contatos Assine
sociedade

O que temos a aprender sobre nós com a eleição de Bolsonaro?

14 Novembro 2018 16:25:00

Colunista Carolina Suptitz fala sobre as lições da última eleição


Você percebeu a grandiosidade destas últimas eleições? Quanto maiores as oportunidades de aprendizado, mais grandioso é o acontecimento. E inúmeras são as lições deste momento político - e também ético, psicológico e espiritual - que estamos vivendo.

Ele soa como nós

A começar porque expandiu a todos nós brasileiros o fenômeno que já vinha ocorrendo no plano mais restrito das figuras públicas: a queda das nossas máscaras.

O nosso propósito maior, enquanto indivíduos ou coletividade, é nos tornarmos cada vez melhores com a gente mesmo, os demais seres e todo o meio ambiente até encontrarmos a felicidade, fruto da prosperidade que alcançamos em todos os âmbitos da vida.

Para isso, é necessário mergulharmos no autoconhecimento, cuja primeira fase é a da purificação. Na purificação, identificamos as máscaras que inconscientemente criamos para ocultar o que de negativo possuímos e, especialmente, identificamos os aspectos negativos surgidos normalmente na infância e que impedem a nossa felicidade. É somente a partir desta identificação que podemos nos transformar, nos libertando daquilo que, do nosso interior, cria a realidade que vivemos e grande parte das vezes nos faz sofrer.

Com as eleições, caiu a máscara de país ideologicamente progressista, fundado em valores e princípios constitucionais reconhecidos no mundo inteiro pela inovação e justiça social. Como disse o presidente eleito Bolsonaro, somos um país conservador.

Uma repetição na nossa história é a "conquista" de direitos e status sem muita luta e, consequentemente, consciência. Foi assim com a nossa independência. Foi assim com os direitos trabalhistas, direitos humanos nas mais variadas vertentes (gênero, étnico-racial, diversidade, marginalizados social e economicamente e crianças e adolescentes) e mesmo com a democracia. "Conquistas" vindas muito mais de cima pra baixo do que fruto de uma mobilização popular e nacional.

O desafio atual da convivência

Da independência, a quase totalidade do povo apenas foi avisado. Os direitos humanos assegurados na Constituição Federal e outras leis nos foram presenteados por intelectuais, juristas e políticos inspirados nas discussões mais avançadas ocorridas mundo afora (mas muito pouco aqui). E a democracia, apesar da luta de milhares, que inclusive entregaram sua dignidade, saúde física e mental e a própria vida (vide relatórios da Comissão Nacional da Verdade), foi restituída muito mais por negociações políticas e o esgotamento do regime e ditadura militar do que por maior sensibilização e mobilização popular.

Há na nossa história, então, o desconhecimento e consequente não valorização do que (ainda) possuímos em termos legais. E, mais importante, esta máscara democrática e protetora das minorias oculta a criança ferida de uma coletividade que sofre com a violência, corrução e inúmeras dificuldades de prosperar na vida. Criança ferida que é herdeira inconsciente de todo tipo de violência e exploração vivenciados pelos moradores que primeiro desbravaram este país: indígenas, negros, portugueses e demais imigrantes.

Somos todos vítimas da nossa dura história de ocupação exploratória das terras e relacionamentos conflitivos entre moradores, povos e culturas. E talvez a maioria de nós esteja colocando agora para fora toda a dor herdada ao se reconhecer no discurso agressivo do presidente eleito.

A criança, claro, é sempre imatura. Honesta e espontânea com os seus sentimentos é, porém, imatura e reage impulsivamente. E não é isto que alguns admiram e outros repelem no próprio Bolsonaro? A criança não consegue avaliar com racionalidade porque algo a incomoda ou deseja muito... e a criança chora. Ou grita e esperneia, não é mesmo? Enquanto adultos, somos crianças em muitos assuntos; enquanto coletividade, também.

Eleições? Princípios que podem nos ajudar

E a riqueza do momento está em humildemente conseguirmos acender as luzes e vermos o que se esconde no nosso interior. Apenas após visto e identificado o que (também) somos é que podemos escolher pensar e fazer diferente. Antes disso, somos marionetes das nossas dores e medos.

Se a maioria da população preferiu eleger o discurso da violência, ainda que inúmeros tenham sido os motivos para isso, parte do restante da população também segue incorrendo em imaturidades psico-espirituais.

Não por conta do movimento de resistência. Por que resistir é legítimo, justo, necessário e um ato de amor a todos que se encontram em condição de ameaça: índi@s, negr@s, mulheres, homossexuais, marginalizad@s e todos os demais, que somos radical e diretamente prejudicados com o uso dos agrotóxicos e o risco cada vez maior de desmatamento da Amazônia.

Estou falando da imaturidade que há em não praticarmos a aceitação, confiança e o amor incondicional. Claro que estes desafios são grandes, mas igualmente grandes são os aprendizados decorrentes, próprios de um estado próximo ou equivalente ao do despertar, Iluminação ou o que podemos simplesmente chamar de verdadeira Sabedoria.

O que eu quero ser quando crescer: a escolha de uma profissão

Se estamos precisando passar por esta experiência de retrocesso, que aceitemos. Ela é necessária para nos ensinar dos valores da liberdade, igualdade e democracia. É a experiência que educa, não é mesmo? Rasgar o casulo para ajudar a borboleta a dele se libertar é tirar dela a oportunidade de fortalecer as asas e, com isso, conseguir voar.

E assim como estamos precisando fortalecer as nossas asas para, só então, podermos voar, que passemos por este processo com a resiliência e a paciência da borboleta que, ciente de ser este um trabalho necessário, o enfrenta com amor por todos e confiança na perfeição da natureza que lhe apresenta exatamente aquilo que precisa para se tornar quem é e assim cumprir a sua missão.

Com autoconhecimento, humildade, maturidade, fé e amor, avancemos rumo à vida adulta, povo e nação brasileira!

fale com a redação

quem somos
leitor@diariosm.com.br
(55) 3213-7110
(55) 99136-2472
(WhatsApp)
Endereço
Faixa Nova de Camobi, 4.975, Bairro Camobi, CEP 97105-030, Santa Maria - RS

redes sociais
facebook
instagram
twitter
youtube

 


para assinar
(55) 3220-1717
diariosm.com.br/assinaturas

central do assinante
(55) 3220-1818
(55) 99139-5223
(WhatsApp, apenas falhas de entrega)

para anunciar
(55) 3219-4243
(55) 3219-4249