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Mercado imobiliário espera crescer em relação ao momento atual em Santa Maria

A construção civil é uma área que gera empregos, movimenta a economia e atrai investimentos de outras cidades para Santa Maria. Apesar de enfrentar alguns problemas e depois de estar em um momento de recuperação desde a crise vivida em 2014, os números são positivos na cidade. A construção de novos empreendimentos reflete diretamente no mercado imobiliário, que tanto na locação quando na venda de imóveis, se mantém otimista e espera números melhores neste semestre e para os próximos anos. Em reportagem especial, o Diário fala dos investimentos, empregos e situação atual do ramo em Santa Maria, 

MERCADO DA LOCAÇÃO SEGUE AQUECIDO
Se por um lado as vendas de imóveis (apartamentos, casas e terrenos) seguem em um ritmo mais lento, o mercado da locação de imóveis segue sendo um nicho aquecido. Até porque, se por enquanto não é possível dar um passo em direção ao sonho da casa própria, segue-se morando de aluguel. Na Imobiliária Taperinha, a mais antiga da cidade, com quase meio século de existência, a expectativa é que este fosse, de fato, um ano melhor.

Para Raquel Trevisan, que é diretora de marketing e de vendas da imobiliária, o momento segue sendo o de manter o freio de mão puxado em relação a novos investimentos. Porém, nem por isso, ela avalia que o ano esteja perdido ou faça de 2019 "terra arrasada":

- O ano de 2019 está bem melhor que 2018, mas não o que esperávamos. A expectativa é que 2020 seja mais promissor do que o 2019.

Ainda que o período seja difícil, a Taperinha segue tendo "muito mais ocupações do que desocupações". O carro-chefe da imobiliária é a locação, que tem mais de 2,2 mil imóveis no mercado. Na sequência, vem a venda com uma carta de mil imóveis e, fechando o tripé, está a administração de 80 condomínios, que dá um total de quase 1 mil apartamentos. Mas tudo isso também passa necessariamente por uma estratégia arrojada e certeira.

- Além de ser vital ter uma saúde financeira saudável para atravessar esse período, é fundamental estratégia. Ou seja, saber se comunicar e reforçar a marca. Temos de ser ágeis e eficientes na captação de clientes e ao apresentar nossos imóveis. É preciso ser certeiro no tiro - diz Raquel.

PARCIMÔNIA
Um reflexo da crise sentido pela Taperinha foi o atraso no pagamento do funcionalismo estadual, o que trouxe um índice expressivo de inadimplência em 2018. Raquel lembra que muitos imóveis foram deixados por locatários que tiveram de ir morar, por exemplo, na casa de familiares e dos pais.  

Por tudo que já passou e ao observar o presente, Raquel Trevisan avalia que os anos de 2020 e de 2021 serão de um otimismo comedido.

- Santa Maria, de forma geral, demora para sentir os efeitos de uma crise. Mas também demora para sair. Por isso, a gente vê os próximos dois anos com certo otimismo e, com isso, esperamos que os investidores voltem a dar as caras - observa. 

DE OLHO NO FUTURO
O fim do primeiro semestre e o começo, agora, desta reta final de 2019 dão indicativos de que as nuvens mais pesadas começam a se afastar. Ainda que o céu siga encoberto pelas instabilidades, a confiança parece despontar no horizonte. A análise é de Giuliano Cancian, proprietário da Cancian Imóveis e diretor do Secovi. Ele pontua que o período mais crítico se deu ao longo do segundo semestre do ano passado e, ainda, nestes primeiros seis meses de 2019.

Porém, os meses de julho e de agosto evidenciam que a confiança do investidor melhorou. Em uma escala de zero a 10, ela (confiança) passaria sem recuperação, compara Cancian, que projeta que 2020 e 2021 tendem a ser mais positivos.

Mas nada que se possa comparar com o setor que viveu seu "boom" na cidade entre 2008 a 2014 (tendo o ápice em 2010), ressalva. Nos últimos anos, o comportamento do investidor mudou e isso preocupa quem é do setor. Até 2014, por exemplo, era comum que aquele que estivesse interessado em um imóvel o comprasse na planta. Agora, a tendência tem sido a de esperar a conclusão da obra para, depois, efetuar a compra.

- Ali naquele período, quando se teve o boom do setor na cidade, o contexto era completamente diferente. Foi a combinação de facilidade de crédito e uma demanda e uma oferta por imóveis compatíveis que proporcionaram aquele momento, que dificilmente se repetirá. Se o ano que vem e o 2021 for algo como um meio termo, já será benéfico - avalia Cancian.

LIGEIRA MELHORA
Cancian conta que, nos últimos 60 dias, a imobiliária dele fez a venda de mais de cem unidades de apartamentos junto a um empreendimento - que é erguido por uma construtora da cidade - voltado ao Minha Casa, Minha Vida. Os apartamentos de dois dormitórios, com valores de R$ 138 mil, ficam na Avenida Walter Jobim.  

Cancian avalia que a tendência, com a retomada da confiança do investidor, é que o estoque vá sendo vendido.

ATRATIVO E LUCRATIVO
Considerar um ano como sendo bom, dentro do setor da construção civil frente às dificuldades, é um feito a ser comemorado. Foi assim que a Urbanes Empreendimentos fechou 2018. O gerente geral da empresa, Avelino Jr., é categórico ao dizer que em tempos de crise e de incertezas "o imóvel sempre se mostra como uma moeda forte". Para ele, a Urbanes se vale de uma combinação que tem se mostrado acertada junto à clientela: uma marca forte, produtos diferenciados e boa localização.

- Tem, é claro, todo o trabalho feito por nós em cima desse tripé. Mas, igualmente, importante é o fato de Santa Maria ter uma condição diferenciada. Ou seja, aqui, há uma espécie de colchão que amortece os efeitos da crise. Basta dizer que está em Santa Maria a segunda maior poupança do Estado. Então, é aquilo que costumamos dizer: o dinheiro existe e ele está aqui e apenas aguardando a oportunidade certa de ser aplicado.

Até o momento, "2019 tem se mostrado morno, mas com as vendas acontecendo", avalia Avelino Jr. Ele projeta que, para estes últimos quatro meses do ano, a tendência é de uma retomada mais robusta. No momento, a Urbanes tem quatro projetos em execução que, juntos, somam a cifra de R$ 200 milhões - sendo dois bairros planejados e outros dois condomínios fechados. Um desses bairros planejados, é o Alberto Schons, que fica em frente ao Hospital Regional de Santa Maria.

Já para o próximo ano, a Urbanes - que também tem investimento em São Borja -, dará a largada em, ao menos, mais outros dois empreendimentos em Santa Maria. Um deles já está, inclusive, com uma área comprada no Bairro Boi Morto e é voltado ao nicho militar. A ideia é que o loteamento contemple aqueles que estão em início de carreira junto às Forças Armadas.

A fase, no momento, é de projetos (que estão em estudo). Também no radar da empresa está a análise de algumas áreas junto ao Bairro Itararé e, uma vez definido o local e comprado, a meta é viabilizar um condomínio fechado.

O PERFIL DO COMPRADOR 

  • Morador de Santa Maria e também da Região Central do Estado
  • Funcionalismo público e militares
  • Empresário da cidade e ainda profissionais liberais e da iniciativa privada
  • Compradores da região são ligados ao agronegócio e buscam imóveis para investimento
  • Destaque para ruralistas de Tupanciretã, a maior produtora de soja do Estado

ENDEREÇOS MAIS BUSCADOS

  • Centro
  • Bairro Camobi
  • entorno da Universidade Franciscana (UFN) no Bairro Rosário
  • Região Oeste (próximo do shopping Praça Nova
  • Hospital Regional e Distrito Industrial) 


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