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Cultura deixa de arrecadar pelo menos R$ 4 milhões durante a pandemia

Segmentos de cinemas, boates e shows praticamente não tiveram atividades desde março de 2020

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O setor de cultura e do entretenimento foi drasticamente abalado pela pandemia. Desde março de 2020, praticamente todas as atividades estão paradas. Casas de festas (baladas), teatro e cinemas tiveram poucos dias de funcionamento neste período e, em Santa Maria, o segmento deixou de arrecadar, pelo menos, R$ 4 milhões. Isso causou um grande prejuízo para empresas do ramo. A queda no faturamento nos cinemas de Santa Maria despencou 80% em relação a 2019. Uma das maiores empresas de shows que atua na cidade, a Morphine Produções, está com saldo negativo. Com os shows cancelados, teve de dispensar funcionários e deixou de movimentar dinheiro em impostos. O Diário conversou com empresários dos três segmentos para dar conta do tamanho do prejuízo causado pela pandemia do coronavírus até agora.

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Boate: R$ 600 mil a menos em impostos

Foto: Reprodução
De acordo com um dos donos da Moon, por mês, Santa Maria deixou de arrecadar R$ 50 mil de impostos em função do fechamento da balada

As portas das casas noturnas de Santa Maria se fecharam há mais de um ano. Sem poder funcionar, acumularam demissões e prejuízos que refletem em toda uma cadeia produtiva. Na Moon Nightlife, segundo Fábio Ravanello, sócio-proprietário do local, junto ao irmão, Adriano Ravanello, dos 40 colaboradores diretos que possuíam, como caixas, atendentes, garçons e serviços gerais, hoje, apenas um funcionário segue na ativa. Além disso, também haviam 20 seguranças que prestavam serviço por meio de uma empresa terceirizada, sem contar as contratações de músicos e artistas.

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A alternativa para se manter neste período foi focar no trabalho na 7 Night Bar, onde ele e o irmão também são sócios, já que o local, por ser um bar com comidas e bebidas, pôde funcionar seguindo os protocolos sanitários. Mensalmente, Fábio estima que a cidade deixou de arrecadar em impostos da boate cerca de R$ 50 mil. Apesar desse cenário, Ravanello se mantém esperançoso com o retorno:

- Ainda não sabemos quando poderemos retornar, mas estamos ansiosos e torcemos para que seja ainda em 2021. Conforme a vacinação avança, vamos ficando mais otimistas. Mas, neste momento, é impossível fazer qualquer projeção. Porém, quando tudo voltar ao normal, além da Moon, o Espaço Esmeralda também realizará grandes eventos voltados para o entretenimento jovem - afirma o empresário.

Na Aruna Club, a alternativa de renda dos proprietários foram outros empregos que já tinham antes do empreendimento. As despesas do local continuaram girando, e eles contaram com possibilidades de crédito do governo para arcar com aluguel e demais contas, de acordo com Kaue Afonso Friedhein, um dos sócios. Eles não informaram quanto estimam de prejuízo. Antes, a casa noturna contava com quatro funcionários com carteira assinada e em torno de 60 a 40 funcionários freelancers por noite. Hoje, dois funcionários foram mantidos.

- Com a vacinação, a gente fica otimista, talvez até o final do ano, conseguir retornar. O fechamento definitivo nunca passou pela nossa cabeça, não devemos fechar as portas - conta Friedhein. 

A reportagem tentou contato com o bar Rockers Soul Food, mas não teve retorno, e, também, com a boate Corujão, que preferiu não se manifestar a respeito. 

Cinema: "O prejuízo foi gigantesco"

Foto: Renan Mattos (Diário)
Desde de março do ano passado, os cinemas de Santa Maria abriram as portas apenas por duas semanas, em 2020, e por quatro dias, em 2021. Por esse motivo, permanência das salas locais é incerta

As salas de cinema de Santa Maria estão fechadas há, praticamente, um ano. Com exceção de duas semanas, em dezembro de 2020, e de quatro dias de janeiro de 2021. Fora isso, nada de lançamentos, filas e pipoca. Segundo Gabriel Silva, gerente de marketing da exibidora Arcoplex, que tem salas no Royal Plaza Shopping, a queda em público e renda foi de 80%. Se em 2019 as duas empresas locais celebravam a arrecadação superior a R$ 5 milhões, em 2020, as vendas de ingresso não chegaram a R$ 1,2 milhão e em 2021, até agora, a arrecadação foi de R$ 4.209, uma queda de 99%. Os dados são da Agência Nacional do Cinema (Ancine).

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A Arcoplex, que tem 85 salas, em 22 cidades de seis estados do Brasil, por sua vez, não desamparou seus funcionários. Segundo Silva, são 11 no complexo de Santa Maria, que conta com quatro salas, e não houve demissões. Apenas funcionários que pediram demissão foram desligados.
- Os funcionários do Arcoplex Royal Plaza estão em casa, aguardando a retomada das atividades, visto que o cinema se encontra fechado. Vale ressaltar que, mesmo em casa, estão recebendo salário - informou.

Com a pandemia se encaminhado para seguir em 2021, com as restrições e salas fechadas, a posição da Arcoplex em manter o complexo na Cidade Cultura é de dúvida.
- Estamos trabalhando duro para que tal fato não aconteça. O cenário é muito preocupante, pois vamos para o segundo ano de pandemia, porém, acreditamos numa melhora durante os próximos meses - finaliza o gestor.

O diretor do Royal Plaza Shopping, Ruy Giffoni, atendeu ao Diário e lamentou que o cinema não possa funcionar no momento:
- É um dos pontos geradores de fluxo de pessoas no shopping. Então, o não funcionamento dele compromete as atividades. Quando ele abre, aumenta em 50% o movimento de pessoas que vêm para cá, circulam e consomem.

A reportagem fez contato com as assessorias de imprensa da Cinépolis e do Shopping Praça Nova. A primeira, agradeceu o contato mas não quis repassar as informações pedidas. O shopping foi questionado sobre o impacto do fechamento do cinema na questão de circulação de clientes no local, e a resposta foi de que a empresa não fala sobre números e negociações e não iria participar da reportagem.

Shows: arrecadação zero e saldo negativo

Foto: Renan Mattos (Diário)
Um dos últimos shows representados pela Morphine em Santa Maria foi o de Marília Mendonça, que ocorreu em novembro de 2019, no estacionamento do Praça Nova

O setor dos shows foi outro dos afetados pela pandemia, principalmente, em 2020, quando praticamente todos as apresentações marcadas para ocorrerem em Santa Maria foram adiadas ou canceladas. Os Paralamas do Sucesso, Gusttavo Lima e Felipe Araújo foram alguns espetáculos que não ocorreram.

Segundo dados disponibilizados pela Associação Brasileira dos Promotores de Eventos (Abrape), cerca de 97% das empresas de entretenimento teriam paralisado as atividades em março de 2020, resultando em um prejuízo acima de R$ 90 bilhões para categoria.

O diretor da Morphine Produções, Ademir Nunes, explica que o processo de produção de eventos envolve, muitas vezes, um investimento antecipado, como o pagamento do cachê de artistas e aluguel de espaço. Estes valores devem ser cobertos mais tarde, com a arrecadação da bilheteria.

Entretanto, em 2020, o empreendimento teria encerrado as atividades com saldo negativo. A última atividade da produtora ocorreu longe do Coração do Rio Grande, em 4 de janeiro, com o show Baile do Nêgo Véio, do cantor Alexandre Pires, realizado na praia do Cassino, no litoral:
- Quando se fala sobre arrecadação, para nós, 2020 não existe. O saldo foi zero. Tivemos mais cachê pago a artista do que bilhetes vendidos.

Após um mês, Nunes teve que encerrar o contrato com a equipe, composta por funcionários diretos e indiretos. Sem poder trabalhar, o produtor resolveu se reinventar e dar início a um novo empreendimento, com o qual conseguiu quitar dívidas e readmitir antigos integrantes da produtora:
- A Morphine está em "stand-by". Pretendemos voltar aos poucos, com cautela e sem pressionar as autoridades, porque entendemos que sem a vacinação plena, os shows podem se tornar espaços de risco para nós e para o público. E não desejamos isso.

As apresentações dos cantores Felipe Araújo e Gusttavo Lima em Santa Maria, que deveriam ocorrer em 2020, devem ser remarcadas e entregues ao público.
- Nós pretendemos entregar os shows. Pedimos que quem adquiriu ingresso, guarde-o em um lugar seco e limpo, porque ele ainda é válido. Talvez, consigamos entregar ainda shows com mais atrações do que as já anunciadas. Apostamos nisso. Mas, tudo depende do momento. Agora, precisamos nos cuidar. Nós remarcaremos os shows. Mas caso não consigamos, iremos devolver o dinheiro - afirma o empresário.

(Colaboraram Arianne Lima, Rodrigo Ricordi e Victoria Debortoli)


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