reportagem especial

Todas as carências geradas pelo coronavírus em lares de idosos

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Foto: Foto: Renan Mattos (Diário)

Foto: Renan Mattos (Diário)

O choro de Daniro Encarnação, 66 anos, ao falar com a filha pelo telefone é de saudade e solidão. Embora esteja entre os 74 acolhidos no Lar Vila Itagiba, ele sente pelo distanciamento e até adiamento dos encontros presenciais, norma que cumpre uma portaria estadual. A medida, publicada em 5 de maio, impactou a rotina de centenas de idosos da cidade, sobretudo das Instituições de Longa Permanência de Idosos (ILPIs), e foi tomada na tentativa de frear os casos de contaminação pelo novo coronavírus. Encarnação, que vive há cerca de um ano na instituição, também não tem condições de atender ao telefone sozinho e conta com ajuda da enfermeira Jaqueline Santos (foto), uma das responsáveis por cuidá-lo. Ela, assim como outras funcionárias, têm sido as principais companhias de idosos que vivem em lares.

- No início da pandemia, não fui visitá-lo por uma questão de segurança. No Lar, há muitas pessoas com a saúde debilitada. Esse tempo afastado é difícil. Teve dias que fui só até o portão e "espiava" ele de longe. Porém, meu pai é muito carente, sente falta de abraços - contou a filha Rosinara Encarnação.

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A carência da qual Rosinara se refere assume dimensões ainda maiores no contexto da pandemia. Por vezes, residentes são carentes de afeto, mas as instituições têm de se virar para suprir outras carências como a de alimentos, de materiais de higiene e medicações.

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Só em Santa Maria, existem 24 ILPIs, sendo três filantrópicas: o Lar Vila Itagiba, o Lar das Vovozinhas e o Abrigo Espírita Oscar José Pithan. Ao todo, são cerca de 700 idosos sob cuidados dessas instituições. Pelo menos 10 deles foram encaminhados por meio de ações judiciais. O número, porém, pode variar a cada mês, segundo levantamento informado pelo Ministério Público. Além desses, a direção da Casa de Passagem informou ter outros cinco idosos acolhidos.

Enquanto as cidades de Passo Fundo e Lajeado conviveram com a disseminação do coronavírus dentro de ILPIs, Santa Maria felizmente não registrou, até o momento, nem um caso dentro de lares. Em Passo Fundo, um surto da doença teve 18 contaminados até o final de abril. Em Lajeado, metade das mortes de idosos do município foram de casas geriátricas.

Na esteira de acontecimentos que surgem da pandemia, perto ou longe do Coração do Rio Grande, o Diário buscou acompanhar, nos últimos dias, como está a adaptação das ILPIs após a portaria, as ações para garantir o bem-estar dos idosos e o quanto a Covid-19 tem atingido o público com mais de 60 anos em Santa Maria. (Colaborou Rafael Favero)

AS INSTITUIÇÕES DE LONGA PERMANÊNCIA DE IDOSOS (ILPIs)

  • Desde 2003, o país conta com Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs), criadas por sugestão da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, para substituir o papel dos asilos na rede de assistência social ao idoso. As ILPIs são um local destinado à moradia, permanente ou temporária, para pessoas com 60 anos ou mais. Segundo definição da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), são instituições governamentais ou não-governamentais, de caráter residencial, destinadas a domicílio coletivo de idosos, com ou sem suporte familiar, em condição de liberdade, dignidade e cidadania. 

PORTARIA ESTADUAL É QUESTIONADA

Foto: Renan Mattos (Diário)

A Secretaria Estadual de Saúde publicou a portaria 289/2020 com normas para o funcionamento das ILPIs ainda no dia 5 de maio. No mesmo dia, a secretária estadual da Saúde, Arita Bergmann, defendeu que "as resoluções refletem com fidelidade a realidade dos lares de idosos", conforme publicado no site do governo do Estado. Em Santa Maria, na visão das direções das instituições, não tem sido bem assim. Um dos itens do documento, por exemplo, diz que as entidades devem realizar contato com os familiares do residente para avaliar a possibilidade de ele ir para isolamento domiciliar. Conforme a coordenadora do Lar Vila Itagiba, irmã Anja Carvalho Pereira, enquanto estão no lar, os profissionais conseguem ter o monitoramento contínuo das condições de saúde dos idosos. Enviá-los para casa é uma tarefa que se torna quase impossível, pois os moradores estão na instituição justamente por não terem familiares que se responsabilizam pelos seus cuidados.

- Tem alimentação e medicamentos nos horários. O Lar não teria como monitorar isso com eles em casa - diz a irmã que gerencia 74 idosos e 33 funcionários.

No Abrigo Espírita Oscar José Pithan, embora haja diferentes situações entre os residentes e seus familiares, a volta para casa também é pouco provável.

- Essa realocação é difícil, pois as famílias não têm condições de recebê-los. Aqui, há idosos com vínculos bem sólidos, com parentes que visitam e acompanham ao médico quando necessário; há casos daqueles com frágeis vínculos familiares; e há os que não têm nenhum contato externo. A família deles são os funcionários e os voluntários do abrigo - esclarece a vice-presidente Carmen Beck.

No mesmo trecho, a portaria estabelece que, caso haja algum suspeito de Covid-19 nas ILPIs e ele não puder voltar para casa, um espaço na instituição deve ser organizado para que ele fique em isolamento. Contudo, cumprir esse item também será uma tarefa inviável.

- Cerca de 90% dos nossos quartos são individuais, porém, os pavilhões e corredores que dão acesso a esses quartos são de uso comum. Se tivermos algum caso suspeito, temos que tirar o idoso imediatamente daqui - alerta a irmã Anja.

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A mesma reclamação ocorre no Lar das Vovozinhas, que abriga 152 idosas. A vice-presidente da instituição, Liliane Mello Duarte, diz que cada quarto tem duas ou três senhoras, e que realizar o isolamento dentro dos pavilhões é impossível, assim como evitar atividades coletivas.

- Muitas vezes, eles não têm condições cognitivas para ter prevenção adequada. Como vamos evitar que as refeições sejam realizadas de forma coletiva, por exemplo?

A portaria ainda informa que as autoridades de saúde locais devem ser comunicadas imediatamente quando um funcionário ou residente apresentar sintomas gripais ou confirmação de infecção por coronavírus. Entretanto, Liliane diz que não foi esclarecido como os lares terão acesso aos testes rápidos de diagnóstico de Covid-19 e que as ILPIs deveriam ter prioridade para esse exame.

VISITAS CANCELADAS OU EM ÁREAS ABERTAS

Foto: Renan Mattos (Diário)

As visitas nos lares Itagiba e das Vovozinhas estão de acordo com o que foi estabelecido pela portaria estadual. No Lar Vila Itagiba, a família entra em contato, via telefone, faz o agendamento. As visitas ocorrem em diferentes salas nos pavilhões, para que o trânsito de várias pessoas no mesmo espaço seja evitado. Os encontros entre os moradores e os familiares também são monitorados, porque, segundo a diretora, alguns idosos não entendem que não podem abraçar o parente e que devem manter distância.

A administradora do Lar das Vovozinhas, Verônica de David Antonio, explica que, na instituição, as visitas ocorrem somente com agendamento prévio e em espaços abertos.

- Não permitimos também que objetos como roupas sejam entregues diretamente ao morador. Primeiro, é entregue à equipe do lar, que higieniza, e, depois, entregamos ao residente - diz Verônica.

Já no Abrigo Espírita Oscar José Phitan, as visitas estão canceladas.

- Temos uma casa espírita junto, mas as atividades foram encerradas, por enquanto. Não tem nem trânsito de trabalhadores nem de voluntários. Optamos por não abrir visitas por medida de segurança. Intensificamos telefonemas para as famílias e informamos como eles estão - explica a enfermeira Carmen Beck.

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AS ILPIs filantrópicas da cidade

Abrigo Espírita Oscar José Pithan  

  • Residentes - 33 (12 homens e 21 mulheres)
  • O Abrigo Espírita Oscar José Pithan foi fundado em 28 de agosto de 1949. O grupo de 15 fundadores foi liderado por Benjamin Carvalho Coelho e João Manuel Cardoso. O nome da instituição - Oscar José Pithan - foi uma homenagem a um dos fundadores, médico santa-mariense e um dos pioneiros do Espiritismo no Rio Grande do Sul. A casa abriga idosos de ambos os sexos, atende-os permanentemente, ofertando-lhes assistência integral. 

Lar Vila Itagiba

  • Residentes - 74 idosos (72 homens e 2 mulheres)
  • O Lar Vila Itagiba foi fundado por Salvador Isaia e inaugurou em 1947, sendo referência no município e na região pelo atendimento ao idoso do sexo masculino, em situação de vulnerabilidade social.

Lar das Vovozinhas

  • Residentes - 152 idosas
  • A Associação Amparo e Providência Lar das Vovozinhas foi fundada em 16 de outubro de 1946, pelo Diácono Constantino Cordióli. Após ser diagnosticado com uma grave doença, ele dedicou o restante de sua vida a pessoas desamparadas. Atualmente, é considerado o maior lar de idosas do Brasil, acolhendo mulheres acima dos 60 anos de Santa Maria e região central do Estado.

SABEDORIA PARA ENFRENTAR O ISOLAMENTO

Foto: Renan Mattos (Diário)

Luís Fernando de Oliveira Lima, 66 anos, revela-se um sábio quando fala das adaptações impostas pelo isolamento social em casas geriátricas. Há nove anos, o endereço e a família do aposentado são o Abrigo Espírita Oscar Pithan, local onde não se tem suspeitas de idosos com a doença.

- Quem sabe qualquer dia a mente de algum cientista vai brilhar e vão ter uma vacina para todos. Foi assim com a febre amarela... temos que ter fé e paciência. E o tempo de Deus não é o mesmo nosso - reflete.

O aposentado conheceu o abrigo por indicação de um amigo depois de algumas andanças e desilusões. O passado de Lima remete à cidade de Rio Grande, no sul do Estado. Lá, nasceu e cresceu correndo pelo porto e ajudando o pai na pesca e na comercialização de peixes. Mais tarde, virou motorista de uma empresa terceirizada para os serviços do porto. Trabalhava o dia todo e chegava em casa somente para dormir. O que o trouxe a Santa Maria foi uma antiga e única paixão: a esposa Eni.

Filho único, Lima deparou com a morte da mãe na década de 1980. No fatídico 1999, perdeu os únicos vínculos que lhe restavam: o pai, em abril, e a companheira, em junho.

Foi nesta época que decidiu morar por um tempo em Santa Catarina. Em meio a dificuldades, em 2011, retornou para Santa Maria, diretamente ao abrigo, onde permanece até hoje.

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Em isolamento social, ele conta que, embora a rotina da casa geriátrica não tenha sofrido nenhuma alteração brusca, ele sente saudade das terças e quintas, quando recebia as terapeutas ocupacionais. O aposentado também percebe os impactos da ausência de visitas dos residentes que aguardam suas famílias e é grato pelo esforço que cada voluntário e colaborador faz para que ninguém se sinta tão sozinho. Aliás, de solidão ele afirma que entende:

- Depois da morte dos meus pais e da minha esposa, eu fiquei sem família. Perdi o contato com os parentes faz mais de 30 anos. A solidão é a pior coisa que um homem pode sentir. Quem não tem dor, começa a ter, quem não bebe, começa a beber. Tem solidão que não se tem o que fazer. Entendo a solidão que muitos têm aqui dentro, mas tem de pensar que logo vai passar e que aqui um é família do outro.

LARES FILANTRÓPICOS SOBREVIVEM DE DOAÇÕES

Foto: Renan Mattos (Diário)

No Lar Vila Itagiba, a arrecadação diminuiu. Eventos, como a venda de risotos e jantares, tradicionalmente organizados pela instituição para reunir recursos, não puderam ser realizados durante a pandemia de coronavírus, conforme relato da administradora, Irmã Anja Carvalho Pereira. No Lar das Vovozinhas, a vice-presidente Liliane Duarte questiona quem irá bancar a compra dos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) exigidos na portaria, afinal, a entidade sobrevive de doações. A instituição precisa, no momento, de termômetros digitais infravermelhos, que medem a temperatura do corpo de forma ágil e sem necessidade de encostar na pele. A direção não consegue adquiri-los porque estão em falta no mercado e por conta do alto custo. Esse tipo de equipamento auxilia no processo de acompanhamento das condições de saúde dos idosos. No Oscar Pithan, além de alimentos, a maior necessidade é de fraldas tamanho G.


ASSISTA AO VÍDEO DA ROTINA DO LAR DAS VOVOZINHAS


PARA AJUDAR

Lar das Vovozinhas

  • Endereço - Av. Hélvio Basso, 1250, Bairro Duque de Caxias
  • Telefone - (55) 2103-2626
  • Necessidade atual - Materiais de higiene (álcool gel e álcool para limpeza, fraldas geriátricas tamanhos G, GG e EG), papel higiênico, máscaras e luvas, água sanitária, desinfetante e detergente, shampoo, condicionador, repelente, sabão em pó e desodorante roll on. Alimentos não perecíveis (leite integral ou sem lactose, farinha de trigo, bolachas doces e salgadas, aveia, vinagre, arroz, macarrão, feijão, açúcar, café em pó e gelatina)
  • Para depósito ou transferência bancária - CNPJ - 95.623.617/0001-70 

Banrisul
Agência - 0353
Conta corrente - 06.005870.0-0 

Sicredi
Agência - 0434
Conta corrente - 82077-6 

Banco do Brasil
Agência - 0126-0
Conta corrente - 6204-9

Lar Vila Itagiba

  • Endereço - Rua Passo Weber, 718, Bairro Chácara das Flores
  • Telefone - (55) 3225-5053
  • Necessidade atual - Dispensers de álcool gel, dispensers de sabonete líquido, dispensers de papel toalha folheado, sabonete líquido para o banho dos idosos, álcool gel, luvas, álcool para limpeza, panos de chão, papel higienico, fraldas, luvas para procedimento e alimentos diversos, incluindo carne e frutas.
  • Para depósito - CNPJ- 87.493.243-0001/97 

Banco do Brasil
Agência - 0126-0
Conta - 5128-4 

Banrisul
Agência - 0350 
Conta - 060007532-8 

Abrigo Espírita Oscar José Pithan   

  • Endereço - Rua Silvio Romeiro, 413, Bairro Chácara das Flores
  • Telefone - (55) 3221-6460
  • Necessidade atual - Fraldas (principalmente tamanho G), álcool gel 70%, álcool líquido 70%, alvejante, shampoo, sabonete líquido, desodorante spray ou aerosol, absorvente geriátrico, desinfetante, máscaras, luvas e alimentos (principalmente leite, óleo de cozinha, café e erva mate) 
  • Para depósito ou transferência bancária - CNPJ- 95.619.144-0001-37 

Banco do Brasil
Agência - 0126-0
Conta corrente - 2016-8 

Caixa Econômica Federal
Agência - 4722
Conta corrente - 00000005-2 (operação 003)

AÇÃO DO MP GARANTIU 480 MIL PARA CASA GERIÁTRICA 

Foto: Renan Mattos (Diário)

Medidas semelhantes às determinações do governo federal à população idosa foram estabelecidas desde março em Santa Maria - quando a pandemia de coronavírus começou -, por iniciativa das próprias direções dos lares e órgãos públicos.

No dia 16 de março, o MP chegou a emitir uma recomendação para a suspensão das visitas às ILPIs da cidade. Passado mais de um mês, no dia 24 de abril, o órgão recomendou a permissão de visitas, porém com restrições, o que, segundo o titular da 1ª Promotoria de Justiça Cível e Cidadania de Santa Maria, promotor Fernando Chequim Barros, resultou no decreto municipal 79/2020. Também em decorrência da pandemia, no início de abril, uma ação foi ajuizada pela maior instituição geriátrica da cidade e pedia a obtenção de recursos do Fundo Municipal do Idoso ou do município para pagamento da folha de funcionários.

- O Lar das Vovozinhas obteve, em caráter liminar, o valor de R$ 480 mil, dividido em quatro parcelas de R$ 120 mil, direto do Fundo Municipal do Idoso. O valor é correspondente ao número de idosos que a casa abriga - explica o promotor.

Segundo a prefeitura, por meio da Superintendência de Comunicação, duas parcelas já foram depositadas, uma em 9 de abril e outra, dia 30 de abril. A terceira seria depositada em 29 de maio e a última, no dia 30 de junho.

Já na Defensoria Pública do Estado, a maioria dos atendimentos tem sido feita remotamente. Porém, houve exceções para idosos que ingressaram com ações de urgência, inclusive, para obtenção de fraldas e medicamentos. Nesses casos, esse público pôde ser atendido na sede do órgão mediante agendamento, com todas as medidas de proteção ou ainda representados por familiares.

Casos pontuais também emergiram durante a pandemia.

- Dois casos que nos chamaram a atenção foram de dois idosos que nos procuraram para reclamar das restrições do decreto municipal em relação à gratuidade do transporte coletivo em alguns horários. Uma das reclamações era de um idoso que trabalhava, e outra, de um que tinha horário de atendimento médico. Elas queriam revogar a medida. Neste caso, por entender que o decreto tem como escopo proteger os idosos, não foi feita nenhuma ação coletiva e, por meio do nosso núcleo de tutelas coletivas e da procuradoria do município, conseguimos resolver essas individualidades - conta Tamara Flores Agostini, diretora regional da Defensoria Pública de Santa Maria.

PROGRAMAS

Foto: Renan Mattos (Diário)

Segundo a Secretaria de Desenvolvimento Social da cidade, um plano de ação junto ao governo federal está sendo feito para destinar alimentos ricos em proteína às ILPIs de Santa Maria, porém, esse plano ainda precisa de aprovação. A pasta também promove programas como o Imposto Solidário, do Programa Municipal de Educação Fiscal (PMEF), que possibilita a destinação de até 3% do Imposto de Renda devido ao Fundo Municipal do Idoso.

Já na área da saúde, a prefeitura trabalha para manter a continuidade da destinação de fraldas geriátricas e medicamentos aos idosos das ILPIs. Os recursos são do Estado, mas a dispensação é feita pelo município.

DOENÇA ATINGE 16 % DOS IDOSOS DA CIDADE

Dados do boletim epidemiológico do município na última quinta-feira apontavam que dos 180 casos de Covid-19 de Santa Maria, 29 são de idosos, o que corresponde a 16 % dos infectados, um cenário diferente de outras cidades, em que pessoas de 60 anos ou mais com a doença são maioria. O médico epiemiologista Marcos Lobato salienta que, até o início de maio, havia escassez de testes para detectar a doença, dando prioridade a profissionais da saúde. As consequências são o diagnóstico em idosos somente com gravidade em decorrência da Covid-19 e a maior porcentagem e positivos entre 20 a 59 anos, que é o público de trabalhadores:

    - Com uma maior oferta de testes, acredito que tenhamos uma situação mais real dos diagnósticos a partir de junho. É preciso explicar também uma questão social. Em Santa Maria, a maior concentração de casos é na região central do município, onde também está o maior número de idosos. Porém, é onde eles têm mais condições de fazer isolamento ou de terem acesso facilitado a serviços essenciais e não essenciais - explica o médico.

PANORAMA LOCAL*

Casos de Covid-19 em Santa Maria

  • Total de confirmados - 180
  • De idosos - 29
  • Total de óbitos - 3 
  • Óbitos de idosos - 2

Até as 19h de 29 de maio*

Total da população Idosa em Santa Maria** 

  • Idosos - 35.931
  • Mulheres - 21.424
  • Homens - 14.507  

Faixa etária

  • 60-64 anos - 11.033  (4.925 homens e 6.108 mulheres )
  • 65-69 anos - 8.333 (3.550 homens e 4.783 mulheres)
  • 70-74 anos - 6.469 (2.560 homens e 3.909 mulheres)
  • 75-79 anos - 4.741 (1.788 homens e 2.953 mulheres)
  • 80-84 anos -3.068 (1.032 homens e 2.036 mulheres)
  • 85-89 anos - 1.532 (463 homens e 1.069 mulheres)
  • 90-94 anos - 572 (140 homens e 432 mulheres)
  • 95-99 anos - 151 (40 homens e 111 mulheres)
  • 100 anos ou mais - 32 (9 homens e 23 mulheres) 

No Estado* *

  • Em relação ao Rio Grande do Sul, Santa Maria encontra-se, no ranking das cidades, em 5º lugar na população idosa na faixa dos 60-69 anos (atrás de Porto Alegre, Pelotas, Caxias e Canoas), e em 4º lugar na faixa dos 70 anos ou mais (atrás de Porto Alegre, Pelotas e Caxias do Sul).

**Censo IBGE 2010 

Foto: Renan Mattos (Diário)



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