reportagem especial

VÍDEO: Chacina da Lorenzi, duas décadas de memória e revolta

18.302
Foto: Foto: Pedro Piegas (Diário)

Foto: Pedro Piegas (Diário)

Não teve nem sequer um, entre as dezenas de moradores da Avenida do Sol Poente, antiga Rua Virgílio Lorenzi, na região sul de Santa Maria, que não apontasse para o fim da via que dava em um matagal próximo a uma torre de transmissão de energia para (re)contar o que presenciaram ou sabiam sobre a maior chacina de região central do Estado.

Vinte anos antes, durante a madrugada silenciosa de 3 de janeiro de 2001, o mesmo local era manchado de sangue e injustiça pela morte de seis adolescentes e jovens que tinham entre 14 e 21 anos. Porém, foi durante a manhã, já sob o sol a pino de um escaldante e típico  janeiro santa-mariense, que a vila se sobressaltava em espanto e incredulidade.


A Chacina da Lorenzi, homônima à vila que depois se transformou em bairro, também transformou para sempre a vida de amigos e familiares das vítimas. Ninguém esqueceu. Sobretudo, para mães que perderam seus filhos, a história tem o dever de não deixar que crimes como esse caiam no esquecimento nem desrespeitem a memória de que perdeu a vida.

Isso justifica o empenho da diarista Edi Oliveira de Brito, 60 anos, a convencer o poder público municipal a renomear uma das ruas  da região com o nome do filho, Maique de Brito Toniolo, uma das vítimas da barbárie:

- Fiz de tudo até conseguir aquela placa e provar para a cidade que o meu filho era inocente, além dos outros cinco jovens que deixaram suas famílias.

Foto:Renan Mattos (Diário)

Por outro lado, parentes dos condenados pelo crime também lamentam o fato. Entre os seis autores da chacina, dois estão mortos e o mentor está em liberdade. Outros três seguem presos.

Duas décadas depois, muita coisa mudou naquela área da Lorenzi. A antiga via de chão batido hoje é uma avenida calçada. Novas casas foram erguidas, e famílias construídas. A região se desenvolveu.

Se revisitar fatos é práxis no jornalismo, dar-lhes a dimensão social e humana que eles merecem, também.

Por isso, a reportagem do Diário dedicou os últimos dias a também revisitar parentes de vítimas e dos próprios autores do crime, reler inquéritos, consultar processos judicias e ouvir investigadores e testemunhas da época. (Colaborou Deni Zolin)



"PERDI MINHA FILHA E MEU NETO, QUE AINDA ESTAVA NA BARRIGA"


Foto: Renan Mattos (Diário)

Não há tempo transcorrido que repare as perdas da cozinheira Julia Silberschelach Xavier, 63 anos. Mãe de Carina Silberschelach Xavier, de apenas 17 anos e uma das vítimas da chacina, também lamenta a vida abreviada daquele que seria seu primeiro neto. É que, quando Carina foi assassinada, estava grávida de cinco meses. Diante do júri, um dos réus chegou a dizer que ela contou que estaria esperando um bebê, mas os demais autores do crime não acreditaram na jovem.

- No júri, eu sentei bem na frente. Eu precisava ir. Passei o tempo todo lá junto das outras mães. Os bandidos falaram uns detalhes, mas só eles sabem o que eles sofreram. Imagina o que minha filha não passou? - relata a mãe.

Grávida de cinco meses, Carina que trabalhava como babá, esperava um menino, conforme apontou o laudo pericial. Ela já havia começado a comprar o enxoval do filho e morreu ao lado do namorado e pai do bebê, Gilson de Lima, 18 anos. A mãe conta que nem ficou sabendo que a filha ia na festa.

Naquele 4 de janeiro, Júlia soube das mortes por uma cunhada e só conseguiu se aproximar do corpo da filha horas mais tarde, durante velório:

- Não deixaram eu ir lá no matagal. Depois, na delegacia eu queria olhar as fotos, mas não me deixaram. Hoje entendo que era para me proteger. Só eu sei o que passei. O que me revolta é que no outro dia, tinha um monte de testemunhas. Por que não avisaram a polícia no dia? Minha filha nunca teve briga com ninguém. A gente é preto e pobre, mas ensinei eles a serem honestos. Perdi a filha e o neto, que estava na barriga.

Mesmo sem nunca mais saber notícias sobre os autores do crime, Júlia insiste em repetir que, para ela, não houve justiça:

- Fiquei muito tempo sem falar, mas hoje acho necessário e só me pergunto: por quê? Não tinha motivos. Mataram jovens porque não acharam os que eles queriam. Os bandidos achavam que quem estava na casa tinha escondido eles. Não existe justiça para isso. Eu nunca mais soube de nada sobre os que fizeram aquilo com os nossos filhos. Eles ganharam tantos anos de cadeia, mas a lei é podre e porca. Por que o juiz deu essa pena, então? Pelo que fizeram com nossos filhos, teriam de morrer presos? Mas, Deus é que sabe. Eu, por exemplo, nunca quis morar na Lorenzi. Prefiro morrer que voltar lá. Hoje, os anos vão passando, e a saudade, não. Mãe não se esquece. É algo que não se apaga da gente.


"NUNCA MAIS VIVI UMA VIDA NORMAL, POIS ELES DESTRUÍRAM MINHA FAMÍLIA"

Foto: Pedro Piegas (Diário)

A diarista Edi Oliveira de Brito, 60 anos, acordou em sobressalto na manhã daquele do 4 de janeiro, 20 anos atrás, quando um amigo da família bateu à porta e contou que Maique, uma das vítimas da chacina, não estava na casa onde havia ocorrido uma festa, na noite anterior. Na verdade, a vizinhança já sabia do crime e tentava uma maneira menos dolorosa de contarr à mãe do jovem.

Hoje, mesmo com tempo de trabalho suficiente para "pedir a aposentadoria", Edi diz que continuará trabalhando até esgotar as forças do corpo.

- Trabalho, faço curso, me ocupo. Eu não consigo esquecer. Foi no dia 3 de janeiro. Essa época (dezembro) é horrível. A gente não comemora mais Natal e Ano Novo, pois era ele que enfeitava árvore. É um vazio. Nunca mais vivi uma vida normal, pois eles destruíram minha família - conta.

A diarista lembra que, nos primeiros meses e anos que seguiram após a tragédia, ela focou as energias que tinha para "fazer justiça". Ia na delegacia, no Fórum, na imprensa. Conseguiu que a prefeitura e a Câmara de Vereadores aprovassem um projeto de lei para dar o nome do filho a uma rua do Bairro Lorenzi. Atualmente, mantém lembranças encharcadas de uma saudade a qual ela sabe que não terá fim:

- Era um guri que de manhã ia para aula e, à tarde, meu ex-marido, que era eletricista, levava ele para trabalhar junto para não ficar desocupado na rua. Ele não tinha vícios. Eu só fiquei viva para fazer justiça e porque eu tinha outros dois filhos. Hoje, não consigo dizer "finado Maique", eu digo Maique, mas quanto mais passa o tempo, parece que é pior. Logo que aconteceu tudo, não caía a ficha. Agora, parece que ele vai chegar ali no portão, que vai voltar do serviço. Aí, fica pior porque a gente sabe que ele não vai chegar. Tiraram um pedaço meu.


O PIOR DOS AMANHECERES DA VILA LORENZI

Foto: Pedro Piegas (Diário)

O inquérito policial da Chacina da Lorenzi aponta que pelo menos 10 testemunhas viram os jovens serem levados até o matagal na madrugada do crime. Apesar do silêncio e de nenhuma ligação ter sido feita, no dia seguinte, a então "Vila Lorenzi" amanheceu alarmada. Sobram relatos daquele dia, e a maioria das pessoas lembra exatamente o que estava fazendo no momento em que soube da barbárie.

Uma moradora que não quis ter o nome divulgado conta:

- Estava indo na creche fazer a matrícula. Era carro e polícia, bombeiro, gente descendo pela rua que nem calçamento tinha e um desespero generalizado. "Mataram seis", diziam". Lembro de segurarem algumas mães das vítima, não queriam que elas vissem aquela cena. Todo mundo se conhecia. Foi um horror.

Familiares das vítimas, muitos moradores do Bairro Lorenzi e os próprios investigadores do caso relatam, até hoje, que os seis mortos pouco ou nada tiveram relação direta com os seis autores da chacina. Isso porque, anterior à tragédia, eles haviam tido discussões e "prometido" dois homens de morte. Na madrugada do crime, os seis homens procuraram e não encontraram a dupla após chegarem na casa onde as seis vítimas estavam reunidas e que não informaram sobre o paradeiro dos dois. Diante disso, os homens acabaram agindo violentamente contra os jovens e adolescentes até executá-los.

INVESTIGAÇÃO

Foto: Émerson Souza

Em 2001, Santa Maria não contava com delegacias especializadas, e a cidade era dividida em quatro distritos policiais. O titular da 3º Delegacia de Polícia (3º) DP era Marcelo Mendes Arigony. Porém, ele foi chamado para atuar na Operação Verão, na cidade de Rio Grande, e começou a trabalhar na madrugada da chacina. Coube ao então delegado da 2ª DP, Vladimir Urach, assumir o caso.

- Tirando o Caso Kiss, foi o crime mais impactante da cidade. Acompanhei pelo rádio e pela TV. Quando cheguei, o inquérito estava pronto, e participei apenas de algumas diligências. Foi uma disputa de vizinhança em que houve uma absoluta desproporção no crime. Eu tinha dois anos de polícia e lembro que algo significativo foi a perícia vir de avião de Porto Alegre, pois não tínhamos peritos aqui - conta Arigony.

Conforme Urach, o crime foi um reflexo entre desavenças associado ao desejo do mentor do crime em manter uma postura de liderança na região. Antes da chacina, o mentor do crime já havia tentado matar duas pessoas. A busca pelos alvos resultou na morte das seis pessoas:

- Foi um caso que marcou minha vida profissional e a história policial de Santa Maria. Foram noites sem dormir na sequência das investigações, mais de 20 dias de trabalho ininterrupto de toda equipe. O que mais me marcou foi a cena: todos amarrados e com tiros na nuca e facadas pelo corpo. Houve tortura.

PRISÃO

Chefe da investigação, o policial civil Luiz Guterres, 73 anos, ficou sabendo do fato por volta das 7h30min do dia 4 de janeiro:

- Levei um baque quando cheguei e vi um crime naquela proporção. Todos deitados e amarrados com arame. No fim do primeiro dia, já prendemos um dos criminosos. Fomos ouvindo relatos, juntando as peças tipo um quebra-cabeças. Dois ou três dias depois, prendemos outros dois no Morro do Cechella. Fomos achando um por um. Menos o Aparício, que se entregou.

Os autores responderam por seis homicídios consumados, um aborto e duas tentativas de homicídio, sendo que a maior pena recaiu ao mentor do crime.

Atualmente, Urach é diretor Departamento Estadual de combate ao Narcotráfico (Denarc), em Porto Alegre, e Arigony responde pela 2º DP, em Santa Maria. Guterres está aposentado.


A CRONOLOGIA DOS FATOS

Foto: Émerson Souza

1º de janeiro de 2001

  • Aparício e um homem conhecido como Neia têm uma discussão  

2 de janeiro

  • Neia vai até a casa do Aparício e apedreja a residência
  • Aparício diz que irá "pegá-lo".Há uma rixa entre Aparício, Néia e outro homem 

3 de janeiro

  • Seis criminosos armados chegam na Vila Lorenzi em um Opala verde. Eram Aparício e os outros cinco envolvidos
  • Eles perguntaram para uma moradora onde estaria o Neia. Ela aponta para a casa de Maique 
  • Os seis jovens assassinados estão na casa de Maique, uma das vítimas, participando de uma festa
  • Os dois alvos, que estão sendo procurados, não são encontrados na casa de Maique
  • Os criminosos invadem a residência e começam uma briga
  • Os seis amarram as vítimas com arames, pedaços de camiseta e sacolas plásticas dentro da casa
  • O grupo colocou as seis vítimas em dois grupos de três e os arrasta por 300 metros até o local onde seriam executados (em um matagal)
  • Os criminosos ficam ameaçando os jovens por 15 minutos e, depois, começam a execução
  • Aparício começa a atirar em um por um. Anildo corta as vítimas com um facão
  • Entre as vítimas, quatro têm menos de 18 anos. Uma é mulher e está grávida de cinco meses
  • Pelo menos 10 pessoas afirmam ter visto as vítimas sendo arrastadas pelo matagal. Ninguém chamou a polícia  

4 de janeiro

  • Após ligações de populares, seis corpos são encontrados por policiais militares em um matagal, na Vila Lorenzi
  • As vítimas estão divididas em dois grupos, três a três
  • Eles estão amarrados pelos pulsos com camisetas, sacolas plásticas e arames obrigados a deitar de bruços. Um dos jovens tem as mãos na cabeça 

*A versão apresentada acima para como ocorreu o crime consta nos dois volumes do inquérito policial concluído ainda em 31 de janeiro de 2001, atualmente arquivado na 3ª Delegaca da Polícia (3ª DP) de Santa Maria. O Diário teve acesso ao  documento nos últimos dias.


DESTINO DOS AUTORES DO CRIME DECIDIDO DIANTE DO PÚBLICO

Foto: Charles Guerra

Dois eventos marcaram a condenação dos seis autores do crime no Tribunal do Júri ou Júri Popular, exclusivo para os "crimes dolosos contra a vida".

O homem considerado o mentor da chacina da Vila Lorenzi foi condenado em 8 de novembro de 2002. Aparício da Silva Paz, hojecom 54 anos, recebeu pena de 138 anos e seis meses (com redução após recurso) por ter planejado a execução de quatro adolescentes - entre eles, uma grávida - e dois jovens na madrugada de 3 de janeiro de 2001. Quase um mês antes, no dia 10 de outubro, as outras cinco pessoas foram condenadas a penas que variaram entre 95 e 119 anos, também reduzidas por meio de recursos judiciais (veja mais na página seguinte). As sentenças foram fixadas pelo juiz Ulysses Fonseca Louzada. Procurado pela reportagem do Diário, Louzada, que atualmente está alocado na Vara de Execuções Criminais (VEC), não quis comentar sobre o caso. Em outras oportunidades, o magistrado relatou ter sido um dos casos mais emblemáticos de sua carreira.

Já pelo Ministério Público, participaram as promotoras Waleska Agostini e Aljacira Terra.

- Nos tínhamos que passar tudo o que tinha sido investigado de cada autor em um período muito curto de tempo. Isso era um fator de ansiedade, pois ficávamos preocupadas em não conseguir convencer os jurados com a escassez de tempo. Essa preocupação nos acompanhou nos dias que antecederam o plenário. Foi um crime por motivo banal, e eles chegaram a negar autoria do crime - lembra Waleska.

CRUELDADE

A frieza e o meio cruel dos assassinatos ainda permeiam o imaginário dos advogados de defesa e acusação.

Assistente de acusação no júri, o advogado criminalista Antonio Carlos Porto e Silva, 59 anos, destaca a dimensão do caso:

- Fiz cerca de 350 júris , e o júri da Chacina da Lorenzi foi um dos maiores da minha vida, foi algo marcante. Era fila de pessoas querendo assistir. Pessoas foram mortas da maneira mais covarde. Na época, a cidade ficou em choque.

Ainda que houvesse a presença da Defensoria Pública, coube ao advogado Dois eventos marcaram a condenação dos seis autores do crime no Tribunal do Júri ou Júri Popular, exclusivo para os "crimes dolosos contra a vida".

O homem considerado o mentor da chacina da Vila Lorenzi foi condenado em 8 de novembro de 2002. Aparício da Silva Paz, hojecom 54 anos, recebeu pena de 138 anos e seis meses (com redução após recurso) por ter planejado a execução de quatro adolescentes - entre eles, uma grávida - e dois jovens na madrugada de 3 de janeiro de 2001. Quase um mês antes, no dia 10 de outubro, as outras cinco pessoas foram condenadas a penas que variaram entre 95 e 119 anos, também reduzidas por meio de recursos judiciais (veja mais na página seguinte). As sentenças foram fixadas pelo juiz Ulysses Fonseca Louzada. Procurado pela reportagem do Diário, Louzada, que atualmente está alocado na Vara de Execuções Criminais (VEC), não quis comentar sobre o caso. Em outras oportunidades, o magistrado relatou ter sido um dos casos mais emblemáticos de sua carreira. 

Já pelo Ministério Público, participaram as promotoras Waleska Agostini e Aljacira Terra. 

- Nos tínhamos que passar tudo o que tinha sido investigado de cada autor em um período muito curto de tempo. Isso era um fator de ansiedade, pois ficávamos preocupadas em não conseguir convencer os jurados com a escassez de tempo. Essa preocupação nos acompanhou nos dias que antecederam o plenário. Foi um crime por motivo banal, e eles chegaram a negar autoria do crime - lembra Waleska.


"EU CRESCI SABENDO QUE EXISTIU ESSA TRAGÉDIA"


Foto: Pedro Piegas (Diário)/

O endereço onde tudo começou, uma casa de madeira na antiga Rua Virgílio Lorenzi é facilmente apontado por cada morador. Cerca de cinco anos depois do crime, o imóvel acabou sendo demolido e, pelo menos por uma década, o local foi reduzido a um terreno baldio. Hoje, uma outra casa de madeira foi construída e, nela, vive o serviços gerais Luiz Eduardo Teixeira da Silva, 21 anos, junto da companheira. Ele tinha apenas 1 ano à época da chacina, mas conta que é impossível desassociar o crime da própria história da vila. Porém, novos e outros bons capítulos surgiram junto do desenvolvimento do local e da boa vizinhança. Não há, atualmente, relatos de insegurança, conforme os moradores. A própria Polícia Civil atesta que "a Lorenzi", hoje elevada a bairro na região sul da cidade, não concentra altos índices de criminalidade.

- Há quem tenha medo dessa casa por ser no mesmo local, há quem nunca esqueça. Eu cresci sabendo que existiu essa tragédia. Se em toda Santa Maria sabem, imagina aqui na Lorenzi? Mas o lado bom é que isso foi algo que ficou no passado, e hoje a gente anda tranquilo. Todo mundo se conhece e se ajuda. Espera que nunca mais aconteça algo desse jeito por aqui - conta o jovem.

Sorte ou destino

Foto: Pedro Piegas (Diário)

Quase em frente à casa de Eduardo, no outro lado da Avenida do Sol Poente (a antiga Rua Virgílio Lorenzi), mora o metalúrgico Neri Camargo, 51 anos. Em 2001, com poucas opções de lazer. ele conta que era comum grupos de amigos se reunirem no bairro. Ele e outros conhecidos foram convidados para "chegar na festa". No fim do dia, cansado, optou por ir para casa:

- Quando levantei, fiquei sabendo de tudo. Não tem quem não saiba dessa barbaridade aqui até hoje. E eu poderia ser mais um (entre os mortos) né? Mas graças a Deus estou aqui para contar.

ENTRE OS SEIS AUTORES, MENTOR ESTÁ EM LIBERDADE E DOIS MORRERAM

Aparício da Silva Paz, o mentor do crime, ingressou no sistema prisional por esse crime em prisão preventiva, no dia 16 de janeiro de 2001. Após a sentença judicial, ele cumpriu seus últimos dias preso em regime semiaberto no Presídio Estadual Candelária, após sua condenação ser reformada em sede de recurso para 63 anos e seis meses. Ele está em liberdade desde 21 de novembro de 2017, após a extinção da pena.

Conhecidos e pessoas próximas de Aparício, que pediram para não terem o nome divulgado, informaram à reportagem, que atualmente, ele é pastor de uma Igreja evangélica.

Até hoje, na Vila Nossa Senhora Conceição, a popular Vila Micó, onde, há 20 anos, Aparício era frequentemente visto com a bíblia na mão para visitar parentes, o crime ainda é lembrado pelos moradores e parentes dos condenados. Muitos afirmam que sabiam do passado criminoso de Aparício, que já havia cumprido pena no presídio nos anos 90, saindo de lá como pastor. Porém, nunca imaginavam que ele seria capaz de cometer uma chacina. Não há informações precisas acerca de qual cidade ele vive atualmente. Um parente conta que parte da família de Aparício vive em Santa Cruz do Sul.

Já parentes* de Julio, Anildo e Ilo comentam que, diferentemente do que aponta o inquérito, apenas Anildo e Aparício teriam ido até a casa onde estavam as vítimas. Os outros só teriam feito rondas de carro pelo bairro horas antes.

Um familiar* de Claudio e Nelson contou que ambos acabaram morrendo com um mês de diferença em 2019. Um assassinado e, outro, em decorrência de câncer.

Além de lamentar pela vida dos seis mortos na chacina, o sentimento em comum entre os familiares dos condenados é que a atitude impulsiva do mentor acabou ferindo muitas famílias, já que vários irmãos e pais dos autores nunca tiveram relação com o crime.

- Por causa de uma besteira, mataram seis (pessoas) que nada tinham que ver com a história e arruinaram a vida da nossa família - disse um parente.

*Familiares e conhecidos de Júlio, Anildo, Ilo, Claudio e Nelson não quiseram ter a identidade revelada




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