com a palavra

Comunicador conta sobre criação de rádio web em Santa Maria

Edson Kah é fundador e um dos gestores da Rádio Armazém

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Edson Kah, 45 anos, é fundador e um dos gestores da web rádio Armazém, que, em 2020, completa 5 anos. Autodidata, o comunicador cresceu em meio aos discos e ao rádio, o que só fez com que a vontade de montar um projeto nesse meio aumentasse. Quando chegou em Santa Maria, tirou o sonho do papel e, com o apoio de amigos, começou a propagar a cultura da cidade e dos arredores para o mundo todo, via internet. Falar sobre música, literatura, esporte e inúmeros debates alimentados com a perspectiva de dar voz àqueles que nem sempre a tem, rendeu à Armazém o segundo lugar do Prêmio Profissionais da Música na categoria Melhor Web Rádio do Brasil em 2019.

Diário - Quando você chegou em Santa Maria? 
Edson Kah -
Nasci em Charqueadas e cheguei em Santa Maria em 2012 com a ideia de montar um projeto de web rádio. Foi bem difícil. Eu não conhecia ninguém e a cidade passava por um momento complicado. Na época, estava fechando o DCE e, logo em seguida, teve a tragédia da Kiss. Cheguei a começar a Supernova, uma web rádio. No entanto, com a tragédia, ela ficou pausada por meio ano. Em seguida, eu acabei saindo da rádio. 

Diário - Sempre foi apaixonado por rádio?
Edson -
Meus tios e primos mais velhos pegavam fitas cassetes e gravavam suas vozes, o que hoje seria uma mixtape. Observando aquilo, com uns 7 ou 8 anos, ficava abismado. Quando eu tinha uns 13 anos, minha tia começou a ouvir a Rádio Ipanema que, para mim, é a mais importante do Rio Grande do Sul e, talvez, do Brasil. Nos anos 1980, ela ajudou a impulsionar todas as bandas do rock gaúcho, tudo de Porto Alegre que era "clandestino" ou "perverso", a Ipanema divulgou. Era como se fosse uma MTV, com narrativas de rua, não era formal. Eu ficava encantado. Nunca imaginei que teria uma rádio. Era tudo muito difícil e caro. Quando eu ainda morava em Charqueadas, um amigo me convidou para apresentar na rádio e aceitei. Era um programa de heavy metal que se tornou o que mais tinha audiência na rádio. Antes, tentei tocar em banda e ter um trabalho "normal". Mas a internet conseguiu abrir as portas para muita gente. Por volta de 2008, no início das rádios web, meu amigo e eu montamos uma emissora em casa, mas não tínhamos nem servidor. Mesmo assim, foi uma experiência muito legal. 


Diário - E como surgiu a Rádio Armazém? 
Edson -
Quando saí da Supernova, estava meio desiludido. Então, amigos insistiram para montarmos outra rádio. A Cyssah Oliveira, gestora da Armazém comigo, também "pilhou" e começamos a rádio em 2015. Começamos com apoio de muitas pessoas e com o propósito que mantemos até hoje, dar visibilidade a quem não tem. Acho estranho a gente classificar um tema como "conteúdo alternativo" . Afinal, na internet tem diversidade, basta as pessoas quererem e procurarem. A Armazém não é uma rádio alternativa. É uma alternativa de rádio. Quando a gente começou, as pessoas tinham preconceito com a rádio web. Diziam que era uma coisa clandestina, pirata, ou algo montado em uma garagem velha.

Diário - De que maneira funciona a produção de conteúdos da rádio? 
Edson -
A gente faz muita programação ao vivo. Só no ano passado, foram 35 horas por semana de conteúdo ao vivo. Rádio é conteúdo ao vivo, não playlist. Nossa programação é feita de acordo com o que as pessoas estão conversando. Estamos de portas abertas para novos programas. É um espaço para que todo mundo que gosta de se comunicar. 

Diário - O que mudou nesses cinco anos? 
Edson -
Fazer cinco anos é uma grande conquista. Em Santa Maria é difícil ver projetos durarem mais que dois ou três anos. Falam que é resistência, mas eu acho essa palavra muito forte. Parece que estamos fazendo algo que não queremos. Só que é ao contrário, a gente faz o que a gente ama. Temos muita sorte de sempre agregar com pessoas muito especiais. 

Diário - Com quais apoiadores a rádio conta?
Edson -
Temos uma parceria forte com a UFSM, onde ficamos incubados por cerca de dois anos em um projeto. Lá, nos abraçaram em um momento muito crítico, quando precisamos de um lugar físico e nem a prefeitura nos ajudou. A gente tenta fazer o máximo com o pouco que temos. Aqui tudo é independente. Nossa intenção é colaborar na comunicação da cidade, principalmente para que as vozes do gueto cheguem no centro. 

Diário - Onde é a sede da Rádio Armazém? 
Edson - Há dois anos, estamos na Casa Brique, na Vila Belga. Há algum tempo, Kalu, do Brique, trouxe um senhor que era um antigo morador para conhecer a rádio. Quando ele chegou, perguntou se eu sabia o que funcionava na sala onde estávamos e respondi que não. Então, ele me contou que, naquele local, funcionava a sala de comunicação dos trens, na época ferroviária. Ou seja, era um espaço já destinado à comunicação muito antes. 

Diário - Por que é tão importante falar de cultura?
Edson -
A cultura passa por um momento extremamente deprimente, com narrativas absurdas. A rádio começou a trabalhar muito no ano passado para reforçar a história, os fatos que aconteceram, tentar passar informação o mais fiel possível. Mais do que nunca, precisamos continuar a falar em cultura. Nessa onda de intolerância, todo mundo quer ser o rei da verdade. A cultura é necessária para a ampla visão da sociedade e do mundo.


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