cultura

Há quase um ano, Deborah Rosa falava sobre isolamento social e deixava recado em live do Diário

Cantora, que morreu nesta quarta-feira, fez sua estreia em lives no Papo D Cultura

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A notícia da morte da cantora Deborah Rosa, que faleceu na manha desta quarta-feira, aos 45 anos, vítima de uma parada cardiorrespiratória, deixou familiares, amigos e fãs impactados e tristes com o fato inesperado. Ao longo da quarta-feira, centenas de mensagens e homenagens foram publicadas nas redes sociais para se despedir da artista que era muito querida pelo público. A cantora foi sepultada na manhã desta quinta-feira no Cemitério Ecumênico.

Dona de um grande talento, Deborah foi parceira do Diário de Santa Maria e, inclusive, assinava uma coluna no site do jornal. Há quase um ano, em 23 de abril de 2020, Deborah Rosa fez a primeira aparição em lives no período de pandemia no Papo D Cultura, transmissões ao vivo que ocorrem no Instagram do Diário. Na ocasião, ela conversou com o editor de Cultura do jornal, Cassiano Cavalheiro, a respeito do isolamento social que, na época, havia recém começado e estava sendo respeitado por grande parte da população.


- É a primeira vez que as pessoas estão vendo a Deborah Rosa em uma live. Não costumo fazer. Existem várias manifestações dentro da arte, estou assistindo a muitos amigos, e o que as pessoas estão produzindo, mas, eu realmente ainda sou mais antiga em algumas coisas. Mas estou muito feliz de estar aqui - começou a cantora, sorrindo, após receber elogios do apresentador por seu carisma e boas energias.

Sobre o primeiro período de isolamento social

Deborah foi questionada a respeito de como estava se adaptando ao isolamento social e ao fato de ficar só em casa. Resumidamente, ela concluiu que sua casa era sua fonte de energia e inspiração:

- É um conjunto de coisas. Nesses mais de 20 anos trabalhando com música, tenho oportunidade de estar em vários lugares mas eu sempre gosto de voltar para casa. Estar dentro da minha casa significa estar perto das minhas cores, das minhas coisas, daquilo que eu acredito. É onde eu me oxigeno. Onde eu vou produzir e criar os novos shows, enquanto Luciano vai mergulhar na parte estética, e, principalmente, onde eu consigo serenar. Hoje, eu posso dizer que sou uma pessoa extremamente ansiosa, e aos poucos, estou começando a entender a importância de serenar. Foi um período delicado.

O impacto de ver shows cancelados e se readaptar, ela falou que foi um período difícil e que sentia falta de cantar.

- Já tínhamos dois editais aprovados e os shows não vão acontecer. Precisamos buscar alternativas, de forma serena. Dar uma pausa nas coisas. Trabalhei mais de 60 dias sem parar, de novembro de 2019 a janeiro de 2020, é tudo muito corrido. E chega uma hora que tu precisa se dar conta que você não é mais novinha. Tenho 44 anos e mais de 20 dedicados pela arte.

Artistas e amigos prestam homenagens à cantora santa-mariense

Sobre a conscientização das pessoas em relação a se cuidarem e não sair de caso em casos desnecessários, Deborah disse:

- Esse é o momento de a gente estar em recolhimento em todos os aspectos. Não só de estar quietinho em casa, mas o recolhimento íntimo mesmo e eu estou entendendo isso em mim. E isso está me proporcionando criar. Hoje, 23 de abril, dia de São Jorge, eu estaria fazendo um show, eu sinto muita falta de cantar. Mas esses momentos são importantes até para isso, para que a gente descubra uma nova etapa na carreira e novas linhas de trabalho

Sobre empatia na pandemia

- A partir do momento que a pessoa se dá conta que não é só com ela (reflete)... O pessoal é, extremamente, não só individualista, como egoísta. Precisamos entender que todas as faltas que são tuas, assim como todas as tuas carências, neste momento, não são só tuas. As pessoas vão sair diferentes (desse período) não só no sentido de ser solidárias, mas, sim, no sentido de serem mais verdadeira. Elas vão começar a entender que qualquer pequeno gesto vai fazer diferença.

Relembre a trajetória e a carreira de Déborah Rosa

A arte salva

- Se a gente for se dar conta, hoje, a arte e a cultura estão salvando toda a humanidade. E é o que, muitas vezes, é a ultima coisa que as pessoas vão se preocupar. Não é só comida, afeto, a gente tá em uma carência de tudo. Os pequenos gestos vão sendo feito, e a gente vai se reconstruindo... o choro do amigo que tá longe, a saudade da família, eu sinto falta das pessoas queridas, porém, não devemos ficar lamentando, temos consciência que não é brincadeira, de que é algo grave, é saúde, e nem todo mundo tem a mesma saúde, nem a mesma qualidade de saúde.

Identidade artística

- A artista tem que ter sua identidade, tem que se respeitar, respeitar os outros e ter a sua forma de expressão. A gente tem referências, mas cada vez que eu canto qualquer música, ninguém vai dizer que é a voz da fulana. Não! É a Deborah Rosa. E isso é uma das coisas que me deixa mais feliz.

Recado para o período de pandemia de coronavírus:

- Fiquem em casa, e se precisarem sair, usem máscara.



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