologia aqui em Santa Maria. 

Diário - E como foi sua experiência na Universidade? O senhor atuou na área posteriormente?
Leonardo Brasiliense -
Aqueles anos de Universidade foram um mergulho na Psicanálise, eu praticamente só estudava, mal tinha férias. Nem bebia.
Nunca atuei. Desisti da Psicanálise um ano antes de me formar e completei o curso só para ter um diploma. As aulas acabaram em julho e em novembro eu já estava no treinamento de Técnico do Tesouro Nacional na Receita Federal.

Foto: arquivo pessoal
A chegada da primogênita Isabela

Diário - De volta a sua atividade na literatura, o senhor transita entre minicontos breves a narrativas mais longas, como você definiria o seu estilo de escrita?
Leonardo Brasiliense - Às vezes, ouço alguém falar que no livro mais recente reconheceu meu estilo. Eu próprio não reconheço. Procuro variar as vozes de um livro para outro, para fugir do tédio. Mas aparentemente não consigo, pelo menos no resultado. Quanto aos gêneros, do miniconto ando distante faz tempo, minha linha atual é o romance, e eventualmente algum projeto de contos (como o livro lançado este ano, Eu vou matar Maximillian Sheldon, da Editora Coralina). A parte juvenil da carreira sempre foi por encomenda. 

Foto: arquivo pessoal
O pai de Brasiliense fazendo pipas para a neta Isabela, como fazia com o filho

Diário - Seria cretino perguntar qual é a sua obra favorita?

Leonardo Brasiliense -  Se eu considerar exatamente o termo "escrever", já que cada livro foi escrito ao seu tempo e como resultado de uma necessidade interna irrefreável (exceto os juvenis, que foram por encomenda, eu já disse), a resposta é como a dos pais dizendo "gosto de todos os meus filhos da mesma forma". Mas não posso dizer que, depois de prontos, eu goste de todos eles igualmente; tenho meus preferidos. E, sim, é uma pergunta cretina. 

Foto: arquivo pessoal
A filha mais velha, Isabela, recebendo a caçula Cecília na maternidade

Diário - Especificamente sobre a obra "Adeus Conto de Fadas", você mostra uma compreensão lúcida sobre os conflitos adolescentes. Como o senhor acha que é possível manter esse entendimento depois da vida adulta? 
Leonardo Brasiliense - Eu já era careca quando escrevi esse livro e não tinha muitos adolescentes ao redor. Fiz pesquisa. Mas isso serve para qualquer tipo humano retratado num livro: o escritor tem que fazer pesquisa e tem que encarnar os personagens, tem que entender suas motivações e aprender a pensar como eles e sofrer como eles, por mais distantes que sejam da nossa realidade pessoal (de época, lugar, de condição cultural, econômica, de valores morais, convicções filosóficas etc.). Eu acho que essa é a parte mais divertida de escrever, é quando se amplia os circuito das possibilidades humanas sem correr o risco de ser preso ou apanhar da esposa. 


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