reportagem especial

VÍDEOS: no Dia dos Pais, os relatos da experiência da paternidade juntos dos filhos e filhas

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Foto: Foto: Pedro Piegas (Diário)

Foto: Renan Mattos (Diário)

EM CONSTANTE CONEXÃO 
Alisson Jorge Vey, 39 anos, e Ircon Jorge Vey, 64, têm até dificuldade de mencionar um momento emblemático entre filho e pai. É que a relação de ambos é tão próxima, que as trajetórias se fundem. Um parece ser extensão do outro. E não é só no nome e no sobrenome. 

- Acho que não consigo lembrar de um segredo que eu tenha com o pai. Ele sabe tanto da minha vida e eu sei tanto da dele - conta Alisson.

Há décadas, eles mantêm a amizade, as decisões de trabalho e a parceria para o lazer. Ainda na infância, Alisson passava os dias correndo entre os carros da oficina de veículos do pai. Em meio às conexões elétricas de tantos fios e cabos, eles também parecem ter se conectado de tal maneira ao longo dos anos, que hoje não se enxergam longe um do outro. Aos poucos, o curioso Alisson começou a aprender técnicas, dar pitacos até optar por seguir a mesma profissão do pai.

- O Totoio (apelido do filho) aprendeu tudo. Já foi para São Paulo, Espanha e Alemanha fazer cursos. Hoje está muito melhor do que eu, o que é um orgulho. Sempre foi grudado comigo. Até a adolescência, ele não ia dormir no quarto dele sem antes ir para o meu conversar um pouco. E, até uns 15 anos, a mãe dele saía cedo para dar aula, tipo 6h, ele fugia para minha cama e ficava até eu levantar. Depois que cresceu, tive de dar uns puxões de orelha, o que é normal, mas até nossos gostos são parecidos. É na oficina, nas férias, nas corridas de moto, para andar de jet ski ou para viajar de motorhome e acampar. Sempre acompanhei ele e sempre estivemos juntos - pontua Ircon.

Foto: Renan Mattos (Diário)

O filho concorda e lembra que ao longo dos anos o pai foi "amaciando". Alisson tem duas irmãs: Daniela, 42 anos, do primeiro casamento de Ircon, e Milena, 10, do segundo relacionamento do pai.

- É um alemão teimoso, mas um coração grande. Nos domingos, tu pensas: nem aguento mais ver a cara de quem fico vendo a semana inteira, mas acontece o contrário. O primeiro que me liga para tomar mate é ele. Depois, fazemos churrasco. É um pai e um amigo. E o que tu perguntares para mim e eu disser, ele vai te responder parecido. Nossa voz "é a mesma" - relata o filho que um dia quer virar pai e sabe bem em quem se inspirar.

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PROXIMIDADE AFETIVA ALÉM DA DISTÂNCIA GEOGRÁFICA
As músicas por algum tempo perderam o sentido de serem ouvidas e demorou para que os churrascos fossem ressignificados, desde que o filho já "criado" deixou a casa.

- Aos poucos, vi que ele estava bem, que fazia parte do crescimento, mas fiquei um tempo mal mesmo... foi estranho, sabe? - conta o representante comercial Giovanni Gonçalves Pinheiro, 55 anos, ao expressar a experiência de ter de se distanciado do filho Daniel Vizzotto Pinheiro, quando o filho mudou-se para Santa Catarina, em fevereiro de 2018.

Foto: Renan Mattos (Diário)

O jovem de 26 anos é servidor público e compreende a angústia do pai, com quem construiu um vínculo de imensa confiabilidade. Para ele e para a irmã Ana Luiza Vizzotto Pinheiro, 23 anos, Giovanni é referência.

- Em épocas de transição na minha vida, como essa quando vim morar em outra cidade ou até mesmo quando terminou o meu primeiro namoro, ele aguentou firme a minha choradeira. Meus amigos, inclusive, conhecem essa minha proximidade com ele e temiam me contar as coisas com medo de eu "fofocar" - relata Daniel, com bom humor.

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Na infância, na adolescência ou na fase adulta, não importa. Para Giovanni, por mais clichê que possa soar, "o filho nunca cresce", embora reconheça Daniel como um homem exemplar e já seguro de si.

- É uma sensação de que tudo é por eles (os filhos). Ser pai é isso... eu cobro muito, mas estou aqui. Não conseguira dizer: até aqui eu faço, depois não faço mais. Eu faria qualquer coisa por eles. Com o Daniel, tive momentos parecidos, pois somos muito parecidos. Quando casei e saí de casa, minha mãe ficou morando sozinha e aquilo me tocou muito. O Daniel sentiu a mesma coisa quando foi embora. Um momento que marcou foi a formatura dele. Daniel me fez uma surpresa. Pensei que iria colocar Coldplay ou sei lá qual banda, mas e colocou uma música minha (autoria )chamada "Nas Férias da Escola", para receber o diploma. Aquilo me emocionou - lembra Giovanni, cuja canção que escreveu também faz alusão aos elos familiares: "vai o tempo traçando o nosso destino onde os avós viram saudade feito os sonhos de um menino".

- Mesmo de longe, a gente se fala diariamente, umas duas vezes por dia. Ele permanece me aconselhando, continuo gostando de ouvir o pitaco dele para as mais variadas coisas, como, que carne comprar no mercado, que gravata combina mais com determinada camisa. Daí, eu fico mandando foto de tudo. Acredito que a relação com meu pai vai muito além da questão familiar. É a pessoa que mais me conhece. É uma relação de confidência bem ampla, ele sabe todas as minhas inseguranças, medos e sonhos - resume Daniel.

Foto: Renan Mattos (Diário)

O PAI PARIDO PELOS FILHOS
Gilvan Veiga Dockhorn, 47 anos, percebe a paternidade como um inesgotável processo de formação. Professor na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), denomina-se um "pai parido pelos filhos": Luisa Zimmermann Steffens, 27 anos, Isabelle Zimmermann Dockhorn, 16, e Sebastian Drey Dockhorn, 1 ano e 7 meses.


Foto: Gilvan Dockhorn / Divulgação

A dor e a delícia da função paterna, segundo ele, passam por uma construção cujo começo remete aos idos de 1998 quando a vida de Luísa, então com 5 anos, encontrou a dele.

- Nossa relação se solidificou mesmo após o término do casamento com a mãe dela, que já faz 12 anos. Hoje, ela tem 27, com um afeto e uma relação muito intensa. A Isabelle, irmã da Luísa, surgiu em um momento delicado, mas isso fortaleceu nossa relação, sempre fomos ligados. Sebastian chegou de surpresa e, agora, me faz reviver e repensar todas as questões ligadas à paternidade.  Importante dizer que ajuda e muito minha tarefa de pai é que as gurias e o Sebastian têm mães fabulosas, extremamente dedicadas aos filhos - relata Gilvan.

- Se estivéssemos em posição natural de pai e filha, eu poderia citar que o sangue dele corre em mim, ou que a genética nos ajudou. São mais de 20 anos de convívio, hoje tenho 27, e vejo que a aproximação paterna está no tempo investido, na qualidade do amor, na busca pelo entendimento, nas discussões, no bom humor (o Gil é muito piadista), em passar perrengue juntos, enfim, na dedicação. O que nos une é justamente nos amarmos sem obrigação e livres dos clichês esperados de um pai e uma filha - comenta Luísa.

Isabelle e Sebastian moram junto com o pai. A rotina, conforme conta Gilvan, não é isenta de conflitos, mas pautada pelo respeito e pela liberdade:

- Nunca reivindiquei um lugar de autoridade, apesar de ser um pai rígido em vários aspectos. Não apenas participei de todas as rotinas do processo de criação - obrigação e responsabilidade e que hoje chamam de paternidade ativa - mas, sobretudo, fui sendo construído em questões que transcenderam a de um pai provedor. Descobrimos juntos, como sujeitos autônomos, com vontades pensamentos nem sempre iguais, um exercício que nos fez crescer, nos respeitar e enfrentar juntos perdas e as derrotas impostas pela vida.

O convívio, sobretudo, entre Isabelle e Gilvan foi muito próximo. Isso porque a mãe da menina trabalhava de dia. Ao pai, cabiam todas as rotinas que a filha demandava.

- Meus pais se separaram quando eu tinha 4 anos. Em 2009, eu vim morar com o pai, e sempre fomos nós dois. Tudo o que a gente vivia era eu e ele, aprendemos a viver juntos. Eu sempre tive colegas com pais separados. Mas, uma relação que nem a minha e a do pai causava estranheza. Era o pai quem ia na reunião da escola, era com o pai que eu ia cortar cabelo. Então, o que se faz no Dia dos Pais, fizemos todos os finais de semana, é uma data comercial, mas acho legal comemorar - conta Isabelle.

Foto: Pedro Piegas (Diário)

Dessa trajetória de pai, filhas e filho, uma coleção de bons momentos não sai da memória. Em instantes, vêm em mente o primeiro baile, o primeiro show e o primeiro namorado da Luísa; às idas ao jogos do Grêmio, ao show do Paul McCartney ou as viagens com a Isabelle; até eventos mais prosaicos como assistir TV, fazer almoços, andar de skate, conversar e ouvir música com os três filhos.

- Fui "parido" pelos filhos. Essa relação tão intensa me ensinou, sobretudo, que é construída diariamente e precisa ser alimentada. Por isso, são questões de zelo, de respeito, de cuidado e de amor incondicional - salienta Gilvan.

Luísa relembra do desdobrar dos anos em família de forma semelhante:

_ Tenho em mim memórias simples e incríveis. Como por exemplo, aos domingos, acordávamos sempre com músicas e playlists variadas, pois o Gil é extremamente musical, e com direito a dancinhas e pijama de cetim azul marinho. Morro de vontade de voltar no tempo. Aprendi a jogar basquete com ele, a fazer um molho de queijo surreal e tive cobertura para ir a festinhas escondida com as amigas na adolescência. Em resumo essa tal confiança, não vem de um único momento que "liga um botão" e faz magia, é algo real, palpável, de todos os dias.

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Um time, uma herança afetiva

Foto: Pedro Piegas (Diário)

A escolha dos times é um dos pontos praticamente inegociáveis da relação. Não é imposição. É que o Grêmio é pura herança afetiva, garante Gilvan:

- Meu pai era um alemão que não expressava nenhuma forma de afeto. Ele não encostava na gente e em mim, pelo menos, que era o filho mais novo, mas era um gremista ardoroso. Eu ficava ao lado e torcendo. Não importava o resultado. Tudo que eu queria era que o Grêmio fizesse um gol para eupoder abraçar o velho até ele dizer chega. Era sempre especial ver os jogos. Quando foram surgindo as gurias e o Sebastian, isso ficou. É algo que transcende o clube.

Adendo: Isabelle e Sebastian são gremistas, Luísa é colorada.

Foto: Pedro Piegas (Diário)


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