Carnaval

Entidades carnavalescas buscam soluções para retomar atividades em Santa Maria

Após 5 anos sem Carnaval de Rua e uma pandemia, governo Pozzobom sinalizou disposição em ouvir as escolas de samba ao promover o seminário Cultura Popular, há um mês.

Arianne Lima
Foto: Foto: Gabriel Haesbaert (Arquivo)


Foto: Gabriel Haesbaert (Arquivo)

Há seis anos sem Carnaval de Rua e com uma pandemia no caminho, Santa Maria parece cada vez mais distante da folia. A última movimentação ocorreu em março de 2015. Naquele ano, cerca de 10 mil pessoas assistiram ao desfile e viram a Associação Cultural Recreativa Beneficente Unidos do Itaimbé ser a campeã.

Em janeiro de 2016, o cancelamento do Carnaval de Rua em Santa Maria foi confirmado por nota. No comunicado, o então prefeito Cezar Schirmer (MDB) explicou que, devido a dificuldade financeira, o recurso seria destinado para outras áreas.

Durante a primeira e, agora, na segunda gestão do governo de Jorge Pozzobom (PSDB), reuniões e encontros foram realizados com as entidades carnavalescas, sem que houvesse uma previsão de retomada. Mas com a programação da vacinação apontando para o encerramento em setembro, a Associação Aliança pelo Samba busca viabilizar, mais à frente, um retorno à avenida.

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NOVOS RUMOS?

Há um mês, em 29 de maio, ocorreu o seminário Cultura Popular: Diagnóstico das Escolas de Samba de Santa Maria, que contou com a presença de representantes das secretarias de Cultura e Comunicação, lideranças de escolas de samba de Santa Maria, além do prefeito Pozzobon. Na oportunidade, as entidades apresentaram um diagnósticos sobre o envolvimento com a comunidade, projetos ativos e formas com as quais poderiam contar com o poder público.

O Diário de Santa Maria contatou os representantes da Associação Aliança pelo Samba, Sociedade Recreativa Cultural Beneficente Arco-Íris, Escola de Samba Associação Artística e Cultural Vila Brasil e Mocidade Independente das Dores, entidades que participaram do evento.

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PROPOSTAS

No encontro com o Executivo, o presidente da Associação Aliança pelo Samba, Leonardo Ribeiro, 42 anos, apresentou um planejamento com quatro objetivos estratégicos, que visavam dar visibilidade aos trabalhos realizados pela Associação e às escolas filiadas: construir um planejamento coletivo com foco na organização e fortalecimento desta cena, elaborar projetos de captação de recursos para potencializar eventos, além de obter a aprovação de uma lei que assegure a cultura carnavalesca na cidade:

- É um desejo da Associação a Lei do Carnaval. Não só pela nossa geração, mas pelas futuras. Trata-se de uma segurança para que a cadeia produtiva não se quebre. Esse é o nosso primeiro desejo. Até o momento, não tínhamos nada. Entramos no calendário de eventos do município há pouco tempo.

Ainda, o seminário de Cultura Popular teria servido para "quebrar paradigmas" e argumentar sobre as necessidades das escolas enquanto trabalham com e pelas comunidades.

- Este é o grande desafio da associação: ajudar as escolas a terem suas sedes, a Lei do Carnaval e momentos de revolução, porque a cadeia produtiva não pode se quebrar. Somos enfáticos nisso, até para o Carnaval voltar a ser visto como sempre foi. Santa Maria sempre teve um Carnaval grande, levando quase 30 mil pessoas para a avenida. E isso não pode ser jogado fora, porque gera empregos e condições para as pessoas, que fazem sua segunda renda nesse período - conclui Ribeiro.

O projeto de lei, que foi entregue ao Conselho Municipal de Política Cultural de Santa Maria no início do mês, foi uma das pautas da reunião ordinária realizada pelos conselheiros em 10 de junho, através de videoconferência.

De acordo com a presidente do conselho, Aline Zuse, a PL irá passar por um sistema adotado recentemente e que visa o envio, a leitura e análise da proposta por parte dos representantes de todos os segmentos. Após a conclusão desta etapa, uma nova reunião deve ser convocada, para que o conselho analise a estrutura do projeto com as contribuições dos representantes.


Foto: Guilherme Borges (Prefeitura de Santa Maria)

PODER PÚBLICO

Por vídeo chamada, a secretária de Cultura, Rose Carneiro, explicou que o foco do encontro não era tratar especificamente sobre o Carnaval de Rua, mas, sim, sobre a gestão das escolas como atuantes na comunidade.

- Esse primeiro seminário foi uma forma de aproximar as entidades carnavalescas da prefeitura para que fosse possível mostrar tudo o que elas fazem. Não foram apresentados planos para o Carnaval, porque isso vai depender de como tudo estará em função da pandemia, vacinação e dos protocolos que devemos seguir - afirma.

De acordo com Rose, a partir deste primeiro seminário, serão pensadas formas de inserir as escolas de samba em projetos maiores, valorizando-as.

- A secretaria reconhece a cultura carnavalesca como um dos nichos que enriquece o município como Cidade Cultura e, acima de tudo, valoriza o trabalho feito pelas entidades. Santa Maria tem seu próprio Carnaval, seja ele de rua ou não, as escolas se envolvem com a comunidade em diversos aspectos e segmentos e não somente naqueles dias - finaliza Rose, ressaltando que cada município tem uma realidade com o festejo e por isso, não seria correto comparar o carnaval local com o de cidades como Uruguaiana ou Jaguari.

Próximo encontro ainda indefinido

Apesar de haver novas etapas previstas, o seminário de Cultura Popular não tem um novo encontro agendado para dar continuidade à conversa entre as escolas e o Executivo.

- Não há um cronograma de ações, nem uma data exata para o próximo encontro. Esse primeiro seminário foi uma forma de aproximar as entidades carnavalescas da prefeitura para que fosse possível mostrar tudo o que fazem, não só pelo Carnaval.

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COMO ESTÃO AS ESCOLAS?

A tesoureira da Sociedade Recreativa Cultural Beneficente Arco Íris, Elisangela Garcia Ribeiro, 42 anos, comenta que, mesmo sem sede própria, as ações e projetos beneficentes seguem sendo realizados:

- Nós sempre buscamos realizar nossos projetos com ajuda de integrantes. E ganhamos patrocínios de pessoas que estão conosco na escola para isso.

Após o sucesso das transmissões ao vivo do evento "Abrace o Samba, Sejamos Amigos" com produção da HVinte, a entidade se prepara para lançar um projeto em formato semelhante: o "Samba no Quintal da Arco-íris".

- O objetivo é arrecadar alimentos e cobertores para nossa comunidade. Serão realizadas lives, pois temos que ter distanciamento devido à pandemia - comenta Elisangela.

A Escola de Samba Associação Artística e Cultural Vila Brasil também não parou de produzir. Com um histórico de projetos concluídos e em andamento em parceria com UFSM, a entidade carnavalesca se prepara para dar andamento aos projetos recentemente aprovados com a Antonio Meneghetti Faculdade (AMF) e com o Theatro Treze de Maio, onde deve ser apresentado o espetáculo Um Enredo Vermelho e Branco: a Diversidade Linguística do Carnaval da Vila Brasil, em agosto deste ano, através do

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Para o presidente da Vila Brasil, Sérgio Silva, 64 anos, sem estrutura e incentivo público, não seria possível retomar o Carnaval. Mas, caso houvesse, seria necessário motivar a comunidade novamente após esse longo período sem Carnaval.

No segundo semestre, a Mocidade Independente das Dores também deve promover projetos voltados à comunidade e dar continuidade aos já existentes.

De acordo com o carnavalesco da Mocidade, Anderson Braz, 49 anos, a escola de samba já estaria em tratativa com o poder público para realizar reforma e sanar demais demandas. Para ele, o seminário foi positivo e refletiu o reconhecimento da contribuição das entidades na cidade cultura.

- O poder público tem que ser parceiro das escolas, porque temos ações que dependem do auxílio municipal. Hoje, a mocidade tem seu estatuto registrado em cartório, diretoria eleita e busca sanar seus problemas legais. O seminário foi uma prova de que o poder público, pela primeira vez, está olhando as escolas como gestoras de cultura em suas comunidades e no cenário da cidade - afirmou Braz, destacando o projeto local Juntos somos Um, que insere crianças e adolescentes na arte, leitura, desenhos, dança e teatro.


NA LUTA

O Diário de Santa Maria entrou em contato por telefone com o presidente da Associação Aliança pelo Samba, Leonardo Ribeiro, para saber sobre a situação das Associações e Sociedades recreativas beneficentes Unidos do Itaimbé, Império da Zona Norte, Unidos de Camobi e Barão de Itararé. De acordo com Ribeiro, a Unidos do Itaimbé está com atividades paradas por conta da pandemia.

Mesmo sem atividades presenciais no Ginásio Guarany Atlântico, a Império da Zona Norte tem promovido a venda de risotos na comunidade. E a convite das escolas de samba Vila Brasil e Arco-Íris, o presidente da Império, Daniel Barbosa, e integrantes da entidades estariam participando das transmissões ao vivo, reforçando a equipe durante os eventos.

Após a resolução de um processo judicial, a Unidos de Camobi se prepara para retomar às atividades, assim como a Barão de Itararé, cuja diretoria interna está dando andamento aos documentos necessários. 


Foto: Gabriel Haesbaert (Arquivo)


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