cena cultural

Com aulas por vídeo e lives, artistas precisam se reinventar durante a pandemia

Categoria foi uma das primeiras a ser afetada e deve ser uma das últimas a voltar a ativa presencialmente

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Foto: Foto: Pedro Piegas (Diário)

Foto: Divulgação
É de casa que o DJ Mezomo tem realizado lives de música eletrônica

"A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou, e agora, José?", questionava o poeta Carlos Drummond de Andrade, mesmo sem imaginar, muito anos antes, que uma pandemia pararia tudo em 2020. A classe artística foi uma das primeiras a parar todas as atividades no início do ano e, por geralmente envolver aglomerações, é provável que seja uma das últimas a voltar a ativa de forma presencial. Em meio a incertezas, em Santa Maria, músicos, atores e produtores se reinventam para sobreviver. 

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Uma das alternativas encontradas foi usar a internet como ferramenta de trabalho, e embarcar nas transmissões ao vivo. O produtor musical e DJ Bruno Mezomo transformou uma das festas mais populares de música eletrônica da cidade, a Sunset Sessions, em uma live de mais de 10 horas com diversas atrações musicais.

Desde que a quarentena começou, ele usa o tempo para criar novos trabalhos e se manter conectado, pelas redes sociais, com o público. Por outro lado, quando o assunto é remuneração, não tem sido pela música que o dinheiro tem chegado. 

- Amigos e conhecidos pelo Brasil inteiro, cada um está dando seu jeito, indo trabalhar na empresa familiar ou buscando uma outra remuneração. No nosso mercado, não está existindo fonte de renda de nenhuma forma. Nem mesmo vendendo a nossa música não se existe uma remuneração representativa devido ao novo mercado da atualidade, com o domínio das grandes companhias de streaming - comenta Mezomo. 

Foto: Ericson Friedrich (Divulgação)
No final de junho, Brum participou da live da banda Tavares Brothers, realizada pela HVinte

O músico Vinícius Brum, 38 anos, trabalha há 20 anos na área e, hoje, é só da música que tira seu sustento. Com a pandemia, ele também recorreu às lives para tentar "se virar". Entre um show online e outro, Brum tem contado com a busca por patrocínios e ajuda do público para se manter:

- Está bem difícil, a gente está se virando com o mínimo. A gente precisa correr atrás e, nas lives, a gente tem colocado uma conta para colaboração para quem quiser ajudar, e tem rolado, o pessoal tem dado uma força - conta Brum.

Sem palmas e cantorias dos fãs, o próprio jeito de fazer um show também mudou:

- É uma experiência nova apresentar para uma tela, mas é tudo muito frio. A gente vai se readaptando e tentando interagir pelas redes, o que o pessoal tem feito bastante - completa o músico. 

AULAS POR VÍDEO
A artista Natália Dolwitsch trabalha com circo, bambolê e ballet na escola de artes Espaço Umbigo e também tem a loja de bambolês artesanais Umbigo de Bruxa. Além dos espetáculos e performances, é das aulas ministradas para crianças e adultos que ela também tira seu sustento. Só que o formato precisou mudar. 

- Eu faço videoaulas semanais com os alunos, também faço vídeos e mando nos grupos para eles. Mas perdemos cerca de 60% do nosso orçamento em relação ao ano passado, porque muitos alunos não conseguiram continuar. Outra parte que perdemos foi também os eventos cancelados. Nesse ano, nossa agenda estava bem cheia, com viagens por todo o Brasil pela Umbigo de Bruxa - relata Natália.

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Mas usar as ferramentas online tem sido um desafio para ela, que não parou de criar projetos e treinar neste período: 

- Está sendo uma redescoberta, porque as aulas, principalmente, precisam de um contato físico, do toque. Mas temos tido um retorno bem legal dos pais das crianças, que têm nos apoiado bastante - comenta. 

Toda quinta-feira, ela realiza lives com aulas de bambolê gratuitas no canal do Youtube

ESPETÁCULO ONLINE
O Teatro Por Que Não? nasceu em Santa Maria há dez anos e hoje é composto por sete atores e diretores formados no curso de Artes Cênicas da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Além dos espetáculos, o grupo também oferta ao público aulas de teatro. Com a pandemia, tudo teve que ser adaptado para a internet. 

De acordo com a atriz Juliet Castaldello, 30 anos, além da migração das aulas que já aconteciam presencialmente para o ambiente digital, o teatro também abriu turmas contínuas especialmente para a internet. Neste período de isolamento, também nasceu um novo espetáculo, intitulado Isso Não É Um Espetáculo, feito ao vivo de forma online pela plataforma Zoom. A peça acontece a partir das interações dos atores, que estão cada um na sua casa. Essa é a primeira estreia sem abraços entre os colegas e amigos. 

- A gente tinha o (espetáculo) Say Hello Para o Futuro, que acabava brincando com essa relação do teatro e internet. A gente usava bastante o espaço da internet para divulgar e atuar, até porque tinha uma cena que a gente transmitia ao vivo, mas de qualquer forma ele acontecia dentro do teatro. Uma experiência como essa, totalmente online, a gente nunca tinha tido, porque ela foge ao que estamos habituados. É uma coisa que acaba surgindo pelas circunstâncias, talvez se não fosse pela pandemia a gente nunca teria proposto algo para o público assim - explica Juliet. 

Foto: Pedro Piegas (Diário)
Esse é o primeiro espetáculo totalmente online do grupo

O grupo fará uma nova apresentação nos dias 1 e 2 de agosto. Os ingressos custam R$ 15 e podem ser adquiridos no site. O teatro também lançou uma loja online (confira aqui), com produtos, cursos e workshops, que podem ser comprados agora e usados quando a pandemia acabar. 

- Estamos fazendo uma espécie de pré-venda de alguns produtos para quem pode nos ajudar nesse momento, e é uma forma de também conseguirmos buscar esses valores perdidos, correr atrás - completa a atriz. 

EDITAIS
Outra alternativa para que o cenário cultural continue nesse momento é a participação em editais. Em Santa Maria, a prefeitura lançou o edital Viva Cultura, que vai destinar R$ 100 mil para o setor. Ao total, 70 projetos nas áreas de artes visuais, audiovisual, circo, dança, empreendedorismo cultural, literatura, música e teatro foram selecionados. 

Um deles é do Vinicius Bertolo, 40 anos, professor e proprietário do estúdio Caixa de Sons. O empreendimento, que surgiu em 2014, está de portas fechadas desde o início da pandemia. Ele segue realizando alguns serviços que podem ser feitos à distância, como mixagem de sons, mas a perspectiva de uma volta à normalidade ainda é distante.

Com o conhecimento na área, ele criou o projeto aprovado, Oficina de Produção Audiovisual em Tempos de Distanciamento Social, em parceria com Erick Corrêa. 

- A gente vai fazer uma live para dar dicas e conversar com as pessoas sobre o que elas podem fazer para melhorar as lives feitas em casa. Isso vai desde a qualidade da gravação, do áudio, de como preparar a sala, para ter as transmissões com mais qualidade - explica. 


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