reportagem especial

A trajetória pessoal e a vida pública: conheça os seis candidatos a prefeito de Santa Maria

Marcelo Martins e Pâmela Rubin Matge

Fotos:Renan Mattos (Diário)

O lugar é simbólico, mas também é o mais cobiçado entre os seis candidatos a prefeito de Santa Maria. Em 1° de janeiro, um deles irá governar o município e acomodar-se no móvel alocado do gabinete Executivo no 7º andar do Centro Administrativo. Ocupar esse lugar assume uma dimensão que extrapola o preenchimento das linhas dos planos de governo ou promessas eleitorais.

A cidade, com seus 41 bairros e nove distritos em uma geografia desenhada por casas, prédios e morros - é feita sobretudo da pluralidade de histórias e das particularidades de cada um de seus cidadãos.

No ano atravessando pela pandemia do novo coronavírus, em que álcool gel e máscaras figuram entre os itens indispensáveis e a esperança se ampara em uma vacina, administrar o município, que também é referência para outras cidades da região, nos mais diversos segmentos, torna-se tão complexo quanto desafiador.

O fato é que a eleição não deixa de acontecer. Se houve mudanças pontuais como a do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que alterou datas e normas para o dia do pleito, o que não muda é a sede pela principal cadeira da prefeitura. O assunto já pulsa no dia a dia da cidade, nas ruas, no boca a boca e, neste ano, muito mais nas redes sociais, por conta das medidas de distanciamento.

No últimos dias, os seis candidatos puderam conversar sobre vida pessoal, trajetória política e enfrentamento da pandemia em locais da cidade escolhidos por eles. O critério era que fosse um ambiente simbólico e de refúgio nos dias nada fáceis deste marcante 2020.

CRITÉRIO DEFINIDO
Por ordem de convenção partidária, Jader Maretoli (Republicanos) esteve em um campo de futebol no Bairro Lorenzi, onde desenvolve o projeto social Acorda para Vida. No Bairro Dores, foi em casa que Sergio Cechin (Progressistas) posou para fotos e falou sobre a caminhada ao longo da vida pública. Luciano Guerra (PT) andou cerca de 20 quilômetros em direção ao interior e escolheu o distrito de Palma, onde vive com a família. Evandro de Barros Behr (Cidadania) percorreu a Avenida Rio Branco até parar sobre o conhecido viaduto homônimo. Marcelo Zappe Bisogno voltou-se ao berço ferroviário e optou pela entrevista na Vila Belga. Jorge Pozzobom, porém, foi um entre os cerca de 3,8 mil casos que testou positivo para Covid-19 na cidade. A entrevista foi por videochamada, e a foto enviada pela assessoria do candidato, que fez uso de EPIs.   

Um pouco dos encontros pode ser acompanhado nesta reportagem. Novos nomes e caras já conhecidas da população dão a largada às suas campanhas que começam oficialmente neste domingo.

A responsabilidade de comparecer às urnas no quinto maior colégio o eleitoral do Estado (são 204.282 votantes) no primeiro turno, em 15 de novembro, bem com fazer do voto um atestado de confiança aquele que terá a responsabilidade de atender às necessidades dos 280 mil habitantes, já começou.


JADER MARETOLI: OPORTUNIDADE PARA PROVAR A CAPACIDADE DE GESTÃO



Foto: Pedro Piegas (Diário)

Ele fala em saúde, educação, esporte, cultura, economia e religião. Mas, para Jader Maretoli (Republicanos), jovem candidato com 35 anos, um dos segredo para uma gestão passa pela aplicação inteligente de recursos. Um pouco dessa linha administrativa herdou da passagem pela pasta estadual de Esporte e Lazer, onde atuou como adjunto até o ano passado, junto do ex-judoca e deputado estadual João Derly (Republicanos).

Porém, é um entusiasta de projetos sociais. Desde 2014, mantém o Acorda para Vida, no Bairro Lorenzi.

- Venho de família pobre e sei que os jovens precisam de orientação. Estou na política porque se a gente consegue fazer com pouco, imagine com a máquina pública na mão. Muitos que têm o poder desconhecem a realidade. Trabalhos que poderiam ser feitos pelo Cras, pelo Caps, fizemos com a ajuda da comunidade. A própria pandemia mostrou o quanto os valores estão mudando. Quem tem muito dinheiro mal consegue gastar consigo, porque tudo acabou fechando - comenta.

Não é à toa que o investimento em saúde, sobretudo a mental, é uma de suas promessas. Ele quer implantar três fazendas terapêuticas para dependentes químicos.

Com largada política em 2014, Maretoli concorreu à Assembleia fazendo 3,9 mil votos. Em 2015, saiu do PTB e foi para o Solidariedade. Foi coordenador do FGTAS/Sine de 2011 a 2014 na gestão do governador Tarso Genro (PT). Em 2016, lançou-se à prefeitura e foi quarto colocado com quase 19,5 mil votos. Em 2017, filiou-se ao Republicanos.

Da fronteiriça Itaqui para Santa Maria, Maretoli lembra que viu a política nascer dentro de casa. O pai foi vereador na cidade-natal. Ele faz questão de mencionar um bordão pessoal: "na política, o pai entrou pedreiro e saiu pedreiro".

BONS EXEMPLOS

O candidato, que ingressou na faculdade de Gestão Pública, sustenta que iniciativas que deram certo em outros municípios podem ser aplicadas à realidade santa-mariense. De Cachoeirinha, ele cita as fazendas terapêuticas. Da Serra, a área têxtil que impulsiona o desenvolvimento da indústria e do comércio. De Bento Gonçalves, o turismo. Para ele, é preciso investir em eventos:

- Temos eventos do tradicionalismo aqui, como o Juvenart. Também propomos a etapa sul regional dos Jogos Universitários, o que envolve cinco Estados e 700 atletas que movimentariam quase R$ 1 milhão na cidade, passando pelo comércio, os hotéis...

Outro aspecto indissociável de Maretoli é a religiosidade. Há sete anos é o pastor voluntário e responsável pela Igreja Batista Lagoinha. Ele ressalva, porém, que não é meramente "o candidato dos evangélicos":

- Sou pastor, mas tive experiência como microempreendedor, coordenador do Sine, secretário de Estado. Pratico minha fé como os demais políticos que vivem a sua e são respeitados.

Casado e pai de dois filhos, Maretoli afirma que não será o candidato dos problemas, mas das oportunidades, do trabalho junto de instituições, universidade, do Exército. É por isso que ele justifica ter se lançado em uma chapa pura, pois sua coligação é com os cidadãos de Santa Maria.


SERGIO CECHIN: CURRÍCULO E EXPERIÊNCIA PARA SER O PROTAGONISTA


Foto: Renan Mattos (Diário)


Com 66 anos, Sergio Cechin é um político que se orgulha em dizer ser "das antigas". O que, para ele, traduz-se em uma única regra (quase que um mandamento, como bom católico que é): fazer política com o empenho da palavra. Sempre pertencente a um sigla, o Progressistas, ao qual ele chama ainda de PP, Cechin é simples ao falar, o que não quer dizer ser descuidado com as palavras. Bem pelo contrário.

O engenheiro civil, formado pela UFSM, é meticuloso e dosa o que é verbalizado. Isso fica bem claro quando ele trata das questões que envolvem a situação dele dentro do governo municipal. Para o professor formado em Matemática pela antiga FIC (hoje Universidade Franciscana), divergência e rivalidade não estão dentro da mesma equação. Separado e pai de dois filhos e uma filha, Cechin é rigoroso com a rotina. Ainda que esteja na terceira idade, brinca ao dizer que a idade mental dele é de um jovem que, inclusive, faz pilates duas vezes por semana.

- Tenho muito pique e estou animadíssimo e confiante com a possibilidade de estarmos no segundo turno - diz.

Eleito, em 2016, com Jorge Pozzobom (PSDB), o progressista não fala - ou, ao menos, não deixa transparecer - haver rancor ou mágoa por terem trilhado caminhos opostos para este pleito:

- (A coligação) Era para 2016. Não estava escrito que era para toda vida. Não houve ruptura nem briga. Houve uma decisão de partido e minha, o que é da política, são escolhas. Mas sempre fui leal ao prefeito. Mesmo que estejamos, agora, em caminhos opostos, eu sigo trabalhando, seja na prefeitura ou em agendas em outras secretarias. Sempre fui leal ao prefeito e o respeitei. Mas a minha lealdade também é ao povo, que me diz "chegou a tua vez".

E para validar esse chamado que vem do campo e da cidade, Cechin evoca os 43 anos de vida pública, onde acumula seis mandatos como vereador (já foi presidente do Legislativo), vice-prefeito (de 1993 a 1996), cargos como secretário de município e ainda funções exercidas nos governos Britto e Rigotto, ambos do MDB. Cechin recorda que, no pleito passado, o PP quase teve candidatura própria com o nome dele. Ao se definir como um conhecedor de cada canto das zonas urbana e rural, acredita que 2020 é o ano dele.

ACERTOS E CANETA

Quanto ao fato de ser uma candidatura governista, a exemplo de Pozzobom, Cechin diz que é preciso reconhecer que "os acertos são muitos". O que, para o progressista, deve ser creditado a ele também.

- Muitas coisas boas foram feitas, e eu fiz parte, até porque fui atuante para esses ganhos. Mas não posso ser cobrado pelo que não foi feito até porque a caneta é do prefeito. E é por isso que, agora, busco o protagonismo.

Cechin fala que um eventual governo dele será estruturado em quatro eixos: digitalizar de forma integrada a prefeitura; cuidar da dignidade humana (saúde, educação, habitação e social); zeladoria (demandas básicas) e crescimento econômico. A condução de Santa Maria, neste contexto de pandemia, teria sido "bem diferente" se dependesse dele:

- Tinha de ter mais equilíbrio e bom senso. Essa régua, adotada pelo Estado e replicada aqui, está nos penalizando.


LUCIANO GUERRA: FRENTE ÀS REVIRAVOLTAS, A BUSCA POR MAIS UM FEITO


Foto: Renan Mattos (Diário)

O sobrenome aparentemente beligerante em nada condiz com o que é o vereador Luciano Zanini Guerra: um homem que aparenta tranquilidade e, não raro, carrega na voz uma certa resignação com a vida - o que não é por acaso. Em 4 de agosto de 2016, o radialista viu todas as certezas que tinha, até então, ruírem com a morte inesperada da filha dele, de apenas dois anos. Naquela data, Luciani perdeu a vida em um fatídico acidente quando o veículo, dirigido pelo avô dela, deu ré e atingiu a menininha no pátio da casa, que fica no distrito de Palma. Casado e pai de outras duas meninas, Guerra é um devoto da família e da crença de que "algo maior nos rege."

- Não tenho mais medo de nada da vida. Enterrar um filho é a inversão de tudo. Às vezes, é preciso transparecer que está tudo bem, quando, na verdade, não está, mas é preciso seguir.

Dentro das incoerências da vida, naquele ano, Guerra, que estava no primeiro mandato, teria o seu primeiro feito expressivo na política local: foi o parlamentar mais votado do Legislativo com 4,2 mil votos.

O 13º filho de um total de 14 irmãos, Guerra, hoje com 45 anos, deixou o campo pela primeira vez com 21 anos para ir atrás de um emprego que o permitisse um ganho duplo: concluir os estudos e fazer o curso de radialista. Com apenas a 4ª série, o primeiro emprego veio no comércio. Assim, trabalhava de dia, e, à noite, estudava. Nos últimos 20 anos, tem desempenhado a função de radialista. Ele também é formado pela Uninter em gestão pública.

- No campo, eu brincava com o cabo da enxada como se fosse microfone.

CAMINHOS

O encontro dele com a política, contudo, não ocorreu de forma planejada. Foi algo que aconteceu "como os acasos da vida, que tanto para o bem quanto para o mal, acabam nos surpreendendo", diz. Em 2001, quando o então prefeito Valdeci Oliveira (PT) assumiu o Executivo, o petista, à época, lançou mão de um decreto onde a escolha dos subprefeitos seria por meio de votação das próprias comunidades.

Articulado e dono de uma boa oratória, Guerra foi convencido por moradores do distrito de Palma que ele deveria ser o porta-voz da localidade onde nasceu, cresceu e mora até hoje. A votação com mais de 70% da adesão "dos colonos" rendeu a ele uma sequência de quatro mandatos. Ou seja, de 2001 a 2008, foi subprefeito.

A filiação ao PT veio, em 2002, a convite de Valdeci. Começaria, a partir dali, uma parceria e uma relação quase de criador e criatura. Tendo como fiador e padrinho Valdeci, que quase levou o pleito de 2016, Guerra não quer ser igual ou substituir o ícone petista. Mas sabe que há uma situação em que os dois se assemelham: ambos se descolam do partido, que foi tragado pela Lava-Jato.

- Já ouvi de muita gente "não voto no PT, mas em ti eu voto". Isso poderá nos levar ao segundo turno - avalia.

Frente à pandemia, Guerra diz que, se eleito, será um "prefeito com o pé no chão, e com o projeto na mão". Além disso, os eixos do governo irão contemplar as áreas da saúde, desenvolvimento econômico e digitalização da cidade.

- Não vou vender ilusões - destaca.


EVANDRO BEHR : ESTREANTE NA DISPUTA, TRAZ A POLÍTICA NO DNA



Foto: Renan Mattos (Diário)

Enquanto caminha pela Avenida Rio Branco, Evandro de Barros Behr faz questão de compartilhar o apreço pela história: a de Santa Maria e a própria. Descreve detalhes art déco das edificações e os ciclos econômicos da cidade ao mesmo tempo em que rememora sua trajetória de meio século de vida. Ele, que leva o nome do pai, o ex-prefeito Evandro Behr, também envaidece-se ao mencionar que nasceu em um domingo de Páscoa, em 29 de março, segundo ele uma "rara coincidência", que só ocorre a cada 400 anos.

Mas quando para em cima do viaduto homônimo, na Acampamento, chama atenção para a placa quase imperceptível e a centímetros da calçada. Para Behr, o filho, aquela é a materialização de que o legado deve ser maior que o ego do homem, valor que pretende levar para sua gestão, caso seja eleito.

O viaduto foi uma das primeiras obras de mobilidade urbana que imprimiram ritmo de desenvolvimento à cidade. Aliás, desenvolvimento é palavra-chave para o candidato. Para isso, ele defende a desburocratização de processos e uma economia que gire e seja absorvida no próprio município.

Expansivo, acelerado e inquieto, faz o constante uso de metáforas para se fazer entender e argumenta que o sentimento de pertencimento tem de nortear gestões e cidadãos:

- A metáfora é o modo mais prático para traduzir conceitos complexos e democratizar a informação. O prefeito tem uma finalidade pedagógica. Locais que têm qualidade de vida têm pessoas donas da cidade, com espaço de fala e ação concretas.

Concorrendo à primeira vez a prefeito, lançou-se a vice de Schirmer (MDB) em 2000 e, depois, a deputado estadual, em 2002, não se elegendo. No ano passado, filiou-se ao Cidadania. Solteiro e sem filhos, é advogado formado pela UFSM. Junto do irmão, desde 2016, tem uma incorporadora de imóveis em Camobi, mesmo bairro onde mora.

- O pai era engenheiro do Daer e passei minha infância em várias cidades do Estado onde eu via ele "construir estruturas". Só em 1989 ele foi prefeito, mas eu já vinha formando minhas convicções quando nem assimilava o que era política formal. A vida pública foi um propósito e hoje concorro para respirar, manter a sanidade e fazer com que as coisas que me incomodam saiam do plano interno e se materializem. Meu primeiro CNPJ foi aos 24 anos, onde tive uma indústria de gelo, na Vila Belga. Depois de morar em São Paulo, voltei. Em 2012, entrei em contato com o plano diretor e reexperienciei o que era viver aqui - relata o prefeiturável.

EQUILÍBRIO

Alheio ao que chama de política tradicional, Behr diz que, mais do que nunca, será preciso atingir um ponto de equilíbrio sem amarras ideológicas:

- A pandemia abriu a consciência das pessoas e arrancou a hipocrisia que fingíamos não ver. O atual enfrentamento padece de males anteriores à pandemia e da falta de planejamento. É esquizofrênico optarmos a vida ou o dinheiro. Não é assim. É possível, sim, preservar a vida, autogerir com segurança, sem esse fanatismo aplicado à política que só está nos afastando.


MARCELO BISOGNO: O CAMINHO DA INOVAÇÃO COM CONHECIMENTO 



Foto: Gabriel Haesbaert (Diário)

Embora tenha nascido em Porto Alegre, Marcelo Zappe Bisogno chegou em Santa Maria aos 7 meses e não admite não ser uma cria daqui. Guri criado no Bairro Itararé, e há cinco anos com domicílio no Patronato, começou sua trajetória no movimento estudantil. Com 46 anos, ele diz viver a melhor fase da vida. Da família, herdou além da veia política, a vivência no rádio, a amizade e o respeito pelas pessoas garantindo porteira aberta onde quer que chegue. Ousa dizer que tem nas mãos um raio-x do município e que, se eleito, "destravará" a cidade para que essa seja mais moderna, menos burocrática, "livre de filas e fichinhas" .

- Não tenho inimigos políticos e não tem canto de Santa Maria que a família Zappe Bisogno não entre. Considero-me um fazedor de pontes. Somos, eu e Fabiano, uma nova geração de experiência que quer oportunidade. Em 1992, quando fui votar pela primeira vez, o Cechin, por quem tenho grande respeito, foi eleito vice-prefeito, e hoje ele continua. É preciso oxigenar - observa Bisogno.

Filiado ao PDT em 1991, durante uma das vindas de Leonel Brizola a Santa Maria, Bisogno seguiu no partido até 1999, quando migrou para o PT. Elegeu-se vereador 2001 ficando até 2004. Em 2007, de volta ao PDT, foi secretário de Esportes, na gestão de Valdeci (PT). Em 2011, ocupou a pasta da Mobilidade Urbana na gestão Schirmer (MDB). No ano seguinte consagrou-se o parlamentar mais votado da história do município com 8 mil votos. Em 2016, concorreu à prefeitura ficando em quinto colocado, com 12,5 mil votos, atrás de Fabiano Pereira (PSB), hoje, seu vice para o pleito de 2020.

Cada etapa da vida pública é mencionada com detalhes por Bisogno, que faz da política um combustível para o dia a dia. A presença do esporte durante a juventude reiterou o espírito competitivo. Nos últimos anos, também buscou a espiritualidade para enfrentar sua perda mais dolorida, em 2015: a morte da irmã Daniele, aos 35 anos, vítima de câncer. Bisogno tem uma companheira e não tem filhos, mas é padrinho dos filhos de Daniele.  

RAÍZES

Saudosista a tudo que está à sua volta, Bisogno ressalta o apreço por comunicação fato que o levou a ingressar nos cursos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda, e faz questão de compartilhar que teve a carteira-assinada pela primeira vez aos 15 anos, pelas Casas Eny. O assunto surge em meio à preocupação com a economia local. O candidato, inclusive critica a falta de flexibilidade junto ao comércio que "está pagando uma conta que não lhe cabe." Essencialmente brizolista, enfatiza a implementação de uma escola em turno integral em cada região da cidade.

- A educação é do nosso DNA. As pessoas estão sem empregos, os pais terão que trabalhar no pós-pandemia e as crianças têm de estar na sala de aula. E, hoje, a prefeitura tem um recurso de R$ 400 mil, aplicado em compra de vagas em escolas particulares. A pandemia está expondo as fissuras da política e, hoje, não temos uma saúde pública de qualidade para enfrentar tudo isso. Minha vida foi constituída aqui e devo tudo que sou a Santa Maria. Agora, estou preparado para cuidar da cidade - afirma.


JORGE POZZOBOM: DEFESA DE UM LEGADO QUE VAI ALÉM DA PANDEMIA



Foto: assessoria de comunicação

Obstinado, incansável e, por vezes, irredutível: assim é Jorge Pozzobom. A pessoa e o político não se dissociam. Aos 50 anos, pensa e respira 24h uma única coisa: a prefeitura de Santa Maria. Workaholic, o advogado formado pela UFSM passa ligado e conectado e, por tabela, exige o mesmo de todos que estão no governo municipal. Ninguém desacelera, até porque não há essa opção dentro do governo, que, em parte, reflete o que ele é.

Prova disso foi que, durante a pandemia da Covid-19, o prefeito fez frente a uma força-tarefa multissetorial e pluripartidária para preparar o município frente ao vírus global. Agora, no último dia 21, ele foi diagnosticado com o coronavírus. O que não o impede de, ainda que em um home office forçado, seguir despachando.

Primeiro a trilhar o caminho da política, ele fez com que o sobrenome Pozzobom seja hoje uma marca da política local. Iniciado no Legislativo, ainda no começo dos anos 2000, Pozzobom foi secretário de município (de Schirmer, MDB) e de Estado (Yeda, PSDB), deputado estadual (por dois mandatos) e, ainda, candidato a prefeito (em 2012), quando não se elegeu.

- Eu não canso de buscar mais para Santa Maria. E não o faço para me vangloriar, eu faço porque é a minha cidade.

Além da trajetória de vida, que mescla problemas pessoais e adversidades superadas a duras penas, Pozzobom, que é casado e pai de duas meninas, orgulha-se das boas relações construídas ao longo de quase duas décadas de vida pública, onde constam duas passagens pela Assembleia Legislativa. O que, agora na condição de prefeito, abriu-lhe portas junto aos governos federal e estadual.

A inquietação somada à insistência são, muitas vezes, o receituário empregado por ele para "fazer as coisas acontecerem por Santa Maria". Foi assim que reverteu R$ 31 milhões esquecidos da época do PAC. É, aliás, desta mesma forma que pretende garantir que o município seja o endereço da Escola de Sargentos, um investimento de R$ 1 bilhão.

SEM SE ABALAR
Quanto ao fato de o vice-prefeito Sergio Cechin (PP) ter optado por candidatura própria, o tucano é lacônico:

- Enquanto eu estava em Porto Alegre em busca de leitos, ele estava se lançando à prefeitura. É isso.

As críticas, ditas por adversários, de que ele teria "voltado a governar" durante a pandemia, não o abalam. Em busca da reeleição, Pozzobom defende o seu legado. O que, para ele, traduz-se no enfrentamento a problemas estruturantes como as obras de drenagem pluvial, pavimentação de ruas e avenidas, segurança pública (com o Centro Integrado de Segurança Pública) e, ainda, a adoção das chamadas medidas compensatórias (que proporcionam à prefeitura condicionar onde e como quer que certos serviços sejam feitos junto àquelas empresas que invistam em Santa Maria).

- Todos debochavam quando eu disse que teríamos cercamento eletrônico. O Ciosp está aí, com mais de 800 câmeras. Enquanto uns falam, eu faço. A questão da pandemia não termina neste ano. O enfrentamento é um compromisso que não abro mão de dar sequência, cuidando da saúde e da economia - assegura.


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