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Jogos eletrônicos que viraram filmes: cinco exemplos de uma mistura que quase nunca deu certo

23 Maio 2018 13:30:00

Colunista Iuri Patias fala sobre as adaptações cinematográficas de franquias de videogames

Todo mundo sabe que existem certas combinações que nunca vão funcionar na vida. Por exemplo. A ciência já provou que é impossível misturar água e óleo por conta de suas polaridades opostas, e o bom gosto já julgou ser impraticável mesclar doces com salgados (não, é sério, parem com isso agora!). E no maravilhoso mundo dos jogos eletrônicos e do cinema a história não é muito diferente. Sendo justo, não é uma regra, mas a grande maioria das adaptações cinematográficas oriundas de franquias famosas dos videogames são uma bela bomba atômica, dignas de um Framboesa de Ouro. Por isso, para a coluna de hoje, separei algumas destas pérolas nada memoráveis, que são os melhores exemplos possíveis de como não fazer a adaptação de uma obra do entretenimento eletrônico para Hollywood.


Street Fighter: a Batalha Final 
Eu tinha por volta de 10 anos quando joguei Street Fighter no Super Nintendo e fiquei completamente fissurado pelo jogo de luta, que foi e continua sendo sucesso no mundo inteiro. Foi aí que descobri a existência de um filme da série, quando, em alguma tarde qualquer (na época do saudoso Cinema em Casa), o SBT anunciou que iria exibir a película. Entrei em êxtase. Mas aí o castelinho de areia desabou com o primeiro "hadouken" que passou por perto. 


Os personagens do jogo de luta estavam lá, com os seus nomes e vestimentas semelhantes às dos jogos, mas toda e qualquer semelhança com a obra original acabava por aí. Por exemplo. Protagonistas dos jogos de videogame, os icônicos "Ryu" e "Ken" viraram personagens secundários para dar lugar ao protagonista do longa: Jean Claude Van Damme, na pele do general "Guile". Para além, a história e personalidade dos personagens (em excluso o vilão Bison) foram completamente alteradas, descaracterizando de forma astronômica toda a riqueza que advinha dos videogames. Resultado: um filme completamente esquecível, bom apenas para entrar na impiedosa biblioteca de péssimas adaptações que Hollywood já produziu.

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House of the Dead 
Na trama original do game da SEGA, dois agentes invadem uma mansão que foi tomada por mortos-vivos com o objetivo de salvar possíveis sobreviventes. A existência das bizarras criaturas se deu por conta dos testes bioquímicos realizados por um renomado cientista, que almejava alcançar o ressurgimento da vida dos mortos. No filme homônimo de 2003, só existe um elemento que se assemelha ao jogo eletrônico da década de 1990: mortos-vivos.

Em House of the Dead, a dita "casa dos mortos" acabou se tornando uma ilha forrada de zumbis (pois é). Não obstante, os dois agentes, protagonistas do game, foram substituídos por um grupo de adolescentes que queriam conhecer a chamada "ilha da morte". Pra fechar com chave de ouro, o antagonista da história é um padre (cafonice total) que se alimenta de pessoas para se manter vivo após a morte. 


As atuações catastróficas, a descaracterização da história e a maquiagem lamentável são apenas alguns dos vários elementos que transformaram este em um dos piores filmes de terror já produzidos até hoje.

Max Payne
Existem jogos eletrônicos que são verdadeiros filmes interativos. Outros, possuem uma história tão rica, bem conduzida e forrada de camadas que operar no sentido de uma adaptação cinematográfica (de algo que já dispõe de fartos elementos do gênero) é praticamente esperar pelo pior. Este é o caso de Max Payne.

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Na trama original do game, Max é um policial que tem a sua família assassinada por viciados em uma nova droga que está se propagando por Nova York. Movido pelo desejo de vingança, ele então passa a lutar contra a própria polícia, facções criminosas e até mesmo a máfia, para eliminar os responsáveis pelo crime contra sua família. Nos videogames, o brilhantismo do enredo se dá pelas possibilidades de escolha que têm o jogador, por meio de uma trama no maior e melhor estilo No-Air, trabalhando de forma espetacular a psique tomada por ódio e pesadelos do protagonista. Mas aí, chegamos ao filme. 


Pra começar, a história do longa possui mais buracos do que uma porta de metal, um festival de adaptações medíocres e sem nenhum comprometimento com a psique dos personagens, que tão bem o game trabalha. Ademais, as cenas de ação (outro ponto forte do jogo) são da pior qualidade, quase que lentas, sem adrenalina alguma. É um filme que começa e termina sem trazer qualquer outro sentimento que não o de frustração. Para muitos, um ótimo filme. Para mim, uma desastrosa adaptação.

Alone in the Dark 
House of the Dead (além de Resident Evil e alguns outros) não foi o único jogo de terror a se passar dentro de uma mansão. Na década de 1990, jogadores de todo o mundo também molhavam suas calças quando se dispunham a explorar os impiedosos cômodos de uma enorme casa forrada por monstros, fantasmas e tomada por uma ambientação perturbadora. Alone in the Dark não foi aclamado pela crítica por nada. Para além de ser o primeiro jogo do estilo de "horror de sobrevivência" produzido em 3D, foi também uma completa obra prima em aplicar com maestria a profundidade do horror e suspense em um jogo de videogame. No entanto, assim como nos exemplos anteriores, a adaptação cinematográfica do game descaracterizou toda a atmosfera da obra.

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Dirigido por Uwe Boll, o mesmo responsável pela "incrível" adaptação de House of the Dead (e consequentemente um dos piores diretores de filmes que esse mundo já conheceu), o longa é tudo o que o jogo não é. Por exemplo, na história do game, um investigador particular é contratado para localizar um piano antigo no sótão de uma mansão que dizem ser mal assombrada, por conta de que o dono da mesma havia cometido suicídio lá dentro. Aí, o protagonista se depara com uma série de assombrações e monstros que espreitam cada um dos cantos da enorme casa. Cabe a ele descobrir o que estava acontecendo e sair com vida para contar sua história. Só que, na película, o único elemento que se mantém é a presença do investigador. Fim!


O filme de Alone in the Dark é uma aula de como não produzir um longa, em todos os sentidos. A história não tem absolutamente nada a ver com a do jogo, para além de ser uma porcaria trash cósmica. A trilha-sonora é horrível, e os efeitos especiais (que de especiais não têm nada) seriam completamente compatíveis com uma película da década de 1980, mas não com uma de 2005. É algo tão ruim e mal feito que não seria recomendado assistir nem se você não tiver absolutamente mais nada para fazer na vida.

Super Mario Bros 
Senhoras e senhores, meninos e meninas, gatinhos e cachorrinhos, chegamos ao nosso clímax. Este é aquele momento em que todos nos questionamos sobre o porquê de nossa existência neste mundo, e também para onde iremos depois do fim de nossas vidas terrenas. E antes que você se pergunte sobre o motivo de tanto sensacionalismo, basta reler o título do filme com o qual finalizaremos nossa lista de desastres em adaptações de jogos para o cinema.

Ninguém sabe até hoje porque este filme existiu, tão pouco como que a Nintendo permitiu que ele fosse filmado, mas fato é que a realidade é muito mais dura do que parece, e seja isto ironia do destino ou não, a matéria-prima para a confecção de um dos piores filmes da história (e eu definitivamente não estou sozinho nessa) foi justamente a franquia de jogos mais famosa e bem sucedida de todos os tempos: Super Mario Bros.


O filme de Super Mario Bros é absolutamente tudo o que você quiser imaginar, menos Super Mario Bros. É uma verdadeira zona de absurdos de todas as esferas possíveis, com atuações calamitosas, história cabalmente descaracterizada e humor trash da pior qualidade. No roteiro, uma moça arqueóloga descobre posteriormente que é uma princesa por conta de seus antepassados dinossauros (pois é); que nasceu de um ovo (...) e que um dinossauro (que é igual um humano) ditador - que mora em outra dimensão - quer capturá-la, além de também querer comandar o mundo dos humanos, tudo na base do... tiroteio! Isso mesmo que você leu! Aí, claro, surgem dois encanadores que precisam salvar o mundo e a mocinha, e vão pegar em armas de fogo se isso for preciso (parabéns a todos os envolvidos).

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Sinceramente, eu não tenho mais condições pra falar sobre isso, e espero, do fundo de meu coração, que você não tenha perdido quase duas horas de sua vida assistindo essa bomba. Se o fez, tudo bem, fico mais feliz em saber que não estou sozinho com o trauma causado.

O que você leu hoje foram exemplos catastróficos de adaptações cinematográficas advinda dos jogos eletrônicos. Na maioria dos casos em que isso ocorreu, o destino foi exatamente esse: o fiasco. De todo modo, nem todas as tentativas foram falhas, pelo contrário. Ainda que poucos, existem filmes baseados em games que foram muito felizes no que se propuseram, assunto esse que iremos acompanhar juntos em uma coluna futura.

Até a próxima!

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